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sexta-feira, janeiro 18, 2008

A trabalheira de se ser infeliz

E porque hoje é sexta-feira deixo-vos com uma citação de um dos meus autores preferidos de sempre e um autor obrigatório de expressão portuguesa. Se nunca leste nenhum livro de Mia Couto, não percas tempo, dirige-te ao nosso Centro de Recursos e procura um livro deste autor moçambicano e, como é multifacetado, podes ler contos, romance, poesia ou ensaio/não-ficção. Tudo vale menos ficar na ignorância e desconhecimento. Agora a prometida citação:

Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que a doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.

Mia Couto, (2002), Mar me quer, Lisboa, Caminho.

Portanto, já sabem, ser infeliz dá uma grande trabalheira, logo, toca a enxotar os pensamentos mais sombrios e sorrir para a vida. Bom fim-de-semana!

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, novembro 02, 2006

Livros

There is no such thing as a moral or an immoral book.
Books are well written or badly written.Oscar Wilde (1854-1900), The Picture of Dorian Gray.