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sábado, abril 23, 2011
quarta-feira, abril 23, 2008
Pare, sinta e leia
E que melhor maneira de comemorar o Dia Mundial do Livro, senão lendo? Foi isso que fizemos hoje na nossa Escola. Às dez e trinta houve um toque especial e até às onze horas, alunos e professores leram nas suas aulas e turmas. Escolhi um livro especial do Mário Prata, Schifaizfavoire, um Dicionário de Português. Depois de lidas algumas passagens, discutimos e debatemos as diferenças e semelhanças entre português de Portugal e português do Brasil, bem longe da polémica do novo acordo ortográfico, até porque a riqueza e humor da escrita de Mário Prata convidam a uma boa leitura e melhor fruição e conversa. segunda-feira, abril 23, 2007
Dia Mundial do Livro
William Shakespeare nasceu a 23 de Abril de 1564 e morreu a 23 de Abril de 1616, data em que também Cervantes se despediu do mundo. Vladimir Nabokov nasceu também a um 23 de Abril, alguns séculos mais tarde. Certamente a coincidência da data não terá sido alheia ao facto de ter sido escolhido o dia 23 de Abril pela Unesco como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor.
Aqui no De mês em quando, a data não podia passar em vão. Afinal, uma grande parte dos posts deste blogue são dedicados a escritores, à escrita e aos livros, não estivesse também ele integrado na Biblioteca/ Centro de Recursos.
Não concebo a vida sem livros, não concebo uma casa sem livros e desconheço como será uma alma ausente de um qualquer livro. Na casa de meus pais, sempre houve muitos livros. Cresci com eles, aprendi a respeitá-los e a amá-los e recordo com ternura o início de cada ano lectivo em que o meu pai me encapava os livros escolares para que não se ferissem e as capas não se estragassem. Com ele, aprendi a folheá-los, a nunca lhes escrever a tinta, a respeitá-los e a lê-los com paixão, dedicação também extensiva à minha mãe. Serve isto apenas para dizer que o amor pelos livros se estimula, nasce pequenino e se desenvolve, como uma planta cuidada, com o entusiasmo da leitura e do saber. Apresento de seguida uma selecção de livros sobre livros ou livros, cuja acção se desenrola em torno dos livros, que continuam na minha vida mesmo depois de lida a última palavra.
Aqui no De mês em quando, a data não podia passar em vão. Afinal, uma grande parte dos posts deste blogue são dedicados a escritores, à escrita e aos livros, não estivesse também ele integrado na Biblioteca/ Centro de Recursos.
Não concebo a vida sem livros, não concebo uma casa sem livros e desconheço como será uma alma ausente de um qualquer livro. Na casa de meus pais, sempre houve muitos livros. Cresci com eles, aprendi a respeitá-los e a amá-los e recordo com ternura o início de cada ano lectivo em que o meu pai me encapava os livros escolares para que não se ferissem e as capas não se estragassem. Com ele, aprendi a folheá-los, a nunca lhes escrever a tinta, a respeitá-los e a lê-los com paixão, dedicação também extensiva à minha mãe. Serve isto apenas para dizer que o amor pelos livros se estimula, nasce pequenino e se desenvolve, como uma planta cuidada, com o entusiasmo da leitura e do saber. Apresento de seguida uma selecção de livros sobre livros ou livros, cuja acção se desenrola em torno dos livros, que continuam na minha vida mesmo depois de lida a última palavra.
Auto de Fé
Peter Kien, sinólogo e obcecado com a sua enorme biblioteca, desposa a empregada pelo carinho que dedicava aos seus livros. Cada vez mais alheado da realidade, a biblioteca torna-se a sua vida ou tornar-se-á a sua morte?Os livros não são seres vivos, de acordo. Carecem de sensibilidade e , portanto, ignoram a dor tal como a sentem os animais e, provavelmente, também as plantas. Mas, quem é que já demonstrou a insensibilidade total do inorgânico? Quem sabe se um livro não será capaz de ter desejos, de uma forma que nos é estranha e que, por isso, não notamos, por outros livros com os quais conviveu durante algum tempo?
Elias Canetti, Auto de Fé, Livros do Brasil.
Elias Canetti foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1981.
Budapeste
José Costa, um escritor anónimo carioca, divide a sua vida escrevendo livros sem nunca assumir a autoria. Um dia, ao regressar de um congresso de escritores anónimos em Istambul, vê-se obrigado a pernoitar em Budapeste em virtude de um incidente de viagem e, seduzido pelo fascínio da língua magiar, começa a aproximar-se dela, da própria cidade e de Kriska. A narrativa flui entre cidades e mulheres, as línguas e os livros. José Costa torna-se Zsoze Kósta. E quem é Zsoze Kósta? Uma personagem ou o narrador? E Budapeste? Budapeste ou Budapeste? Uma cidade ou um livro?Artistas, políticos e escroques famosos batiam à minha porta, mas eu me dava ao luxo de atender somente personagens tão obscuros quanto eu mesmo. Clientes que me lembravam aqueles da sala três por quatro do centro da cidade, exceto por serem ricos o suficiente para pagar o caché extorsivo que o Álvaro estipulava, além de custearem a tiragem do livro para distribuição entre parentes e amigos. Tipos como o velho criador de zebu dos cafundós do país, cujas memórias reescrevi com muito sexo, transatlânticos, cocaína e ópio, proporcionando-lhe algum conforto num leito de hospital.
Chico Buarque, Budapeste, Dom Quixote,
Budapeste foi galardoado em 2004 com o Prémio Jabuti, o mais importante e prestigiado prémio brasileiro de Literatura.
Budapeste foi galardoado em 2004 com o Prémio Jabuti, o mais importante e prestigiado prémio brasileiro de Literatura.
A Sombra do Vento
Cemitério dos Livros Esquecidos? Sim, Cemitério dos Livros Esquecidos, assim se chama o local onde Daniel Sempere foi levado pelo seu pai numa manhã de 1945. O livro que escolhe para que renasça do cemitério através da leitura vai alterar o curso da vida de Daniel. Um livro obrigatório para os bibliófilos, cheio de suspense e mistério com Barcelona em pano de fundo. Para que o mistério se mantenha, ficam apenas estas palavrinhas. Ler é bem melhor do que ouvir contar.
Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo — não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos —, vamos regressar.
Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento, Dom Quixote.
Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo — não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos —, vamos regressar.
Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento, Dom Quixote.
Carlos Ruiz Zafón foi vencedor do prémio Correntes d´Escritas 2007 com A Sombra do Vento.
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