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quarta-feira, novembro 05, 2008

O Arquipélago da Insónia


Mais do que um booktrailer. Imprescindível para todos os que se interessam por António Lobo Antunes.

sábado, julho 28, 2007

Estação Pateta

Cara Silly Season,

Portuguesmente falando, és apenas a Época Pateta. O nome inglês soa melhor, a retinir campainhas, a sibilar de assobios, a festa de guizos. Estrila muito mas significa pouco. Não tenho nada contra as guizalhadas, embora não seja um praticante entusiasta. Mas contra as carneiradas, tenho. Cresci numa saudável rebeldia contra o conformismo. Ora tu, Estação Tonta, és o exemplo mais acabado, retinto, e rebaixado desta tirania do banal que põe todos a dançar ao toque da mesma caixa. Sob a tua aura e protecção campeiam os estagiários de jornalismo, os militantes da chalaça, os bobos de ocasião. E vá de perguntinhas, e vá de expedientezinhos, e vá de entreter o pagode que só quer é rir, à torreira do sol, a sacudir a areia do croquete, enquanto as crianças chilreiam na praia. Pobre enfeitada Sazão Foleira, vê se percebes que, apesar do lastro de alarvidade que a tua teimosia quer preservar, já vai havendo muitos cidadãos que não têm pachorra para sandices.

Mário de Carvalho in "Visão" nº751, 26 de Julho de 2007


Mário de Carvalho foi recentemente galardoado pelo romance Um Deus passeando pela brisa da tarde. Um escritor a ler nas férias, por exemplo, ou quando regressarmos à escola, mas definitivamente a ler! Os livros? No sítio do costume, aqui na nossa Biblioteca/Centro de Recursos.

foto: da notícia (Público online)

terça-feira, maio 29, 2007

A Feira do Livro

A Feira do Livro é estar sentado debaixo de um guarda-sol às listras a dar autógrafos e a comer os gelados que a minha filha Isabel me vai trazendo de uma barraquinha três editoras adiante, preocupada com as atribulações de um pai suado, de repente da idade dela, a escrever dedicatórias, de língua de fora, numa aplicação escolar. Isto não é uma queixa: gosto das pessoas, gosto que me leiam, gosto sobretudo de conhecer as pessoas que me lêem e me ajudam a sentir que não lanço ao acaso do mar garrafas com mensagens corsárias que não se sabe onde vão ter, e gosto dos romances que escrevi. Tenho orgulho neles e tenho orgulho em mim por ter sido capaz de os fazer.
(…)

António Lobo Antunes, Livro de Crónicas, D. Quixote


E para acabar a leitura da crónica, procura o livro na Biblioteca/Centro de Recursos. Caso queiras guardar para a posteridade um autógrafo de António Lobo Antunes procura-o na Feira do Livro de Lisboa no próximo dia 2 de Junho, onde estará presente para uma sessão de autógrafos no stand das Publicações Dom Quixote.

quinta-feira, março 15, 2007

Parabéns, António Lobo Antunes!

Eis também a razão pela qual António Lobo Antunes não visitará este humilde cantinho para receber as nossas felicitações pelo maior Prémio de Língua Portuguesa que lhe foi atribuído:

No que me diz respeito não sei mexer num único desses símbolos do progresso, do aspirador ao apara-lápis, do micro-ondas ao blequendéquer, do vídeo ao saca--rolhas que levanta a pouco e pouco duas pérfidas asinhas de metal. Afasto-me dos telemóveis como da peste, faço largos círculos para não passar perto de uma calculadora de bolso. O isqueiro do esquentador assusta--me com as suas rápidas, instantâneas chamazinhas azuis, o trepidar da máquina de lavar loiça provoca-me suores de vítima, de lenço amarrado na cara, de pelotão de execução. E tenho conseguido somar anos, apesar dos aparelhos, graças a uma prudência maníaca e a uma cautela de cego, até que surgiram os computadores.
Julgo não ter medo da morte, não ter medo do dentista, não ter medo da lepra, não ter medo dos políticos, mas tenho medo dos computadores. Tenho medo da sua falsa inocência, da sua submissão aparente, da sua eficácia tenebrosa, do seu ódio silencioso e vesgo. Já me engoliram um romance inteiro, já me transformaram capítulos em poesia experimental, já retiraram ossos aos meus parágrafos, reduzindo-os a um puré de adjectivos. Por isso escrevo à mão. Escrevo à mão para que os erros sejam meus e as personagens iguais às da minha cabeça e não resultado da imaginação delirante e asséptica de uma disquete esquizofrénica, inventando situações desconfortáveis e aberrantes como as dos sonhos das gripes. E os computadores imagino-os rugindo numa jaula de circo, sonolentos e de unhas de fora, só possíveis de enfrentar de botas altas, alamares e chicote na mão, obedecendo a contragosto às ordens de quem se aproxima deles, tocando-lhes com um pau para os obrigar à complicada proeza de uma frase escorreita.


in "Os Computadores e Eu"
António Lobo Antunes, (1996), Crónicas, Círculo de Leitores.

Para ler mais, nada como requisitar um livro do António Lobo Antunes no nosso Centro de Recursos. Recomendo os livros de Crónicas e Os Cus de Judas para iniciados e antes de se abalançarem prosa dentro.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

António Lobo Antunes

António Lobo Antunes é uma dos mais consagrados escritores de língua portuguesa. Galardoado com vários prémios e várias vezes na mira do Prémio Nobel, conta com uma obra vasta, iniciada com Memória de Elefante na segunda metade da década de setenta.
Nas poucas vezes que brinda o público com as suas aparições, António Lobo Antunes deixa sempre bem clara a relação de profunda intimidade e comunhão com a escrita e algum desprendimento do mundo material em sua volta. Escrever, gosta de escrever, quer escrever e parece ter sempre um romance em gestação. A sua obra divide-se entre romances, três volumes de crónicas publicadas maioritariamente na revista “Visão” e um livro que compreende a correspondência que manteve com a sua mulher durante a Guerra Colonial em Angola. Detesta computadores, prima por manter a relação entre o papel e a caneta e, durante os anos em que exerceu psiquiatria no Hospital Miguel Bombarda, os romances foram desenhados nos blocos destinados às prescrições médicas.
O estilo inconfundível dos seus romances marca definitivamente uma nova geração e imprime um ritmo ímpar e inédito à narrativa. Goste-se ou não, António Lobo Antunes é uma referência incontornável das letras portuguesas contemporâneas e juntamente com José Saramago, com quem diz não entender porque o acasalaram, um cartão de visita além fronteiras da literatura portuguesa.