A revista "Os Meus Livros", que também pode ser consultada na Biblioteca da Escola, está agora online neste sítio.
sexta-feira, outubro 09, 2009
quinta-feira, outubro 08, 2009
quarta-feira, outubro 07, 2009
Grátis
A Cidade Depois de Pedro Paixão compreende textos do escritor sobre Nova Iorque depois do 11 de Setembro de 2001. O livro, entretanto esgostado, foi disponibilizado pelo próprio Pedro Paixão no seu site e pode ser descarregado aqui. Eu continuo a preferir o papel mas não deixa de ser uma atitude louvável de grande desprendimento e generosidade. Aproveitem.
terça-feira, outubro 06, 2009
quinta-feira, outubro 01, 2009
Para abrir o apetite...
Aqui fica um pequeníssimo excerto de Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
Haverá noite para este dia digam-me, uma altura em que deixo de distinguir o salgueiro e depois do salgueiro a janela, os móveis desaparecem porque não acendemos a luz, ficam as pegas de metal a brilhar um momento, um frémito nas portas que ninguém gira, os meus irmãos procurando-se e eu em busca da saída dado que principiaram as dores e não acho o caminho da rua, apercebo-me do alpendre onde a lanterna baloiça na corrente, ao regressar ao baldio via-a na esquina e acalmava, estou a chegar, estou em casa, não me fazem mal já, o quintal fechava-se-me sobre o corpo e escondia-me, nenhuma cólica, nenhum suor, a paz e com a paz a indecisão da madrugada no peitoril
- Nasço não nasço?
Novidades
Hoje é um dia grande para todos os amantes da obra de António Lobo Antunes, uma vez que se encontra já à venda mais um livro do consagrado escritor. O título é sugestivo e apela à leitura, já que é formulada uma pergunta. Será que após a leitura conseguiremos respondê-la?
Segundo a sinopse "a acção decorre no Ribatejo, numa quinta onde se criam toiros. A mãe está a morrer e cada um dos filhos fala e conta a sua história, que se cruza com a história dos outros. Francisco, que odeia os irmãos e espera apropriar-se de tudo quando a mãe morrer; João, o preferido da mãe, pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII; Beatriz, que engravidou e teve de casar cedo; Ana, a mais inteligente, drogada e frequentadora dos mais sinistros lugares onde se trafica droga. Há ainda a figura do pai, que vai perdendo ao jogo a fortuna da família, na obsessão de que o número 17 lhe há-de trazer a sorte. E finalmente Mercília, a criada que os criou a todos e que sabe todos os segredos".
A leitura de António Lobo Antunes é sempre uma aventura cheia de desafios, caminhos e trilhos que levam o leitor também aos lugares recônditos da sua alma. Recomendo vivamente.
Segundo a sinopse "a acção decorre no Ribatejo, numa quinta onde se criam toiros. A mãe está a morrer e cada um dos filhos fala e conta a sua história, que se cruza com a história dos outros. Francisco, que odeia os irmãos e espera apropriar-se de tudo quando a mãe morrer; João, o preferido da mãe, pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII; Beatriz, que engravidou e teve de casar cedo; Ana, a mais inteligente, drogada e frequentadora dos mais sinistros lugares onde se trafica droga. Há ainda a figura do pai, que vai perdendo ao jogo a fortuna da família, na obsessão de que o número 17 lhe há-de trazer a sorte. E finalmente Mercília, a criada que os criou a todos e que sabe todos os segredos".
A leitura de António Lobo Antunes é sempre uma aventura cheia de desafios, caminhos e trilhos que levam o leitor também aos lugares recônditos da sua alma. Recomendo vivamente.
sexta-feira, setembro 25, 2009
2666
Há quem feito contagem decrescente, quem o considere obra-prima, que o catapulte para o acontecimento literário do ano, quem lhe tenha criado um blogue e quem fale disso permanentemente. O romance de Roberto Bolaño, 2666, publicado postumamente tem recebido a aclamação de bloguers e futuros leitores. O lançamento será no próximo Sábado, 26 de Setembro, mas haverá uma festa de lançamento hoje, sexta-feira, dia 25. Com tanta publicidade e divulgação estas mil páginas passaram definitivamente para a minha lista de livros obrigatórios.
quinta-feira, setembro 24, 2009
E chegou aquela altura...
Chegou aquela altura do ano em que a curiosidade aperta e que nos deixa em suspenso. Quem será este ano o feliz contemplado? Será que é desta que António Lobo Antunes vai figurar entre os laureados? Pelo que é dito aqui, há que esperar e que cumprir a tradição uma vez que o Prémio Nobel da Literatura só será comunicado em data a anunciar pela Academia Sueca. Saber esperar é uma virtude, dizem, e na verdade não nos resta outra alternativa. Quem sucederá a Le Clezio? Aceitam-se apostas.imagem daqui
quinta-feira, setembro 17, 2009
Rentrée
Após um interregno tão grande, aqui estamos de novo para vos dar notícias das artes e letras e também da nossa Escola. E começando pela nossa Escola, há muitas novidades, uma vez que estamos em obras. Enquanto vos escrevo, por exemplo, vejo da janela desta nossa Biblioteca o pavilhão B completamente esventrado, quase irreconhecível. Do lado esquerdo uma zona devastada decorada com veículos pesados. Como banda sonora temos um martelar suave entrecortado pelo som insistente dum martelo pneumático. E tudo isto são diferenças relativamente ao sossego que habitualmente tínhamos. Mas nada de desesperos, um ano passa depressa e depois teremos uma Escola renovada. Até lá desejo a todos um óptimo ano lectivo. quinta-feira, julho 23, 2009
A importância do nome
Suponhamos que o Manel faz uma viagem. Como todas as viagens, a viagem do Manel tem algumas peripécias. O Manel arruma a viagem na gaveta mas vinte anos depois e porque se lhe atravessa ao caminho uma fotografia da mulher que o acompanhou nesse périplo lembra-se de escrever umas coisas. O Manel acha a viagem engraçada com ingredientes suficientemente intensos para tornar a estória atraente, sente-se em dívida com a mulher que o acompanhou, é atacado por uma nostalgia súbita e neste embalo envia o manuscrito da sua aventura às editoras. O Manel, coitadito, é apenas o Manel, sem apelido, padrinhos, amigos, alguém que dê uma palavrinha a alguém, um toque só para ver se pega e, por conseguinte, tempos depois começa a receber cartas das editoras. Que não se enquadra nos critérios editoriais, que não podem encarar a respectiva publicação, que não são a editora indicada para a apreciação de narrativas curtas, que têm a programação editorial muito preenchida. O Manel arruma os manuscritos na estante, outros rasga-os furiosamente e coloca-os com grande dever cívico no ecoponto azul e outros oferece com uma dedicatória aos amigos, em tempo de crise há que poupar nos presentes. E partiu à sua vida. Ora se o Manel de chamasse, digamos, Miguel Sousa Tavares tinha o assunto resolvido e podia publicar este novo género de quase romance, a tal narrativa curta, contando uma das suas aventuras ao deserto com uma mulher com quem aparentemente teve um relacionamento amoroso e que morreu entretanto. No teu Deserto é apenas isso: um devaneio, sem grande qualidade de escrita. O texto está cheio de lugares-comuns, a noite estrelada a tempestade da areia, o desenrascando luso, o silêncio do deserto, uma mulher convenientemente loura que já se sabe resulta muitíssimo bem em países árabes como moeda de troca por cáfilas de camelos. Muito inferior a Sul, Não te deixarei morrer, David Crockett ou a Equador, o livro não traz qualquer novidade. Servirá apenas o voyeurismo dos leitores e ocupará uma boa parte de uma lânguida tarde estival, há sempre que não goste de leituras pesadas no Verão. Miguel Sousa Tavares já mostrou que é capaz de bem melhor. No teu Deserto só viu a luz do dia porque o seu autor é quem é. Se fosse o Manel, por exemplo, nunca passaria da intenção e muito bem.
terça-feira, julho 21, 2009
Frank McCourt
You’re on your own in the classroom, one man or woman facing five classes everyday, five classes of teenagers. One unit of energy against one hundred and seventy-five units of energy, one hundred and seventy-five ticking bombs, and you have to find ways of saving your own life. They may like you, they may even love you, but they are young and it is the business of the young to push the old off the planet.
Frank McCourt, Teacher Man
segunda-feira, julho 20, 2009
sábado, junho 27, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
quinta-feira, junho 11, 2009
Receita de Leitura (16)
A monumental arcaria de pedra e cal se oferecia a eles, com seus quase 300 metros de extensão a perder na noite, rumo ao morro do Desterro. Apesar da escuridão, Pedro e Leonardo podiam ver a garganta de amuradas, abrigando o cano de argila que trazia a água do rio Carioca. Os meninos saltaram sobre a manilha e correram ainda mais depressa, a 18 metros do chão da Lapa. Na disparada, foram deixando para trás, lá embaixo, a rua dos Arcos, cortada pela rua do Lavradio, e a de Mata-Cavalos. Visto de cima, o crepitar das velas acesas dentro das casas fazia a cidade parecer uma comunidade de pirilampos. Mas eles não tinham tempo para olhar, só para correr — era melhor nem olhar —, cuidando para não escorregar do cano e esperando que os soldados do Vidigal, cujas botas ouviam à distância, desistissem da perseguição.
Bem no meio dos Arcos, sobre a rua das Mangueiras, pararam por um instante, para apurar os ouvidos, e sentiram que o ruído das botas inimigas diminuíra ou silenciara — como se os soldados tivessem feito alto para descansar ou dado meia-volta. Mas, e se fosse um truque? E se apenas tivessem tirado as botas para correr melhor?
Ruy Castro, (2008), Era no tempo do Rei, Alfragide, Asa.
Composição
Era no tempo do Rei, do escritor e biógrafo brasileiro Ruy Castro, conta a história de dois meninos no Rio de Janeiro, em 1810, dois anos após a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Pedro e Leonardo, duas crianças de doze anos, vivem aventuras e peripécias, vagueando pela cidade. Em pano de fundo assiste-se ao retrato vívido e pululante de uma cidade subitamente capital do Reino e à história com as Guerras Napoleónicas, as lutas pelo poder e a indispensável intriga.
Indicações
Recomenda-se a leitura de Era no tempo do Rei aos indivíduos com gosto por prosas coloridas, fluentes e escorreitas. É muito bem tolerado por quem se interessa por esta parte da história em que portugueses e brasileiros se encontram no calor dos trópicos e mais uma vez se miscigenam. Leitores obcecados com a veracidade histórica observaram episódios que podem variar da ansiedade à cólera.
Precauções
Era no tempo do Rei está altamente desaconselhado aos historiadores incapazes de olhar a vida através do caleidoscópio da literatura. Não se recomenda a leitura a indivíduos incapazes de ficcionar a História e de ver em Pedro o futuro Imperador do Brasil. Caso dê por si rodeado de compêndios de História na senda de Bárbara dos Prazeres deve descontinuar essas leituras e acreditar no escritor “Nem tudo o que aqui se leu aconteceu – mas podia ter acontecido”. Indivíduos com forte apego às descrições excitantes observaram um desejo incontrolável de viajar no tempo e regressar ao Rio de Janeiro do século XIX.
Outras apresentações
Caso tenha sentido uma franca melhoria com Era no tempo do Rei, aventure-se noutras prosas do autor, como a biografia de Carmen Miranda, a história da Bossa Nova, Chega de Saudade, ou ainda Carnaval no Fogo sobre o Rio de Janeiro. Ler Ruy Castro é sempre um prazer. Se aprecia a temática, experimente Império à Deriva de Patrick Wilcken, a História como um romance.
quarta-feira, junho 10, 2009
Novo romance de José Saramago
José Saramago não pára. O Prémio Nobel português já entregou o seu novo romance na editora. Sairá para o Outono. Aguardemos então.
quarta-feira, junho 03, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Hay-on-Wye
A literatura está em festa no Reino Unido. Em Hay-on-Wye, uma pequena localidade no País de Gales também conhecida por “the town of books”, ou seja a cidade dos livros, está a ter lugar o maior festival literário em Terras de Sua Majestade. O evento abriu a 21 de Maio e prolongar-se-á até ao último dia deste mês de Maio.
Hay-on-Wye é um verdadeiro paraíso para os bibliófilos. O certame teve a sua primeira edição em 1988, tendo posto a cidade galesa na rota dos festivais literários. O programa é variado e inclui palestras sobre diversos temas como política ou ambiente, workshops de teatro, yoga e os tradicionais encontros com escritores. As novas tecnologias não foram excluídas, portanto pode visitar o perfil no Facebook ou no Twitter. Presentemente, o festival é patrocinado pelo jornal The Guardian. É, sem qualquer dúvida, o sítio onde eu gostaria de estar neste momento. Na impossibilidade, deixo-vos este pequeno texto retirado do sítio oficial do evento:
"Writers, comedians and musicians that have the capacity to change our lives, to share new visions of the world, and to do that incredibly sexy thing – to renew our sense of wonder."
Hay-on-Wye é um verdadeiro paraíso para os bibliófilos. O certame teve a sua primeira edição em 1988, tendo posto a cidade galesa na rota dos festivais literários. O programa é variado e inclui palestras sobre diversos temas como política ou ambiente, workshops de teatro, yoga e os tradicionais encontros com escritores. As novas tecnologias não foram excluídas, portanto pode visitar o perfil no Facebook ou no Twitter. Presentemente, o festival é patrocinado pelo jornal The Guardian. É, sem qualquer dúvida, o sítio onde eu gostaria de estar neste momento. Na impossibilidade, deixo-vos este pequeno texto retirado do sítio oficial do evento:
"Writers, comedians and musicians that have the capacity to change our lives, to share new visions of the world, and to do that incredibly sexy thing – to renew our sense of wonder."
imagem daqui
terça-feira, maio 26, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
Receita de Leitura (15)
Dose de Amostrade noite, a maria da graça sonhava que às portas do céu se vendiam souvenirs da vida na terra. gente de palavras garridas que chamava a sua atenção com os braços no ar, como quem tinha peixe fresco, juntava-se em redor da sua alma e despachava por bagatelas as coisas mais passíveis de suprir uma grande falta aos que morriam. os últimos charlatães, pensava ela, envergonhada até por ter de pensar depois de morta, ou talvez fosse coisa boa antes de se entrar no céu ser dada a oportunidade de levar um objecto, uma imagem materializada, algo como prova de uma vida anterior ou extrema saudade. ela pedia-lhes que a deixassem passar, ia à pressa, insistia, sabia mal o que fazer e não podia decidir nada sobre nada. seguia perplexa e não querendo arriscar a ganância de se depositar na eternidade a partir de um acto de posse. por uma compreensível angústia, ansiedade ou frenesi de ali estar tão pela primeira vez, mantinha a esperança de que talvez são pedro a esclarecesse e, com um pé lá dentro e outro ainda fora, lhe fosse possível comprar o requiem de mozart, a reprodução dos frescos de goya ou a edição francesa das raparigas em flor.
valter hugo mãe, (2008), o apocalipse dos trabalhadores, Matosinhos, QuidNovi.
valter hugo mãe, (2008), o apocalipse dos trabalhadores, Matosinhos, QuidNovi.
Composição
o apocalipse dos trabalhadores de valter hugo mãe é o terceiro romance do jovem escritor laureado em 2007 com o Prémio Literário José Saramago. Passado em Bragança, este romance contém as existências idiossincráticas e ambivalentes de duas mulheres-a-dias, um imigrante ucraniano e um homem reformado.
Indicações
Este livro está indicado para indivíduos afoitos e aventureiros. Os apreciadores de novas formas de narrar e de usar a língua de Camões de forma criativa observaram uma mudança radical no seu humor. Foram reportados episódios pontuais de euforia em consequência da prosa talentosa e original. o apocalipse dos trabalhadores é bem tolerado por leitores com gosto pelas existências simples do quotidiano e atentos à mudança social da sociedade portuguesa.
Precauções
Indivíduos obcecados com os preceitos formais da língua devem ter acompanhamento ao penetrar no livro. A ausência de maiúsculas pode provocar fortes acessos de crítica impiedosa nos leitores de gostos mais tradicionais. Podem ocorrer episódios de fúria aos fiéis amantes de pontuações elaboradas e pungentes. Caso percorra o livro à procura de pontos de exclamação ou interrogação deve descontinuar a leitura de imediato, uma vez que eles não existem. Alguns leitores mais sensíveis não conseguiram abstrair-se das personagens, dada a densidade das mesmas. Se der consigo a querer acompanhar a maria da graça às portas do céu deve abrandar a leitura.
Posologia
o apocalipse dos trabalhadores deve ser lido ao ritmo de cada leitor. Desconhecem-se efeitos de sobredosagem de literatura. Ler é saudável.
Outras apresentações
Caso tenham sido observadas melhorias com o apocalipse dos trabalhadores recomenda-se a leitura dos outros livros do autor, o nosso reino e o remorso de baltazar serapião. Se persistirem sintomas de ansiedade por mais escritos de valter hugo mãe, aventure-se na poesia e leia folclore íntimo.
o apocalipse dos trabalhadores de valter hugo mãe é o terceiro romance do jovem escritor laureado em 2007 com o Prémio Literário José Saramago. Passado em Bragança, este romance contém as existências idiossincráticas e ambivalentes de duas mulheres-a-dias, um imigrante ucraniano e um homem reformado.
Indicações
Este livro está indicado para indivíduos afoitos e aventureiros. Os apreciadores de novas formas de narrar e de usar a língua de Camões de forma criativa observaram uma mudança radical no seu humor. Foram reportados episódios pontuais de euforia em consequência da prosa talentosa e original. o apocalipse dos trabalhadores é bem tolerado por leitores com gosto pelas existências simples do quotidiano e atentos à mudança social da sociedade portuguesa.
Precauções
Indivíduos obcecados com os preceitos formais da língua devem ter acompanhamento ao penetrar no livro. A ausência de maiúsculas pode provocar fortes acessos de crítica impiedosa nos leitores de gostos mais tradicionais. Podem ocorrer episódios de fúria aos fiéis amantes de pontuações elaboradas e pungentes. Caso percorra o livro à procura de pontos de exclamação ou interrogação deve descontinuar a leitura de imediato, uma vez que eles não existem. Alguns leitores mais sensíveis não conseguiram abstrair-se das personagens, dada a densidade das mesmas. Se der consigo a querer acompanhar a maria da graça às portas do céu deve abrandar a leitura.
Posologia
o apocalipse dos trabalhadores deve ser lido ao ritmo de cada leitor. Desconhecem-se efeitos de sobredosagem de literatura. Ler é saudável.
Outras apresentações
Caso tenham sido observadas melhorias com o apocalipse dos trabalhadores recomenda-se a leitura dos outros livros do autor, o nosso reino e o remorso de baltazar serapião. Se persistirem sintomas de ansiedade por mais escritos de valter hugo mãe, aventure-se na poesia e leia folclore íntimo.
quinta-feira, maio 21, 2009
Boas ideias
Imagine agora que lhe dá uma vontade incontrolável de ler um livro. Sente-se só, desesperado pela falta de um livro que o acompanhe, ainda mais por pensar que naquele lugar não há livrarias e mesmo que houvesse nada lhe poderiam valer dado a hora inconveniente. Olha à volta em dor, a ausência de livros é uma síndrome doloroso do qual os amantes de livros podem ser acometidos, apura o olhar e o olfacto. Parece que, de repente, como se fossem pipocas mas em intesidade menor, cheira a livros, a fragrância das páginas virgens à espera que as leiam. Olha mais uma vez e repara em algo inédito: uma máquina automática de venda de livros!
A ideia foi mais uma vez da LeYa e a máquina esteve em experimentação durante a Feira do Livro de Lisboa, que decorreu entre 30 de Abril e 17 de Maio. Estarão disponíveis quinze títulos e o funcionamento é simples. A experiência da Feira determinará os locais onde irão ser colocados os dispensadores de livros, mas estações de comboio, hospitais e aeroportos contarão certamente entre os locais eleitos.
Embora a ideia não seja inédita, uma vez que há já aeroportos internacionais onde podemos ver máquinas semelhantes, é inédita entre nós. Uma belíssima iniciativa a merecer o nosso destaque.
Embora a ideia não seja inédita, uma vez que há já aeroportos internacionais onde podemos ver máquinas semelhantes, é inédita entre nós. Uma belíssima iniciativa a merecer o nosso destaque.
quarta-feira, maio 20, 2009
Ler mais por menos

A partir de dia 22 de Maio estarão à venda mais quinze títulos da colecção BisleYa. Apenas por €5,95, os títulos são muito diversos, tal como aconteceu nas duas colecções anteriores. Podem encontrar-se, entre outros, Rodrigo Guedes de carvalho e Daqui a Nada e Franz Kafka com o clássico O Processo. Contudo, os meus preferidos são A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho de Mário de Carvalho e O Operário em Construção de Vinicius de Carvalho. Não há razão para não ler. É já dia 22!
quarta-feira, maio 13, 2009
Novidades
Junho vai ser um mês importante em termos de novidades editoriais: o último romance de Chico Buarque vai ser editado em Portugal e José Eduardo Agualusa vê também Barroco Tropical, a sua obra mais recente, nos escaparates das livrarias. Caso tenha uma curiosidade incontrolável, não obstante, pode ler aqui o primeiro capítulo de Barroco Tropical. Mal posso esperar por Junho mas até lá vou-me contentando com este primeiro capítulo que promete.
quarta-feira, maio 06, 2009
A Feira do Livro de Lisboa...
pode ser seguida com toda atenção aqui. No blogtailors existe informação completa, interessante e muito actualizada do certame. Caso não possam ir à Feira, esta é uma maneira de se manterem actualizados e a par dos acontecimentos. Se puderem, aproveitem e sigam a perspectiva dos editores, leitores e visitantes.
quarta-feira, abril 29, 2009
Feira do Livro de Lisboa
Amanhã, dia 30 de Abril, a Feira do Livro de Lisboa, na 79ª edição e sob o lema "Viver a Leitura", abre as suas portas ao público. O certame durará até 17 de Maio. No local de sempre, conta com algumas mudanças este ano nas datas e horários. Contrariamente ao que acontecia antes, a feira estará aberta entre as 12.30 e 20.30 horas durante a semana,entre as 12.30 e 23.00 horas à sexta-feira e vésperas de feriados e entre as 11.00 e 23.00 horas aos Sábados e entre 11.00 e 22.00 horas aos Domingos. Além de outros eventos, este ano haverá um espaço dedicado à troca de livros, "Lisboa, Encruzilhada de Livros".
Mesmo que não seja para comprar livros, a Feira do Livro vale sempre a pena e este ano com o espaço de troca de livros com o apoio do Bookcrossing ainda mais. Para os amantes de literatura brasileira, como eu, será um grande evento, uma vez que o país convidado é o Brasil. Apareçam.
Mesmo que não seja para comprar livros, a Feira do Livro vale sempre a pena e este ano com o espaço de troca de livros com o apoio do Bookcrossing ainda mais. Para os amantes de literatura brasileira, como eu, será um grande evento, uma vez que o país convidado é o Brasil. Apareçam.
sábado, abril 25, 2009
sexta-feira, abril 24, 2009
Cidades com livros debaixo do braço
Ler é sempre viajar, sair de si para chegar a um outro lugar, uma travessia, uma jornada que não raras vezes nos transforma e que nos torna sempre mais ricos. E viajar é também ler. Ler os lugares por onde passamos, os rostos, os aromas e as cores. Há uma ligação estreita entre os dois e as cidades coexistem sempre com uma outra existência, aquela que paira nas páginas dos livros que as abordam e retratam. Este texto vem provar isso mesmo. Boa Leitura e óptimas viagens!
quinta-feira, abril 23, 2009
Receita de Leitura (14) - Especial Dia Mundial do Livro
Dose de AmostraPraga, uma das mais belas capitais europeias, ultrapassada em encantos talvez só por Lisboa e, vá lá, Paris, tem uma artéria central, a Venceslau, parecidíssima com a avenida do bacalhau no Porto, antes das obras que nela perpetraram. A Venceslau tem a forma dos Aliados e o Museu Nacional Checo remata-a lá em cima, como aquele edifício, não me lembro agora o que alberga, na Invicta. A semelhança dessas artérias surpreende o turista nacional que visite Praga e já tenha ido ao Porto, ou visto postais. São mesmo parecidas!
Pois são. Mas estátuas de S. João em Praga, viste-as! E que nem uma! Em compensação, desloque-se o português através da Ponte de Carlos, aquela que é ícone da capital checa e está para a antiga capital dos austro-húngaros como a Torre de Belém para Lisboa, ou o Estádio do Dragão para o Porto, e... Aquilo é só estátuas lindas de um lado e de outro, que o turista admirará, se conseguir tirar os olhos do belo Vltava, o rio estreitinho (tipo Douro) que banha Praga, e se não se distrair a fixar as indígenas invariavelmente bem apessoadas, ou os moçoilos checos, altos e loiros, (consoante a orientação sexual do visitante) que por lá pululam.
E quem é que tem uma estátua na Ponte de Carlos, quem é? Ora bem: Santo António!
António Eça de Queiroz & António Costa Santos, (2008), Porto versus Lisboa, Lisboa, Guerra e Paz.
Composição
Porto versus Lisboa é um livro escrito a quatro mãos em que um lisboeta, António Costa Santos, e um portuense, António Eça de Queiroz, digladiam argumentos em favor de cada uma das cidades mais emblemáticas do país e que frequentemente se encontram envoltas em duelos bairristas.
Indicações
Este livro está indicado para todos os leitores sem excepção. Porto versus Lisboa está particularmente indicado para indivíduos que julgam já conhecer tudo sobre as cidades lusas. Se é amante de Lisboa não pode perder este livro. Se é um adepto fervoroso da Cidade Invicta não pode nem deve deixar passar em vão a possibilidade de se deleitar com as estórias curiosas e divertidas de ambas as cidades e escritas de forma bem-humorada e informativa.
Precauções
Porto versus Lisboa é muito bem tolerado por todos os indivíduos que mantenham acesa a curiosidade de saber mais sobre o Porto e sobre Lisboa. Alguns leitores portuenses observaram episódios esporádicos de euforia ao verem a sua cidade tão bem retratada. Os leitores lisboetas mantiveram a sua auto-estima ao ler os elogios rasgados à capital alfacinha. Indivíduos com propensão para pensamentos e atitudes bairristas devem ler o livro sem reservas, uma vez que encontrarão argumentos convincentes.
Posologia
Este livro deve ser lido ao gosto e ritmo de cada leitor. Caso seja um portuense convicto pode iniciar a leitura pelos textos em que o Porto é rei, sem prejuízo do prazer absoluto da leitura. Caso seja um alfacinha empedernido pode também começar pelo Porto para melhor entender o encanto de ambas as cidades. Recomenda-se apenas a leitura continuada para um efeito acentuado de bem-estar. Como se diz no subtítulo Nunca ninguém falou tão bem de Lisboa e do Porto. Nunca ninguém falou tão mal do Porto e de Lisboa, por isso acorra à primeira livraria e leia!
Pois são. Mas estátuas de S. João em Praga, viste-as! E que nem uma! Em compensação, desloque-se o português através da Ponte de Carlos, aquela que é ícone da capital checa e está para a antiga capital dos austro-húngaros como a Torre de Belém para Lisboa, ou o Estádio do Dragão para o Porto, e... Aquilo é só estátuas lindas de um lado e de outro, que o turista admirará, se conseguir tirar os olhos do belo Vltava, o rio estreitinho (tipo Douro) que banha Praga, e se não se distrair a fixar as indígenas invariavelmente bem apessoadas, ou os moçoilos checos, altos e loiros, (consoante a orientação sexual do visitante) que por lá pululam.
E quem é que tem uma estátua na Ponte de Carlos, quem é? Ora bem: Santo António!
António Eça de Queiroz & António Costa Santos, (2008), Porto versus Lisboa, Lisboa, Guerra e Paz.
Composição
Porto versus Lisboa é um livro escrito a quatro mãos em que um lisboeta, António Costa Santos, e um portuense, António Eça de Queiroz, digladiam argumentos em favor de cada uma das cidades mais emblemáticas do país e que frequentemente se encontram envoltas em duelos bairristas.
Indicações
Este livro está indicado para todos os leitores sem excepção. Porto versus Lisboa está particularmente indicado para indivíduos que julgam já conhecer tudo sobre as cidades lusas. Se é amante de Lisboa não pode perder este livro. Se é um adepto fervoroso da Cidade Invicta não pode nem deve deixar passar em vão a possibilidade de se deleitar com as estórias curiosas e divertidas de ambas as cidades e escritas de forma bem-humorada e informativa.
Precauções
Porto versus Lisboa é muito bem tolerado por todos os indivíduos que mantenham acesa a curiosidade de saber mais sobre o Porto e sobre Lisboa. Alguns leitores portuenses observaram episódios esporádicos de euforia ao verem a sua cidade tão bem retratada. Os leitores lisboetas mantiveram a sua auto-estima ao ler os elogios rasgados à capital alfacinha. Indivíduos com propensão para pensamentos e atitudes bairristas devem ler o livro sem reservas, uma vez que encontrarão argumentos convincentes.
Posologia
Este livro deve ser lido ao gosto e ritmo de cada leitor. Caso seja um portuense convicto pode iniciar a leitura pelos textos em que o Porto é rei, sem prejuízo do prazer absoluto da leitura. Caso seja um alfacinha empedernido pode também começar pelo Porto para melhor entender o encanto de ambas as cidades. Recomenda-se apenas a leitura continuada para um efeito acentuado de bem-estar. Como se diz no subtítulo Nunca ninguém falou tão bem de Lisboa e do Porto. Nunca ninguém falou tão mal do Porto e de Lisboa, por isso acorra à primeira livraria e leia!
O Caderno
Numa edição conjunta da Editorial Caminho e a Fundação José Saramago, foi editado hoje, Dia Mundial do Livro, O Caderno. Este caderno reunirá os textos que José Saramago foi publicando no blogue O caderno de Saramago, entretanto fechado. Para quem gosta da acultilância do escritor pode agora reler em papel a sua opinião sobre assuntos da actualidade.
quarta-feira, abril 22, 2009
sexta-feira, abril 17, 2009
Leite Derramado (2)
Para quem, como eu, espera e desespera pelo novíssimo livro de Chico Buarque pode agora deliciar-se com este trecho do livro.
quinta-feira, abril 16, 2009
Bienal do Livro
Entre 17 e 26 deste mês de Abril realizar-se-á em Salvador, Bahia, Brasil, a 9ª Bienal do Livro. O certame conta com a presença de vários escritores, entre eles, Luiz Ruffato, Moacyr Scliar e Ruy Castro, e incluirá uma homenagem ao grande escritor baiano, Jorge Amado, e à sua mulher, a escritora Zélia Gattai. Um dos sítios onde gostaria de estar nos próximos tempos.
quarta-feira, abril 15, 2009
Soeiro Pereira Gomes
Das leituras que fiz enquanto aluna do Ensino Básico conta-se uma obra ímpar que me acompanhou ao longo destas décadas. O livro, que me chegou às mão através da minha professora de Português no sétimo ano de escolaridade, deixou-me marcas e a espaços ainda me lembro do tom soturno e profundamente triste de Esteiros, a história de um grupo de garotos que devido às dificuldades e desprotecção social ingressa muito cedo, demasiado cedo, no mundo laboral. A obra é um marco no neo-realismo português e uma denúncia das situações precárias daquele grupo de crianças e que não tiveram o tempo pleno de uma infância doce. O autor de Esteiros, Soeiro Pereira Gomes, faria ontem, dia 14 de Abril, cem anos. Aqui fica a homenagem singela.

Imagem daqui
terça-feira, abril 14, 2009
José Franco
Partiu hoje, aos 89 anos, o Mestre José Franco. Dono de um talento incomparável espalhou a alegria a todos os que visitavam e visitam a sua Aldeia Típica, no Sobreiro. Imagem daqui
sábado, abril 11, 2009
domingo, março 29, 2009
quarta-feira, março 25, 2009
Receita de Leitura (13) - Especial Dia Mundial da Poesia
Dose de AmostraÀ NOITE SER [MATERIAIS PARA...]
dedos quietos que crescem
pele nua
brincadeiras como o amor
pêndulo solto de sonhos
lógicas sacudidas
olhar de só-assim
modos de chegar como sementes
manobras de artesão contra o ego
desafio do «eu»
nudez de pele
de mãos
e (sob os teus olhos)
invenção de um sólido espanador de tristezas.
Ondjaki, (2009), Materiais para confecção de um espanador de tristezas, Lisboa, Caminho.
Composição
Matérias para confecção de um espanador de tristezas é o livro mais recente do jovem escritor angolano, Ondjaki, e apresenta-nos uma colectânea de poemas escritos entre 2002 e 2003, com uma imagética poderosa e aroma de paragens distantes e exóticas onde a natureza é soberana.
Indicações
Este livro está recomendado aos amantes de poesia em geral. Os apreciadores de prosa poética observaram francas melhoras com este pequeno livro. Indivíduos imaginativos e com almas nómadas sentiram um efeito redobrado de bem-estar ao viajar não só através da beleza e doçura das palavras mas também por lugares ensolarados com rios soberbos e memórias fantásticas.
Precauções
Materiais para confecção de um espanador de tristezas está altamente desaconselhado aos leitores conservadores da língua portuguesa e de formas tradicionais de poesia plenas de métricas e esquemas rimáticos. Se der por si com a pulsação acelerada e o humor alterado ao descobrir a quase ausência de rimas e uma linguagem singular deve descontinuar a leitura de imediato ou abstrair-se de que está a ler um livro de poesia. Caso o consiga, irá experimentar um alívio imediato pelo prazer da leitura sem rótulos ou géneros literários. Pontualmente registaram-se casos de indivíduos acometidos pelo desejo incontrolável de partir. Se começar a ouvir uma chuva silenciosa ou a procurar gambozinos, deixe apenas a alma voar ao encontro das paisagens do livro.
Posologia
A leitura não produz efeitos adversos. Ler faz bem às maleitas do espírito e combate a tristeza. Aproveite este Espanador para limpar as agruras que se acumulam nas estantes do dia-a-dia ou comece a confeccionar o seu próprio espanador de tristezas.
sábado, março 21, 2009
Dia Mundial da Poesia
AS MÃOS
se os dedos forem as asas da mão
se a expressão dos dedos
inexplicar o gesto da mão
se o gesto for obra esculpida
sob o suor salgado
dos dedos
e esses dedos
forem asas de outra mão
eu posso ficar preso
num poema
de curto esvoaçar
mas a mão
os dedos e os gestos
hão-de sempre
saber
voar.
Ondjaki, Materiais para confecção de um espanador de tristezas
quarta-feira, março 18, 2009
Leite Derramado (1)

Depois do êxito de Budapeste, Chico Buarque publica, no fim deste mês de Março, Leite Derramado. O livro tem cerca de 200 páginas e será publicado pela Companhia das Letras. Esperemos que a edição portuguesa não demore muito para que os fãs de Chico possam ler o livro rapidamente. Resta-nos desejar que o livro seja tão bom como Budapeste.
quarta-feira, março 11, 2009
O livreiro e as estórias
O blogue da Livraria Pó dos Livros, em Lisboa, é muito mais do um blogue de divulgação da livraria, é um sítio onde se contam estórias, as aventuras do quotidiano entregue aos livros. Segui com atenção a saga do ladrão de poesia e hoje encantei-me com este post do tempo em que se liam livros. Vale a pena todas as visitas virtuais ou reais.
ilustração: Carl Spitzweg, "The Bookworm"
quarta-feira, março 04, 2009
Materiais para a confecção de um espanador de tristezas

Sobre o mais recente livro de poesia de Ondjaki diz-nos Paulinho Assunção:
Você pode imaginar uma esquina do mundo onde Ondjaki encontra Manoel de Barros, Luandino Vieira, Guimarães Rosa, Adélia Prado, Raduan Nassar. Você pode também imaginar que essa esquina fica em Luanda, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Lisboa ou Campo Grande. Você também pode imaginar o que eu imagino ao ler este novo livro de Ondjaki. É um livro que tem um jeito de apalpar a língua como quem apalpa o dorso de um rio. Ou tem um jeito de escrever as palavras da língua como quem rumoreja sussurros para não assustá-las. E acho que o Ondjaki não tem medo de trazer para o seu livro os seus afetos todos literários. E faz bem o Ondjaki não ter medo disso porque é uma coisa muito bocó a gente esconder os afetos & as dívidas & os tributos aos que, também, como Ondjaki, gostam e gostaram de apalpar a polpa da língua como quem apalpa o dorso de uma fruta.
A não perder!
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Receita de Leitura (12)
Dose de AmostraQue querem vocês a estas horas da noite. Os homens deixaram o portão do passal e avançaram, arrastando os pés, para a outra porta. Está alguém a morrer, perguntou o cura. Todos disseram que não senhor. Então, insistiu o servo de deus, aconchegando-se melhor com a manta, Na rua não podemos falar, disse um homem. O cura resmungou. Pois se não podem falar na rua, vão amanhã à igreja, Temos de falar agora, senhor padre, amanhã poderá ser tarde, o assunto que aqui nos trouxe é muito sério, é um assunto de igreja. De igreja, repetiu o cura, subitamente inquieto, pensando que o apodrecido travejamento do tecto tinha vindo abaixo. Sim senhor, de igreja. Então entrem, entrem. Empurrou-os para a cozinha em cuja lareira esbraseavam ainda uns restos de lenha queimada, acendeu uma candeia, sentou-se num mocho e disse. Falem. Os homens olharam uns para os outros, duvidando sobre quem deveria ser o porta-voz, mas estava claro que só tinha realmente legitimidade aquele que havia dito que ia ouvir o que se estava dizendo no grupo onde se encontravam o comandante e o cornaca. Não foi preciso votar, o homem em questão tinha tomado a palavra. Senhor padre, deus é um elefante.
José Saramago, (2008), A Viagem do Elefante, Lisboa, Caminho.
José Saramago, (2008), A Viagem do Elefante, Lisboa, Caminho.
Composição
A Viagem do Elefante é o mais recente livro de José Saramago, escrito em condições de saúde muito precárias, e conta a aventura de um presente insólito que foi oferecido a Maximiliano da Áustria pelo Rei D. João III de Portugal: um elefante. Entre aventuras e desventuras a narrativa desenrola-se em torno da viagem encetada entre Lisboa e Viena.
Indicações
A leitura de A Viagem do Elefante recomenda-se a indivíduos que apreciam livros escritos num estilo peculiar e que apreciam prosas bem urdidas carregadas de metáforas e cenários imponentes de gentes diversas. Leitores que se sentem rejeitados pela prosa de José Saramago e que experimentam a solidão literária de não poderem usufruir das obras do laureado escritor português sentiram melhorias consideráveis na sua auto-estima, após constatarem que A Viagem do Elefante é de leitura rápida e acessível.
Precauções
A Viagem do Elefante está altamente desaconselhado aos guardiães zelosos de registos convencionais. Indivíduos com visão cinematográfica observaram pontualmente episódios delirantes de cenários soberbos. Foram reportados ataques de cólera em indivíduos sem capacidade de apreciar prosas idiossincráticas e críticas sociais e religiosas acutilantes. Os zelosos protectores das pontuações tradicionais devem ler este livro com muitas reservas. Caso se sintam ruborescer de fúria com a ausência de pontos de interrogação ou maiúsculas sem serem precedidas por pontos finais, de interrogação ou de exclamação devem descontinuar a leitura de imediato.
Posologia
Indivíduos excluídos da escrita saramaguiana devem iniciar a leitura com a maior brevidade possível para um efeito imediato de bem-estar. A Viagem do Elefante deve ser lido sem restrições e de mente aberta para melhor fruição.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Dia dos Crepes
Decorreu ontem na Escola mais uma edição do Dia dos Crepes, organizado pelo grupo de professores de Francês da Escola. A inicitiva contou com a colaboração dedicada dos alunos, que se empenharam não só em confeccionar os crepes mas também em vendê-los e atender a comunidade escolar. O Dia dos Crepes está quase institucionalizado na Escola e é levado a cabo em honra ao dia 2 de Fevereiro, conhecido em França por La Chandeleur, uma festividade católica. Confindencio-vos que os crepes estavam deliciosos e que valiam bem o preço, afinal tão irrisório perante um momento tão doce e agradável. Resta-nos dar os parabéns aos organizadores, às professoras Gabriela Reis e Ana Gonçalves que nos atenderam tão bem, aos alunos e esperar até para o ano.
terça-feira, fevereiro 17, 2009
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Correntes d' Escritas 2009

Estão a decorrer até ao próximo dia 14 as Correntes d'Escritas, um evento organizado pela Câmara Municipal da Póvoa do Varzim e que acolhe escritores lusófonos, brasileiros e de expressão castelhana. Este ano comemora-se a décima edição e estarão presentes, entre outros, Leonardo Padura e Karla Suaréz de Cuba, Moacyr Scliar, Luís Fernando Veríssimo, Adriana Lisboa e Eucanãa Ferraz do Brasil, Germano Almeida de Cabo Verde, Ondjaki e Luandino Vieira de Angola e Paulina Chiziane de Moçambique. De Portugal conta-se com a presença de Alice Vieira, Francisco José Vieira, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto e Nuno Júdice. Serão ainda atribuídos Prémios Literários: o Prémio Literário Casino da Póvoa , o Prémio Literário Correntes d'Escritas/Papelaria Locus, destinado a jovens entre os 15 e os 18 anos, e o Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d'Escritas/ Porto Editora, este ano em primeira edição. A não perder!
Na fotografia: Leonardo Padura
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Ler barato (4)
Pode parecer obsessão minha mas, ao darmos uma volta por uma livraria ou por qualquer outro espaço onde existam livros à venda, facilmente se verifica que os livros têm preços muitas vezes inacessíveis e proibitivos. Assim sendo é com prazer que vos apresento mais uma sugestão de livros baratos. A Leya deu continuidade à primeira colecção de livros de bolso, BisLeya, e lançou mais uma colecção. São quinze títulos diversificados que vão desde o clássico de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, até ao actualíssimo Ondjaki com Os da minha rua, passando por Florbela Espanca e Edgar Allan Poe. Aproveitem. Ler vale sempre a pena.
domingo, fevereiro 01, 2009
1000

O Jornal de Letras, o jornal de referência das Artes e Letras em Portugal, lançou no último dia 28 de Janeiro a sua milésima edição. E porque nada como sentir o papel, atreve-te e vem lê-lo na nossa Biblioteca/Centro de Recursos.
imagem daqui
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Jackson Pollock
Passam hoje, dia 28 de Janeiro de 2009, noventa e sete anos sob o nascimento de um dos mais consagrados artistas plásticos americanos da contemporaneidade, Jackson Pollock. Nasceu a 28 de Janeiro de 1912, em Cody, no Wyoming, Estados Unidos da América e, como todos os pintores e artistas que deixam a sua marca, criou uma técnica única de pintura denominda por dripping. O dripping caracteriza-se pelo gotejamento de tinta sobre a tela, criando teias multicolores. Pollock deixava as suas telas na horizontal, junto ao chão, e gotejava-as com a tinta sem utilizar pincéis e cavaletes. Esta sua originalidade rompeu com todos os cânones, granjeou-lhe fama e reconhecimento, imortalizou-o, tornando-o num dos ícones do expressionismo abstracto. Jackson Pollock teve uma vida breve e atribulada muitíssimo bem retratada no filme homónimo de 2000, realizado por Ed Harris, que também desempenha o papel principal. Morreu aos 44 anos num acidente de viação, em 11 de Agosto de 1956.
Para uma experiência diferente, cliquem aqui.
Mais sobre Jackson Pollock aqui
Ler barato (3)
Tal como já tinha noticiado aqui com as colecções anteriores, hoje trago-vos outra óptima notícia no que respeita a bons livros a óptimos preços. Desde 22 deste mês e até ao próximo dia 6 de Março, a revista Sábado publica a quarta série da Biblioteca Sábado a preços irresistíveis, um euro apenas. Saiu já o primeiro livro, o fantástico e inesquecível Mar Morto de Jorge Amado, seguem-se-lhe O Quarto Protocolo, de Frederick Forsyth, Samarcanda de Amin Maalouf, Os Filhos da Meia Noite de Salman Rushdie, As Cidades Invisíveis de Italo Calvino, Lolita de Vladimir Nabokov e Vasto Mar de Sargaços de Jean Rhys. Todas as Quintas-feiras.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
A Viagem terminada
Tal como tinha prometido, aqui estou a dar-vos novas do meu primeiro livro de 2009, A Viagem do Elefante de José Saramago. O facto de estarmos a 21 de Janeiro e de eu já ter lido o livro prova que é de leitura rápida, mais rápida do que os outros livros de Saramago que eu li, o que pode ser sempre uma vantagem. Diz-se que este será o melhor Saramago desde o Memorial do Convento. É verdade que hesitei algum tempo e duvidei desta afirmação, mas depois da leitura e após algum tempo de reflexão chego à conclusão de que as descrições pormenorizadas, quase cinematográficas, assim indicam. De resto, é um Saramago igual a ele mesmo: imaginação prodigiosa, escrita escorreita e afinada, considerações múltiplas, sarcasmo e ironia, metáforas e diálogos com o leitor. Vale a pena. Ler vale sempre a pena.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
30 anos de Xutos e Pontapés
E porque nem só de livros e leituras se vive, o post de hoje é inteiramente dedicado aos Xutos e Pontapés que comemoraram ontem três décadas de existência. Ao longo da sua longa carreira os Xutos e Pontapés têm-nos presenteado com temas inesquecíveis. Trinta anos é razão de sobra para uma celebração em grande. A banda portuguesa continua com o mesmo vigor de sempre, uns verdadeiros Rolling Stones à portuguesa. Deixo-vos com a minha preferida de sempre, o Homem do Leme. Parabéns, Xutos!
domingo, janeiro 11, 2009
A biblioteca turca
Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura 2006, apresenta a sua blilioteca:
No coração da minha biblioteca está a biblioteca do meu pai. Quando eu tinha 17 ou 18anos e comecei a dedicar a maior parte do meu tempo à leitura, devorei os volumes que o meu pai guardava na nossa sala de estar, bem como os que eu descobria nas livrarias de Istambul. Nesses tempos, se eu lesse um livro da biblioteca do meu pai e gostasse dele, levava-o para o meu quarto e colocava-o no meio dos meus livros. O meu pai, que ficava satisfeito por ver que o seu filho lia, ficava também feliz ao ver alguns dos seus livros a emigrarem para a minha biblioteca, e sempre que via um dos seus velhos livros na minha estante, brincava comigo, dizendo-me: "Ah, vejo que este volume já foi promovido a uma patente superior!"
Ler o texto integral aqui.
No coração da minha biblioteca está a biblioteca do meu pai. Quando eu tinha 17 ou 18anos e comecei a dedicar a maior parte do meu tempo à leitura, devorei os volumes que o meu pai guardava na nossa sala de estar, bem como os que eu descobria nas livrarias de Istambul. Nesses tempos, se eu lesse um livro da biblioteca do meu pai e gostasse dele, levava-o para o meu quarto e colocava-o no meio dos meus livros. O meu pai, que ficava satisfeito por ver que o seu filho lia, ficava também feliz ao ver alguns dos seus livros a emigrarem para a minha biblioteca, e sempre que via um dos seus velhos livros na minha estante, brincava comigo, dizendo-me: "Ah, vejo que este volume já foi promovido a uma patente superior!"
Ler o texto integral aqui.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Resoluções de Ano Novo
Embora não seja de resoluções de Ano Novo, elas devem ser tomadas quando é necessário e não apenas quando o novo Ano chega, este ano tomei uma decisão: LER MAIS.
O ano que passou foi um ano muito trabalhoso e, infelizmente, negligenciei um pouco as leituras. E porque as decisões não devem esperar compassos para se porem em prática, já comecei naturalmente. Depois de tantas críticas positivas decidi iniciar o ano a viajar, melhor dizendo, a acompanhar a Viagem de Salomão. Assim que acabar dar-vos-ei notícias.
O ano que passou foi um ano muito trabalhoso e, infelizmente, negligenciei um pouco as leituras. E porque as decisões não devem esperar compassos para se porem em prática, já comecei naturalmente. Depois de tantas críticas positivas decidi iniciar o ano a viajar, melhor dizendo, a acompanhar a Viagem de Salomão. Assim que acabar dar-vos-ei notícias.
sexta-feira, janeiro 02, 2009
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Christmas Life
If you don't have a real tree you don't bring the Christmas life into the house." Josephine Mackinnon, aged 8
The Christmas life
Bring in a tree, a young Norwegian spruce,
Bring hyacinths that rooted in the cold.
Bring winter jasmine as its buds unfold -
Bring the Christmas life into this house.
Bring red and green and gold, bring things that shine,
Bring candlesticks and music, food and wine.
Bring in your memories of Christmas past.
Bring in your tears for all that you have lost.
Bring in the shepherd boy, the ox and ass,
Bring in the stillness of an icy night,
Bring in the birth, of hope and love and light.
Bring the Christmas life into this house.
The Christmas life
Bring in a tree, a young Norwegian spruce,
Bring hyacinths that rooted in the cold.
Bring winter jasmine as its buds unfold -
Bring the Christmas life into this house.
Bring red and green and gold, bring things that shine,
Bring candlesticks and music, food and wine.
Bring in your memories of Christmas past.
Bring in your tears for all that you have lost.
Bring in the shepherd boy, the ox and ass,
Bring in the stillness of an icy night,
Bring in the birth, of hope and love and light.
Bring the Christmas life into this house.
Wendy Cope
Para ouvir Wendy Cope a declamar o poema clicar aqui.
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Receita de Leitura (11)
Dose de AmostraGabriela encolheu-se, perdida. Por que seu Nacib se zangara? Estava zangado, virado de costas, sem tocá-la sequer. Sentia falta do peso de sua perna na anca. E dos carinhos habituais, da festa no leito. Estaria zangado por Tuísca ter-se contratado de artista sem consultá-lo? Tuísca era parte do bar, ali tinha sua caixa de engraxate, ajudava nos dias de muita freguesia. Não era com Tuísca, não, que ele estava zangado. Era com ela. Não a queria no circo, por quê? Queria levá-la pra ouvir doutor na sala grande da intendência. Gostava não! No circo podia ir com os velhos sapatos onde cabiam seus dedos esparramados. Na intendência tinha de ser vestida de seda, de sapato novo, apertado. Toda aquela lordeza reunida, aquelas mulheres que a olhavam de cima, que riam dela. Gostava não. Por que seu Nacib fazia tanta questão? No bar ele não a queria, tanto ela gostava de ir... Tinha ciúmes, era engraçado. Não ia mais, fazia a vontade, não queria ofendê-lo, tomava cuidado. Mas por que obrigá-la a fazer tanta coisa sem graça, enjoada?
Jorge Amado, (2001), Gabriela, Cravo e Canela, (1ª edição 1958) Rio de Janeiro, Record.
Composição
Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado é um dos romances indispensáveis de grande escritor baiano e uma obra fundamental para quem quiser mergulhar na Bahia. O romance comemora este ano o seu cinquentenário de publicação e contém princípios activos de grande efeito sobre os amantes da leitura e da vida: amor, desejo, poder, traição, vingança.
Indicações
Este livro está indicado para todos os que se maravilharam com Gabriela, a primeira telenovela brasileira a ser exibida em Portugal. O livro oferece uma viagem mais profunda e densa que não ficou esgotada na versão televisiva. Indivíduos que não viram a telenovela devem ler este livro, sob pena de perderem uma das prosas mais sensuais da literatura de expressão portuguesa. É muito bem tolerado por quem gosta de viajar no tempo, tem ao seu dispor Ilhéus nas primeiras décadas do século XX, e para quem gosta de outras paragens, Ilhéus espera-o. Ainda resiste a esta viagem?
Precauções
Gabriela, Cravo e Canela está desaconselhado a leitores sugestionáveis capazes de sentir o aroma do cravo de Gabriela. Se experimentar uma vontade imperiosa de ajustar contas com os Coronéis deve parar a leitura. Pode sentir ocasionalmente as personagens a chamarem-no. Respire fundo, são só personagens. Indivíduos lineares ou moralistas podem ser acometidos episódios de ansiedade, o romance é rico em assuntos, personagens e perspectivas, sempre envolto numa prosa apaixonante.
Outras apresentações
Para um efeito melhorado sugere-se a leitura posterior de outras obras do mesmo autor. Atire-se sem receio a Capitães da Areia ou conheça Iemanjá, a Senhora dos Mares, em Jubiabá ou Mar Morto. Caso se mantenha o entusiasmo, passeie-se nas páginas de Zélia Gattai, mulher do escritor.
Jorge Amado, (2001), Gabriela, Cravo e Canela, (1ª edição 1958) Rio de Janeiro, Record.
Composição
Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado é um dos romances indispensáveis de grande escritor baiano e uma obra fundamental para quem quiser mergulhar na Bahia. O romance comemora este ano o seu cinquentenário de publicação e contém princípios activos de grande efeito sobre os amantes da leitura e da vida: amor, desejo, poder, traição, vingança.
Indicações
Este livro está indicado para todos os que se maravilharam com Gabriela, a primeira telenovela brasileira a ser exibida em Portugal. O livro oferece uma viagem mais profunda e densa que não ficou esgotada na versão televisiva. Indivíduos que não viram a telenovela devem ler este livro, sob pena de perderem uma das prosas mais sensuais da literatura de expressão portuguesa. É muito bem tolerado por quem gosta de viajar no tempo, tem ao seu dispor Ilhéus nas primeiras décadas do século XX, e para quem gosta de outras paragens, Ilhéus espera-o. Ainda resiste a esta viagem?
Precauções
Gabriela, Cravo e Canela está desaconselhado a leitores sugestionáveis capazes de sentir o aroma do cravo de Gabriela. Se experimentar uma vontade imperiosa de ajustar contas com os Coronéis deve parar a leitura. Pode sentir ocasionalmente as personagens a chamarem-no. Respire fundo, são só personagens. Indivíduos lineares ou moralistas podem ser acometidos episódios de ansiedade, o romance é rico em assuntos, personagens e perspectivas, sempre envolto numa prosa apaixonante.
Outras apresentações
Para um efeito melhorado sugere-se a leitura posterior de outras obras do mesmo autor. Atire-se sem receio a Capitães da Areia ou conheça Iemanjá, a Senhora dos Mares, em Jubiabá ou Mar Morto. Caso se mantenha o entusiasmo, passeie-se nas páginas de Zélia Gattai, mulher do escritor.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Mercados de Natal
Algures entre os finais de Novembro e o início de Dezembro surgem nos países de expressão alemã, nomeadamente Alemanha e Áustria, e em outros países da Europa Central e de Leste, Mercados de Natal. Na Alemanha, por exemplo, cada uma das cidades, vilas e aldeias tem um Mercado de Natal que variará de acordo com as dimensões da terra que o acolhe. Os de Munique e de Nuremberga são os mais famosos e chamam muitos turistas às cidades.
Muito populares, eles oferecem a oportunidade de conviver com os amigos. É comum verem-se grupos de pessoas a confraternizar, entreter os sentidos com as iguarias tradicionais e doçaria típica e a fazer compras. A oferta é variada, porém, não podem faltar decorações de natal artesanais feitas de produtos naturais entre os quais se destacam canela e cravinho e que libertam um aroma quente e adocicado, o contributo precioso para o ambiente natalício e o antídoto contra o frio cortante que se faz sentir.
A acompanhar a doçaria é obrigatório, não há Mercado de Natal sem ele, beber um vinho quente aromatizado com especiarias. Na Alemanha chama-se Glühwein e é muitíssimo popular. Para os abstémios ou para as crianças existem ponches quentes à disposição. Posso garantir-vos que são absolutamente deliciosos e obrigatórios.
Nenhuma destas experiências natalícias está completa sem música. Assim cada um dos Mercados, tem um programa específico, onde actuam grupos corais ou de instrumentos para dar o toque especial de magia à quadra.
Passear pelos Mercados é uma experiência muito curiosa e uma explosão de cor, regra geral, proveniente das decorações de Natal em exposição nas bancas.
E tudo assim fica até dia 24 de Dezembro. Depois dessa data só nos resta esperar para o ano seguinte. Até lá entretenham-se com um passeio entre as bancas, ao som da música de Natal, bebendo um Glühwein.
Muito populares, eles oferecem a oportunidade de conviver com os amigos. É comum verem-se grupos de pessoas a confraternizar, entreter os sentidos com as iguarias tradicionais e doçaria típica e a fazer compras. A oferta é variada, porém, não podem faltar decorações de natal artesanais feitas de produtos naturais entre os quais se destacam canela e cravinho e que libertam um aroma quente e adocicado, o contributo precioso para o ambiente natalício e o antídoto contra o frio cortante que se faz sentir.
A acompanhar a doçaria é obrigatório, não há Mercado de Natal sem ele, beber um vinho quente aromatizado com especiarias. Na Alemanha chama-se Glühwein e é muitíssimo popular. Para os abstémios ou para as crianças existem ponches quentes à disposição. Posso garantir-vos que são absolutamente deliciosos e obrigatórios.
Nenhuma destas experiências natalícias está completa sem música. Assim cada um dos Mercados, tem um programa específico, onde actuam grupos corais ou de instrumentos para dar o toque especial de magia à quadra.
Passear pelos Mercados é uma experiência muito curiosa e uma explosão de cor, regra geral, proveniente das decorações de Natal em exposição nas bancas.
E tudo assim fica até dia 24 de Dezembro. Depois dessa data só nos resta esperar para o ano seguinte. Até lá entretenham-se com um passeio entre as bancas, ao som da música de Natal, bebendo um Glühwein.
sexta-feira, dezembro 12, 2008
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Cem anos...
Aqui ficam os Parabéns ao Manoel de Oliveira pelo seu centenário com muitos filmes e cheios de vida.
Alçada Baptista

A notícia já não é nova mas não podemos deixar de assinalar aqui a partida de António Alçada Baptista. Jornalista e escritor, homem de afectos, "escritor de afectos" como gostava de se intitular, partiu no Domingo, dia 7 de Dezembro, aos 81 anos. Deixa muitos livros e a saudade de quem privou com o escritor. Aqui resta-nos a homenagem possível, a melhor que se pode fazer a um escritor, o desejo que a sua obra seja sempre lida. Até sempre.
Imagem: daqui
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Um ano de Bibliotecário
Aqui no De Mês em Quando comemoram-se discretamente efémerides, assinalam-se datas e ocasiões festivas. Desta vez a ocasião não é um Prémio Literário, o aniversário de um escritor ou qualquer outra data comemorativa. Hoje comemora-se um ano de Bibliotecário de Babel. Um blogue muito bem escrito, onde não faltam nunca notícias fresquinhas deste mundo dos livros e escritores, só pode ser comemorado. Aqui ficam os Parabéns e os desejos de que venham mais anos.
Sugestões de leitura
Com o Natal aqui tão perto, trago-vos hoje uma sugestão de leitura ou de presente, os livros são sempre óptimos presentes de natal. Desta feita trago-vos um livro inovador, não tenho conhecimento de que tenha sido escrito algo assim antes. Trata-se de Porto versus Lisboa, escrito a quatro mãos por um lisboeta, António Costa Santos, e um habitante do Porto, António Eça de Queiroz. Os Antónios, um de Lisboa e outro do Porto, juntaram-se e deste encontro - ou deverei dizer duelo?- nasceu um livro muito bem escrito, não há livros, no verdadeiro sentido do termo, se não forem bem escritos, muito bem disposto, bem humorado e muito informativo. Recomendo vivamente. Eu já li e também vou oferecer outro. De que é que está à espera?
terça-feira, dezembro 09, 2008
Le Clézio em destaque
Este mês temos, em grande destaque, no placard dinamizado pela patrona da Biblioteca, o mais recente Prémio Nobel da Literatura, Le Clézio. Se passarem por aqui não percam, é uma maneira belíssima de nos informarmos. A espera na fila da reprografia deixou de ser uma maçada, desde os placards coloridos, há já uns anos, portanto, e passou a ser um prazer. Já cá passaram Prémios Nobel da Literatura, Prémios Camões e outros escritores que, sem Prémios e galardões, continuam a fazer as delícias dos amantes da leitura e bibliófilos. Caso não tenha de esperar pelas fotocópias, pode sempre aparecer. Vai ver que vale a pena. A literatura é como o saber, não ocupa lugar.
foto: minha
quarta-feira, novembro 26, 2008
Receita de leitura (10)
Dose de AmostraEncantar-te-ás com poetas até conheceres um.
Com calças de poeta, camisa de poeta e casaco
de poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.
As pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes. Querem
falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.
Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
São sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,
passam entre as gotas de chuva. Não por serem
mágicos, ou por serem magros, mas por serem parvos.
A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.
José Luís Peixoto, (2008), Gaveta de Papéis, Vila Nova de Famalicão, Quasi.
Composição
Gaveta de Papéis de José Luís Peixoto é o mais recente livro de poesia do jovem escritor. Foi galardoado com o Prémio Daniel Faria 2008 e apresenta uma composição original e inédita, como se abríssemos uma gaveta recheada de memórias, lugares e até desenhos.
Indicações
Recomenda-se a leitura de Gaveta de Papéis aos aventureiros da língua portuguesa e aos apreciadores de poesia em geral. Indivíduos ousados sentiram francas melhoras no seu estado anímico. Os amantes de poesia observaram pontualmente o êxtase da linguagem poética e o bem-estar da musa da poesia a descer sobre eles ou a sussurrar-lhe aos ouvidos.
Precauções
Indivíduos austeros e lineares podem sentir-se esporadicamente irritados com a(s) liberdade(s) poéticas do escritor. Se começar a procurar rimas e métricas deve descontinuar a leitura de imediato. Indivíduos criativos e ansiosos por experiências de leitura inovadoras podem ter ímpetos de vasculhar as suas próprias gavetas à procura da poesia oculta. Deve continuar a procurar, se for muito criativo, ou parar de imediato, caso sinta que pode ser um José Luís Peixoto. Ninguém pode.
Posologia
Desconhecem-se efeitos nocivos da leitura. Ler é um estimulante poderoso da imaginação e fantasia, tem efeitos benévolos sobre a capacidade de sorrir perante as adversidades e constitui um antídoto eficaz no combate à rotina.
Outras apresentações
Se observou melhoras com Gaveta de Papéis, aventure-se com outro livro de poesia do mesmo autor, A Criança em Ruínas, ou na prosa, de leitura igualmente gratificante. Faça o que fizer, importante é mesmo ler.
domingo, novembro 23, 2008
quinta-feira, novembro 20, 2008
quarta-feira, novembro 05, 2008
O Arquipélago da Insónia
Mais do que um booktrailer. Imprescindível para todos os que se interessam por António Lobo Antunes.
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