Paula Rego, "Uivando".
segunda-feira, março 08, 2010
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Correntes d' Escritas 2010
Pelo décimo primeiro ano consecutivo a Póvoa do Varzim acolhe o grande evento literário Correntes d' Escritas. A lista de participantes inclui escritores de várias nacionalidades e línguas e o programa é completo, como sempre, com lançamento de livros. palestras, actividades em escolas, mesas-redondas e ainda uma feira do livro. Um verdadeiro marco na agenda literária do país.
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Rescaldos
Tal como já tinha comunicado dois posts abaixo, dia 9 de Fevereiro, pela tarde, tivemos a visita de Jorge Vadio, acompanhado de João Mouzinho na percussão e de João André no acordeão. Foi sem dúvida uma momento alto desta semana de comemoração do Santo amoroso, mas, como se pode ver pelas fotografias, também houve mais uma vez, tal como ao longo da semana, participação de alunos e professores. Resta-nos esperar para o ano para que se repita o encanto.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Receita de Leitura (20)
Dose de Amostra
Uma noite, há uns dez anos, abri a porta de um elevador, no prédio em que vivo, e descobri duas minúsculas camas arrumadas, com grande esforço, no seu interior. Pendurada numa das paredes havia uma imagem da Virgem Maria, dragão aos pés, e do lado oposto uma fotografia colorida do rapper 50Cent, em tronco nu, pesada cruz de ouro a pender-lhe do largo pescoço de boi, apontando uma pistola à cabeça da Virgem Maria. Estendidos na cama estavam dois rapazes idênticos, muito, muito pequenos, um deles em bermudas de linho cru, bela camisa do tipo havaiana, e o outro envergando um elegante fato azul-escuro, camisa rosa, fina gravata negra. Cumprimentei-os estupefacto:
- Perdão - consegui dizer. - Isto não é um ascensor?
O jovem de fato azul sorriu-me com deferência:
- Foi, sim, meu pai. Agora é habitação.
O outro corroborou, divertido:
- Antigamente subia e descia. Actualmente só desce. Podemos chamar-lhe um descensor. Uma máquina concebida para aqueles que pretendam descer na vida.
José Eduardo Agualusa, (2009), Barroco Tropical, Lisboa, Dom Quixote.
Composição
Luanda, 2020. Bartolomeu Falcato, cineasta e escritor, e a sua amante Kianda, uma cantora de gabarito internacional presenciam uma cena inédita numa noite de tempestade tropical: uma mulher nua, negra e de braços abertos, cai do céu. E seguem-se páginas intensas numa realidade distópica, entre o absurdo e o abismo, na tentativa de desvendar o mistério. Que Luanda é aquela?
Indicações
Barroco Tropical está indicado para todos os leitores curiosos e ávidos de conhecer realidades díspares e distantes. Os amantes de prosas imaginativas, com laivos de fantasia ficaram globalmente satisfeitos pelas aventuras fantásticas de Luanda em 2020. Leitores atentos e socialmente preocupados encontraram nestas páginas a inquietação emanante de todos os textos poderosos e de todas as realidades prenhes de injustiça.
Precauções
Barroco Tropical deve ser lido com precaução por indivíduos românticos à procura dos pores-do-sol nostálgicos da Baía de Luanda. Nestas páginas não há concessões à felicidade perdida nem esperança numa harmonia vindoura. Os amantes de prosas simples sentiram alguma dificuldade em seguir o percurso das personagens em número superlativo e ficaram pontualmente petrificados com o Medo. Leitores inquietos experimentaram o fervilhar de uma cidade dividida entre ricos e pobres. Deve abrandar a leitura caso se sinta a subir à Termiteira ou à procura do Centro de Saúde Mental Tata Ambroise. Os amantes da leitura em geral sentiram a satisfação de estar perante um bom livro, cujas páginas perduram mesmo depois de devolvidos à estante.
Outras apresentações
Se José Eduardo Agualusa passou a fazer parte dos seus escritores preferidos, não hesite e procure outras leituras. O escritor é profícuo e possui uma vasta obra em que mostra também a sua faceta de contista. Ler vale sempre a pena. Ler liberta a alma.
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Love is in the air
Há que estar atento, muito atento, porque o Dia de São Valentim está aí mesmo a chegar. Embora possa ser visto como mais uma manobra de consumismo desenfreado, pode também ser olhado como uma oportunidade de cantar o Amor. Quer queiramos quer não é este sentimento indefinível que faz girar o Mundo. E haverá melhor maneira de o festejar do que com palavras? Pois é isso mesmo que vai ser celebrado na nossa Biblioteca. De 9 a 12 de Fevereiro irão ser lidos textos em Português, Inglês, Alemão e Francês alusivos ao tema e no dia 9 pela tarde recebemos ainda a visita de Jorge Vadio, um filho da terra, com leitura de textos do Professor Adriano Alcântara. Aparece! E ainda uma sugestão: se queres fugir ao consumismo oferece palavras. Mais baratas que uma caixa de bonbons mas infinitamente mais doces no coração.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Captain of my soul
A história é comovente, tão comovente que quase parece ficção. Um líder político, presidente de um país a braços com a reconciliação do seu povo, separado durante 42 anos por um regime vil de segregação racial, um desporto reservado à minoria africânder e desprezado pela maioria negra, símbolo do país oprimido e dividido, e a tentativa de harmonizar as diferenças, apagar cores e construir uma identidade colectiva através desse mesmo desporto, o dealbar de uma nação unida. Esta estratégia de uma raríssima inteligência e intuição catapulta para a ribalta o capitão de equipa que a pedido do Presidente eleva os Springboks e, com eles, a nação, gritando em uníssono por um mesmo objectivo. Negros e brancos finalmente unidos. Nada seria igual dali para a frente. Se juntarmos a este argumento baseado no livro de John Carlin, Playing the enemy – Nelson Mandela and the game that made a nation, a realização de Clint Eastwood, Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon como François Pienaar, o capitão da equipa nacional de râguebi, Springboks, obtemos um filme intenso, com momentos comoventes e empolgantes e a sensação de sermos mais um dos espectadores em Ellis Park a torcer pelos Springboks, sabendo secretamente que torcemos pela igualdade de direitos, pela reconciliação e pelos ideais de liberdade tantas vezes apregoados e outras tantas esquecidos. Martin Luther King orgulhar-se-ia do sonho realizado, o muro das diferenças derrubado não por decreto mas pela comunhão de um mesmo pulsar. E assim, uma nova alma e um novo país.
E diz-se por aí que Invictus não será o melhor filme de Clint Eastwood, depois de Million Dollar Baby e de Gran Torino, mas Invictus é certamente um filme belíssimo, sustentado pelo desempenho sóbrio e inexcedível de Morgan Freeman e Matt Damon. As cenas do jogo de râguebi são de uma rara beleza e mesmo sabendo da História que os Springbocks venceram os All Blacks naquele 24 de Junho de 1995, continuamos suspensos e vibramos na expectaiva da vitória, metáfora de esperança de um país que consegue finalmente gritar pelo mesmo ideal, um nós que substitui o eles proferido e praticado ao longo de quatro décadas de segregacionismo bóer. E Invictus de William Ernest Henley que perdura no ouvido It matters not how strait the gate/ How charged with punishments the scroll/ I am the master of my fate:/ I am the captain of my soul.
E diz-se por aí que Invictus não será o melhor filme de Clint Eastwood, depois de Million Dollar Baby e de Gran Torino, mas Invictus é certamente um filme belíssimo, sustentado pelo desempenho sóbrio e inexcedível de Morgan Freeman e Matt Damon. As cenas do jogo de râguebi são de uma rara beleza e mesmo sabendo da História que os Springbocks venceram os All Blacks naquele 24 de Junho de 1995, continuamos suspensos e vibramos na expectaiva da vitória, metáfora de esperança de um país que consegue finalmente gritar pelo mesmo ideal, um nós que substitui o eles proferido e praticado ao longo de quatro décadas de segregacionismo bóer. E Invictus de William Ernest Henley que perdura no ouvido It matters not how strait the gate/ How charged with punishments the scroll/ I am the master of my fate:/ I am the captain of my soul.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Livros novos
valter hugo mãe, uma das minhas melhores surpresas em termos literários de 2009, lançou recentemente o seu último livro. Intitula-se a máquina de fazer espanhóis, versa sobre a velhice e promete ser mais um êxito. O lançamento será feito no Porto e em Lisboa no próximo mês de Fevereiro.
Para aguçar o apetite aqui fica um trrecho desta máquina. Boa leitura:
com a morte, também o amor devia acabar. acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder. foi como se me dissessem, senhor silva, vamos levar-lhe os braços e as pernas, vamos levar-lhe os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, mas não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante. caí sobre a cama e julguei que fui caindo por horas, rostos e mais rostos colocando-se diante de mim, e eu por ali abaixo, caindo, sem saber de nada. quando, por fim, me levantei, estava a anos-luz do homem que reconheceria, e aprender a sobreviver aos dias foi como aceitar morrer devagar, violentamente devagar, à revelia de tudo quanto me parecia menos cruel. e a natureza, se do meu coração não se esvaziou o amor pela laura, estaria numa aniquilação imediata para mim também, poupando-me à miséria de ver o sol que arde sem respeito por qualquer tragédia.
fica-se muito zangado como pessoa. não se criem dúvidas acerca disso. fica-se zangado e deseja-se aos outros pouco bem, e o mal que lhes pode acontecer é-nos indiferente ou, mais sinceramente, até nos reconforta, isso sim, como um abraço de embalo, para que não se ponham por aí a arder como o sol e, sobretudo, não nos falem com uma alegriazinha ingénua, de tempo contado, e nos façam perceber o quanto éramos também ingénuos e nunca nos preparáramos para a derrocada de todas as coisas. nunca nos preparamos para a realidade. passamos a ser cidadãos terrivelmente antipáticos, mesmo que façamos uma gestão inteligente desse desprezo que alimentamos crescendo. e só não nos tornamos perigosos porque envelhecer é tornarmo-nos vulneráveis e nada valentes, pelo que enlouquecemos um bocado e somos só como feras muito grandes sem ossos, metidas dentro de sacos de pele imprestáveis que já não servem para nos impor verticalidade nem nas mais pequenas batalhas.
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Receita de Leitura (19)
Dose de Amostra
No momento da partida, todos lá em casa choravam. Menos eu e a Olga. Não devia ser pelas mesmas razões. Olga nunca chorava, mesmo ao se queimar acendendo o fogo, ou se um espinho lhe rasgava a carne. Era uma moça dura, feita para mulher de colono de chitaca, obrigada a partir pedras e a desenterrar árvores seculares. Eu tinha vontade de chorar, mas os olhos estavam secos, cheios de visões de desertos. Antevia coisas? Sabia, a vida nunca mais seria igual. Acontecesse o que acontecesse, era um passo definitivo, um mudar de página. Há gente que não se apercebe de quebras de tempo ou de espaço. Ou de vida. Ali estava uma fenda tão grande como a Tundavala. Mas era uma fenda na minha vida. Adivinhava. Por isso os olhos secos. Lagrima-se quando um acontecimento tapa a visão, a dor domina o cérebro, as barreiras permanecem obscurecendo tudo. Então as águas saem, se soltam na escuridão. Quando uma pessoa adivinha o que está para vir, os olhos desfilam sobre desertos, pedras, planuras, florestas ou estepes, pinturas pontilistas, aquilo que se sabe estar perdendo corre mais rápido que o tempo. Sensação de perda, olhos na planície ondulando.
Pepetela, (2009), O Planalto e a Estepe , Lisboa, Dom Quixote.
Composição
O Planalto e a Estepe é um livro poderoso baseado em factos verídicos com princípios activos potenciadores de sensações fortes. Um estudante angolano e uma jovem mongol perdem-se de amores na Rússia comunista ultrapassando barreiras culturais. O mais recente livro do conceituado escritor angolano contém um amor proibido, racismo e preconceito, separação, sofrimento e redenção. Anos e mundos que afastam os protagonistas. Entre países e culturas, vencerá o amor?
Indicações
Recomenda-se a leitura de O Planalto e a Estepe a todos os amantes da leitura sem restrições. Os amantes da literatura lusófona experimentaram sensações de bem-estar. Leitores com gosto por prosas alicerçadas em factos históricos foram vistos a confirmar a objectividade da História nas páginas sofridas desta prosa. Viajantes encontraram conforto neste périplo que percorre continentes.
Precauções
Leitores românticos sentiram com frequência o coração a bater mais forte e uma lágrima teimosa a surgir. Continue a leitura neste caso, o amor tudo vence. Os fervorosos defensores do regime comunista da União Soviética devem ler este livro com restrições. Caso se sintam ruborizar de raiva devem suspender a leitura. Indivíduos defensores dos direitos humanos foram vistos com frequência de dedo em riste na defesa dos mesmos. A leitura não deve ser descontinuada. Em todas as situações a sintomatologia desvaneceu-se com o prazer da leitura. Leia sempre.
Outras apresentações
Se O Planalto e a Estepe lhe agradou mergulhe na obra vasta de Pepetela para outros registos e assuntos. Ler não tem contra-indicações.
quinta-feira, janeiro 07, 2010
Feliz Ano Novo
E aos sete dias de Janeiro de dois mil e dez, eis que o De mês em Quando renasce. Depois de um interregno, cá estamos para mais livros, leituras, imagens, poemas. Aqui ficam os desejos de um óptimo 2010 para todos. Pela minha parte desejo ardentemente que acabem as obras na nossa escola para que possamos também ter uma Biblioteca nova. Até lá há que manter o optimismo. Um bom 2010 então.
quinta-feira, dezembro 24, 2009
quinta-feira, dezembro 17, 2009
A Christmas Poem
At Christmas little children sing and merry bells jingle,
The cold winter air makes our hands and faces tingle
And happy families go to Church and cheerly they mingle
And the whole business is unbelievable dreadful, if you’re single
Wendy Cope, (2008), Two Cures for Love, London, Faber and Faber
sábado, dezembro 12, 2009
sexta-feira, dezembro 04, 2009
O Dia da Morte de Fernando Pessoa...
foi comemorado na nossa Escola. Ora espreitem aqui. O Diogo esteve muito bem. Parabéns pela iniciativa.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Leituras
Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura), collorfobia (medo do que ele vai nos aprontar agora) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia (medo do número treze), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insónia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve, já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham «Frio» e «Quente» escritos por extenso, para saciar minha sede de letras, já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri a lista telefónica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.
Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insónia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência - e uma mensagem positiva. Recomendo «Génesis» pelo ímpeto narrativo, «O cântico dos cânticos» pela poesia e «Isaías» e «João» pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
Luis Fernando Veríssimo, "Fobias" in Comédias para se ler na Escola.
Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insónia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência - e uma mensagem positiva. Recomendo «Génesis» pelo ímpeto narrativo, «O cântico dos cânticos» pela poesia e «Isaías» e «João» pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
Luis Fernando Veríssimo, "Fobias" in Comédias para se ler na Escola.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
75 anos da Mensagem
O MOSTRENGO
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»
Fernando Pessoa
Comemoraram-se ontem 75 anos da publicação da Mensagem de Fernando Pessoa,
um dos textos mais emblemáticos sobre a alma portuguesa
terça-feira, dezembro 01, 2009
segunda-feira, novembro 30, 2009
Sugestões
Dizia Álvaro de Campos que "a melhor maneira de viajar é sentir". Embora seja mais adepta da viagem que implica a deslocação física entre um e outro ponto, admito que há muita verdade na afirmação. Não há viagem sem sentimentos e sem sentir tudo, muito, intensamente. Talvez inspirada por este e outros aforismos ou afirmações, surgiu o livro ideal para os amantes da leitura, de Fernando Pessoa em especial e de viajar. O Livro de Viagem reúne textos do poeta português sobre a mesma temática: a viagem. Podem encontrar-se excerptos de Fernando Pessoa ortónimo, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Estou mesmo tentada a escrever uma cartinha ao velhote das barbas brancas para ver se ele se lembra de me deixar este livro no sapatinho. E ainda: cumprem-se hoje 74 anos sobre a morte de Fernando Pessoa. Tinha apenas 47 anos quando partiu.
sexta-feira, novembro 27, 2009
Dia de Acção de Graças
Norman Rockwell, "Freedom from want" (1943)
O Dia de Acção de Graças é um dos feriado mais intensamente comemorado nos Estados Unidos da América. Celebra a primeira colheita que foi feita após a chegada dos colonos à e que só foi possível com a colaboração dos Índios.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Receita de Leitura (18)
Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. Você vai usar o vestido e o véu da minha mãe, e não falo assim por estar sentimental, não é por causa da morfina. Você vai dispor dos rendados, dos cristais, da baixela, das jóias e do nome da minha família. Vai dar ordens aos criados, vai montar no cavalo da minha antiga mulher. E se na fazenda ainda não houver luz eléctrica, providenciarei um gerador para você ver televisão. Vai ter também ar condicionado em todos os aposentos da sede, porque na baixada hoje em dia faz muito calor. Não sei se foi sempre assim, se meus antepassados suavam debaixo de tanta roupa. Minha mulher, sim, suava bastante, mas ela já era de uma nova geração e não tinha a austeridade da minha mãe. Minha mulher gostava de sol, voltava sempre afogueada das tardes no areal de Copacabana. Mas nosso chalé em Copacabana já veio abaixo, e de qualquer forma eu não moraria com você na casa de outro casamento, moraremos na fazenda da raiz da serra. Vamos nos casar na capela que foi consagrada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro em mil oitocentos e lá vai fumaça. Na fazenda você tratará de mim e de mais ninguém, de maneira que ficarei completamente bom. E plantaremos árvores, e escreveremos livros, e se Deus quiser ainda criaremos filhos nas terras de meu avô.
Chico Buarque, (2009), Leite Derramado, Lisboa, Dom Quixote.
Composição
Leite Derramado contém princípios activos potencialmente causadores de incómodo: um homem centenário, a braços com a sua memória, falido e doente em estado terminal num hospital modesto. E é neste estado que o outrora garboso e bem sucedido Eulálio d’Assumpção reconta a sua vida num longo monólogo. Através dele assistimos a dois séculos de transformações políticas e sociais e ao desenrolar das vidas de várias gerações d’Assumpção que se despenham do seu estatuto privilegiado para aterrar na decadência. E a Matilde. Matilde que perpassa o texto. Quem será Matilde?
Indicações
Recomenda-se a leitura de Leite Derramado a todos os amantes da leitura. Indivíduos que tenham seguido a escrita do grande músico brasileiro devem ler o livro sem quaisquer restrições. Os amantes da literatura brasileira experimentaram sensações de regozijo. Leitores com forte pendor histórico observaram sensações gerais de bem-estar. Leitores fervorosos da arquitectura sentiram o apelo de confirmar no Rio de Janeiro as metamorfoses urbanísticas da Cidade Maravilhosa. Leitores românticos foram vistos à procura de Matilde e outros curiosos a espreitar a última casa de Eulálio nos fundos de uma Igreja Evangélica.
Precauções
Indivíduos preconceituosos em relação à velhice não devem ler este livro sob pena de serem traídos por Eulálio d’Assumpção. Astuto e bem-falante o centenário não poupa no pedantismo nem dá tréguas aos seus interlocutores. Caso seja sugestionável e comece a sentir um desejo miudinho de verificar in loco o relato do velho d’Assumpção deve descontinuar a leitura ou poderá acordar na Cidade Maravilhosa na senda do casarão de Botafogo. Indivíduos familiarizados com sagas familiares de decadência experimentaram pontualmente ansiedade e ocasionalmente identificação com o velho Eulálio d’Assumpção.
Outras apresentações
Se gostou de Leite Derramado aventure-se nos outros três romances de Chico Buarque. Ler não tem contra-indicações. Quanto mais, melhor.
domingo, novembro 22, 2009
Direitos das Crianças
No passado dia 20 comemoraram-se 20 anos sobre a Declaração dos Direitos da Criança. Que este dia não seja nunca esquecido e que mais do que uma efémeride seja uma prática diária de respeito, protecção e carinho.
segunda-feira, novembro 09, 2009
quinta-feira, novembro 05, 2009
Ler barato (5)
Cada vez há menos desculpas para não ler. Depois das colecções da Revista Sábado, eis que surge agora uma outra oportunidade com a revista "Visão" e com o jornal "Expresso". De 29 de Outubro a 5 de Dezembro vão sair obras de jornalistas que se aventuraram na ficção, quem sabe se saturados com tanta realidade, exactidão e rigor exigidas pela escrita jornalística. Rodrigo Guedes de Carvalho foi o primeiro com A Casa Quieta, seguem-se-lhe Clara Ferreira Alves, já nesta semana, Fernando Dacosta, Inês Pedrosa, Henrique Monteiro e Mário Zambujal. O preço? Três euros e noventa cêntimos apenas. Aventurem-se. Ler faz sempre bem e agora até é barato.
quinta-feira, outubro 29, 2009
Receita de Leitura (17)
Dose de Amostra
Ao fim do dia, o velho se recostava na cadeira da varanda. E era assim todas as noites: me sentava a seus pés, olhando as estrelas no alto do escuro. Meu pai fechava os olhos, a cabeça meneando para cá e para lá, como se um compasso guiasse aquele sossego. Depois, ele inspirava fundo e dizia:
— Este é o silêncio mais bonito que escutei até hoje. Lhe agradeço, Mwanito.
Ficar devidamente calado requer anos de prática. Em mim, era um dom natural, herança de algum antepassado. Talvez fosse legado de minha mãe, Dona Dordalma, quem podia ter a certeza? De tão calada, ela deixara de existir e nem se notara que já não vivia entre nós, os vigentes viventes.
— Você sabe, filho: há a calmaria dos cemitérios. Mas o sossego desta varanda é diferente.
Meu pai. A voz dele era tão discreta que parecia apenas uma outra variedade de silêncio. Tossicava e a tosse rouca dele, essa, era uma oculta fala, sem palavras nem gramática.
Ao longe, se entrevia, na janela da casa anexa, uma bruxuleante lamparina. Por certo, meu irmão nos espreitava. Uma culpa me raspava o peito: eu era o escolhido, o único a partilhar proximidades com o nosso eterno progenitor.
Mia Couto, (2009), Jesusalém, Caminho.
Composição
Jesusalém é um local remoto, feito casa, para Silvestre Vitalício, Mwanito, e Ntunzi e simultaneamente o palco de quase todos os acontecimentos no mais recente livro de Mia Couto. Em Jesusalém, a única presença feminina física reduz-se a Jezibela, a jumenta, no entanto é a omnipresença de Dordalma que empresta a intensidade a todo o romance e que o vai guiando até à última palavra. Que dor de alma se escreverá em Dordalma?
Indicações
A leitura de Jesusalém está recomendada a todos os indivíduos sem restrições. Pode ser lido pelos leitores mais cépticos aos mais fervorosos. A sintomatologia de contentamento foi evidente em todos eles. Os leitores fiéis de Mia Couto observaram uma melhoria acentuada de humor em virtude de se poderem deleitar com a prosa poética repleta de uma sensibilidade invulgar e de penetraram na intimidade de uma história apaixonante.
A leitura de Jesusalém está recomendada a todos os indivíduos sem restrições. Pode ser lido pelos leitores mais cépticos aos mais fervorosos. A sintomatologia de contentamento foi evidente em todos eles. Os leitores fiéis de Mia Couto observaram uma melhoria acentuada de humor em virtude de se poderem deleitar com a prosa poética repleta de uma sensibilidade invulgar e de penetraram na intimidade de uma história apaixonante.
Precauções
Jesusalém é bem tolerado por todos os indivíduos. Leitores vorazes e bulímicos observaram pontualmente sintomas de privação quando deixaram o livro sossegar para regressar às tarefas entediantes do quotidiano. Esporadicamente foi registada ansiedade em terminar o livro dado a escrita contagiante e mágica. Indivíduos sugestionáveis tentaram sem sucesso afinar o silêncio, seguindo as pisadas de Mwanito e os mais aventureiros intentaram uma viagem a Jesusalém. Os leitores em busca da escrita cheia de neologismos a que Mia Couto nos habituou observaram um misto de desilusão, neste romance o escritor opta por outro registo, e de admiração, há poucos escritores tão doces e intensos quanto Mia Couto.
Jesusalém é bem tolerado por todos os indivíduos. Leitores vorazes e bulímicos observaram pontualmente sintomas de privação quando deixaram o livro sossegar para regressar às tarefas entediantes do quotidiano. Esporadicamente foi registada ansiedade em terminar o livro dado a escrita contagiante e mágica. Indivíduos sugestionáveis tentaram sem sucesso afinar o silêncio, seguindo as pisadas de Mwanito e os mais aventureiros intentaram uma viagem a Jesusalém. Os leitores em busca da escrita cheia de neologismos a que Mia Couto nos habituou observaram um misto de desilusão, neste romance o escritor opta por outro registo, e de admiração, há poucos escritores tão doces e intensos quanto Mia Couto.
Outras apresentações
Se sentiu uma melhoria com Jesusalém, não deve descontinuar a leitura de Mia Couto.O escritor tem uma vasta obra abarcando vários géneros literários. Não há desculpa para não ler, só há óptimas razões para mergulhar na leitura.
Se sentiu uma melhoria com Jesusalém, não deve descontinuar a leitura de Mia Couto.O escritor tem uma vasta obra abarcando vários géneros literários. Não há desculpa para não ler, só há óptimas razões para mergulhar na leitura.
quinta-feira, outubro 22, 2009
Verter em palavras
Primeiro pega-se num livro, qualquer livro serve, embora sugira um de que gostemos, depois, lê-se, muito bem lido, com notas à margem e sublinhados. A seguir deixa-se marinar durante um tempo, o suficiente para se fundirem os aromas, se casarem as personagens e enredo e daí surgir a leitura única que cada leitor faz de cada livro. Por último é só verter tudo em palavras e servir com carinho. Só me falta mesmo a última fase para mais uma das receitas de leitura. Brevemente aqui.
terça-feira, outubro 20, 2009
domingo, outubro 18, 2009
quinta-feira, outubro 15, 2009
sexta-feira, outubro 09, 2009
Os Meus Livros
A revista "Os Meus Livros", que também pode ser consultada na Biblioteca da Escola, está agora online neste sítio.
quinta-feira, outubro 08, 2009
quarta-feira, outubro 07, 2009
Grátis
A Cidade Depois de Pedro Paixão compreende textos do escritor sobre Nova Iorque depois do 11 de Setembro de 2001. O livro, entretanto esgostado, foi disponibilizado pelo próprio Pedro Paixão no seu site e pode ser descarregado aqui. Eu continuo a preferir o papel mas não deixa de ser uma atitude louvável de grande desprendimento e generosidade. Aproveitem.
terça-feira, outubro 06, 2009
quinta-feira, outubro 01, 2009
Para abrir o apetite...
Aqui fica um pequeníssimo excerto de Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
Haverá noite para este dia digam-me, uma altura em que deixo de distinguir o salgueiro e depois do salgueiro a janela, os móveis desaparecem porque não acendemos a luz, ficam as pegas de metal a brilhar um momento, um frémito nas portas que ninguém gira, os meus irmãos procurando-se e eu em busca da saída dado que principiaram as dores e não acho o caminho da rua, apercebo-me do alpendre onde a lanterna baloiça na corrente, ao regressar ao baldio via-a na esquina e acalmava, estou a chegar, estou em casa, não me fazem mal já, o quintal fechava-se-me sobre o corpo e escondia-me, nenhuma cólica, nenhum suor, a paz e com a paz a indecisão da madrugada no peitoril
- Nasço não nasço?
Novidades
Hoje é um dia grande para todos os amantes da obra de António Lobo Antunes, uma vez que se encontra já à venda mais um livro do consagrado escritor. O título é sugestivo e apela à leitura, já que é formulada uma pergunta. Será que após a leitura conseguiremos respondê-la?
Segundo a sinopse "a acção decorre no Ribatejo, numa quinta onde se criam toiros. A mãe está a morrer e cada um dos filhos fala e conta a sua história, que se cruza com a história dos outros. Francisco, que odeia os irmãos e espera apropriar-se de tudo quando a mãe morrer; João, o preferido da mãe, pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII; Beatriz, que engravidou e teve de casar cedo; Ana, a mais inteligente, drogada e frequentadora dos mais sinistros lugares onde se trafica droga. Há ainda a figura do pai, que vai perdendo ao jogo a fortuna da família, na obsessão de que o número 17 lhe há-de trazer a sorte. E finalmente Mercília, a criada que os criou a todos e que sabe todos os segredos".
A leitura de António Lobo Antunes é sempre uma aventura cheia de desafios, caminhos e trilhos que levam o leitor também aos lugares recônditos da sua alma. Recomendo vivamente.
Segundo a sinopse "a acção decorre no Ribatejo, numa quinta onde se criam toiros. A mãe está a morrer e cada um dos filhos fala e conta a sua história, que se cruza com a história dos outros. Francisco, que odeia os irmãos e espera apropriar-se de tudo quando a mãe morrer; João, o preferido da mãe, pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII; Beatriz, que engravidou e teve de casar cedo; Ana, a mais inteligente, drogada e frequentadora dos mais sinistros lugares onde se trafica droga. Há ainda a figura do pai, que vai perdendo ao jogo a fortuna da família, na obsessão de que o número 17 lhe há-de trazer a sorte. E finalmente Mercília, a criada que os criou a todos e que sabe todos os segredos".
A leitura de António Lobo Antunes é sempre uma aventura cheia de desafios, caminhos e trilhos que levam o leitor também aos lugares recônditos da sua alma. Recomendo vivamente.
sexta-feira, setembro 25, 2009
2666
Há quem feito contagem decrescente, quem o considere obra-prima, que o catapulte para o acontecimento literário do ano, quem lhe tenha criado um blogue e quem fale disso permanentemente. O romance de Roberto Bolaño, 2666, publicado postumamente tem recebido a aclamação de bloguers e futuros leitores. O lançamento será no próximo Sábado, 26 de Setembro, mas haverá uma festa de lançamento hoje, sexta-feira, dia 25. Com tanta publicidade e divulgação estas mil páginas passaram definitivamente para a minha lista de livros obrigatórios.
quinta-feira, setembro 24, 2009
E chegou aquela altura...
Chegou aquela altura do ano em que a curiosidade aperta e que nos deixa em suspenso. Quem será este ano o feliz contemplado? Será que é desta que António Lobo Antunes vai figurar entre os laureados? Pelo que é dito aqui, há que esperar e que cumprir a tradição uma vez que o Prémio Nobel da Literatura só será comunicado em data a anunciar pela Academia Sueca. Saber esperar é uma virtude, dizem, e na verdade não nos resta outra alternativa. Quem sucederá a Le Clezio? Aceitam-se apostas.imagem daqui
quinta-feira, setembro 17, 2009
Rentrée
Após um interregno tão grande, aqui estamos de novo para vos dar notícias das artes e letras e também da nossa Escola. E começando pela nossa Escola, há muitas novidades, uma vez que estamos em obras. Enquanto vos escrevo, por exemplo, vejo da janela desta nossa Biblioteca o pavilhão B completamente esventrado, quase irreconhecível. Do lado esquerdo uma zona devastada decorada com veículos pesados. Como banda sonora temos um martelar suave entrecortado pelo som insistente dum martelo pneumático. E tudo isto são diferenças relativamente ao sossego que habitualmente tínhamos. Mas nada de desesperos, um ano passa depressa e depois teremos uma Escola renovada. Até lá desejo a todos um óptimo ano lectivo. quinta-feira, julho 23, 2009
A importância do nome
Suponhamos que o Manel faz uma viagem. Como todas as viagens, a viagem do Manel tem algumas peripécias. O Manel arruma a viagem na gaveta mas vinte anos depois e porque se lhe atravessa ao caminho uma fotografia da mulher que o acompanhou nesse périplo lembra-se de escrever umas coisas. O Manel acha a viagem engraçada com ingredientes suficientemente intensos para tornar a estória atraente, sente-se em dívida com a mulher que o acompanhou, é atacado por uma nostalgia súbita e neste embalo envia o manuscrito da sua aventura às editoras. O Manel, coitadito, é apenas o Manel, sem apelido, padrinhos, amigos, alguém que dê uma palavrinha a alguém, um toque só para ver se pega e, por conseguinte, tempos depois começa a receber cartas das editoras. Que não se enquadra nos critérios editoriais, que não podem encarar a respectiva publicação, que não são a editora indicada para a apreciação de narrativas curtas, que têm a programação editorial muito preenchida. O Manel arruma os manuscritos na estante, outros rasga-os furiosamente e coloca-os com grande dever cívico no ecoponto azul e outros oferece com uma dedicatória aos amigos, em tempo de crise há que poupar nos presentes. E partiu à sua vida. Ora se o Manel de chamasse, digamos, Miguel Sousa Tavares tinha o assunto resolvido e podia publicar este novo género de quase romance, a tal narrativa curta, contando uma das suas aventuras ao deserto com uma mulher com quem aparentemente teve um relacionamento amoroso e que morreu entretanto. No teu Deserto é apenas isso: um devaneio, sem grande qualidade de escrita. O texto está cheio de lugares-comuns, a noite estrelada a tempestade da areia, o desenrascando luso, o silêncio do deserto, uma mulher convenientemente loura que já se sabe resulta muitíssimo bem em países árabes como moeda de troca por cáfilas de camelos. Muito inferior a Sul, Não te deixarei morrer, David Crockett ou a Equador, o livro não traz qualquer novidade. Servirá apenas o voyeurismo dos leitores e ocupará uma boa parte de uma lânguida tarde estival, há sempre que não goste de leituras pesadas no Verão. Miguel Sousa Tavares já mostrou que é capaz de bem melhor. No teu Deserto só viu a luz do dia porque o seu autor é quem é. Se fosse o Manel, por exemplo, nunca passaria da intenção e muito bem.
terça-feira, julho 21, 2009
Frank McCourt
You’re on your own in the classroom, one man or woman facing five classes everyday, five classes of teenagers. One unit of energy against one hundred and seventy-five units of energy, one hundred and seventy-five ticking bombs, and you have to find ways of saving your own life. They may like you, they may even love you, but they are young and it is the business of the young to push the old off the planet.
Frank McCourt, Teacher Man
segunda-feira, julho 20, 2009
sábado, junho 27, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
quinta-feira, junho 11, 2009
Receita de Leitura (16)
A monumental arcaria de pedra e cal se oferecia a eles, com seus quase 300 metros de extensão a perder na noite, rumo ao morro do Desterro. Apesar da escuridão, Pedro e Leonardo podiam ver a garganta de amuradas, abrigando o cano de argila que trazia a água do rio Carioca. Os meninos saltaram sobre a manilha e correram ainda mais depressa, a 18 metros do chão da Lapa. Na disparada, foram deixando para trás, lá embaixo, a rua dos Arcos, cortada pela rua do Lavradio, e a de Mata-Cavalos. Visto de cima, o crepitar das velas acesas dentro das casas fazia a cidade parecer uma comunidade de pirilampos. Mas eles não tinham tempo para olhar, só para correr — era melhor nem olhar —, cuidando para não escorregar do cano e esperando que os soldados do Vidigal, cujas botas ouviam à distância, desistissem da perseguição.
Bem no meio dos Arcos, sobre a rua das Mangueiras, pararam por um instante, para apurar os ouvidos, e sentiram que o ruído das botas inimigas diminuíra ou silenciara — como se os soldados tivessem feito alto para descansar ou dado meia-volta. Mas, e se fosse um truque? E se apenas tivessem tirado as botas para correr melhor?
Ruy Castro, (2008), Era no tempo do Rei, Alfragide, Asa.
Composição
Era no tempo do Rei, do escritor e biógrafo brasileiro Ruy Castro, conta a história de dois meninos no Rio de Janeiro, em 1810, dois anos após a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Pedro e Leonardo, duas crianças de doze anos, vivem aventuras e peripécias, vagueando pela cidade. Em pano de fundo assiste-se ao retrato vívido e pululante de uma cidade subitamente capital do Reino e à história com as Guerras Napoleónicas, as lutas pelo poder e a indispensável intriga.
Indicações
Recomenda-se a leitura de Era no tempo do Rei aos indivíduos com gosto por prosas coloridas, fluentes e escorreitas. É muito bem tolerado por quem se interessa por esta parte da história em que portugueses e brasileiros se encontram no calor dos trópicos e mais uma vez se miscigenam. Leitores obcecados com a veracidade histórica observaram episódios que podem variar da ansiedade à cólera.
Precauções
Era no tempo do Rei está altamente desaconselhado aos historiadores incapazes de olhar a vida através do caleidoscópio da literatura. Não se recomenda a leitura a indivíduos incapazes de ficcionar a História e de ver em Pedro o futuro Imperador do Brasil. Caso dê por si rodeado de compêndios de História na senda de Bárbara dos Prazeres deve descontinuar essas leituras e acreditar no escritor “Nem tudo o que aqui se leu aconteceu – mas podia ter acontecido”. Indivíduos com forte apego às descrições excitantes observaram um desejo incontrolável de viajar no tempo e regressar ao Rio de Janeiro do século XIX.
Outras apresentações
Caso tenha sentido uma franca melhoria com Era no tempo do Rei, aventure-se noutras prosas do autor, como a biografia de Carmen Miranda, a história da Bossa Nova, Chega de Saudade, ou ainda Carnaval no Fogo sobre o Rio de Janeiro. Ler Ruy Castro é sempre um prazer. Se aprecia a temática, experimente Império à Deriva de Patrick Wilcken, a História como um romance.
quarta-feira, junho 10, 2009
Novo romance de José Saramago
José Saramago não pára. O Prémio Nobel português já entregou o seu novo romance na editora. Sairá para o Outono. Aguardemos então.
quarta-feira, junho 03, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Hay-on-Wye
A literatura está em festa no Reino Unido. Em Hay-on-Wye, uma pequena localidade no País de Gales também conhecida por “the town of books”, ou seja a cidade dos livros, está a ter lugar o maior festival literário em Terras de Sua Majestade. O evento abriu a 21 de Maio e prolongar-se-á até ao último dia deste mês de Maio.
Hay-on-Wye é um verdadeiro paraíso para os bibliófilos. O certame teve a sua primeira edição em 1988, tendo posto a cidade galesa na rota dos festivais literários. O programa é variado e inclui palestras sobre diversos temas como política ou ambiente, workshops de teatro, yoga e os tradicionais encontros com escritores. As novas tecnologias não foram excluídas, portanto pode visitar o perfil no Facebook ou no Twitter. Presentemente, o festival é patrocinado pelo jornal The Guardian. É, sem qualquer dúvida, o sítio onde eu gostaria de estar neste momento. Na impossibilidade, deixo-vos este pequeno texto retirado do sítio oficial do evento:
"Writers, comedians and musicians that have the capacity to change our lives, to share new visions of the world, and to do that incredibly sexy thing – to renew our sense of wonder."
Hay-on-Wye é um verdadeiro paraíso para os bibliófilos. O certame teve a sua primeira edição em 1988, tendo posto a cidade galesa na rota dos festivais literários. O programa é variado e inclui palestras sobre diversos temas como política ou ambiente, workshops de teatro, yoga e os tradicionais encontros com escritores. As novas tecnologias não foram excluídas, portanto pode visitar o perfil no Facebook ou no Twitter. Presentemente, o festival é patrocinado pelo jornal The Guardian. É, sem qualquer dúvida, o sítio onde eu gostaria de estar neste momento. Na impossibilidade, deixo-vos este pequeno texto retirado do sítio oficial do evento:
"Writers, comedians and musicians that have the capacity to change our lives, to share new visions of the world, and to do that incredibly sexy thing – to renew our sense of wonder."
imagem daqui
terça-feira, maio 26, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
Receita de Leitura (15)
Dose de Amostrade noite, a maria da graça sonhava que às portas do céu se vendiam souvenirs da vida na terra. gente de palavras garridas que chamava a sua atenção com os braços no ar, como quem tinha peixe fresco, juntava-se em redor da sua alma e despachava por bagatelas as coisas mais passíveis de suprir uma grande falta aos que morriam. os últimos charlatães, pensava ela, envergonhada até por ter de pensar depois de morta, ou talvez fosse coisa boa antes de se entrar no céu ser dada a oportunidade de levar um objecto, uma imagem materializada, algo como prova de uma vida anterior ou extrema saudade. ela pedia-lhes que a deixassem passar, ia à pressa, insistia, sabia mal o que fazer e não podia decidir nada sobre nada. seguia perplexa e não querendo arriscar a ganância de se depositar na eternidade a partir de um acto de posse. por uma compreensível angústia, ansiedade ou frenesi de ali estar tão pela primeira vez, mantinha a esperança de que talvez são pedro a esclarecesse e, com um pé lá dentro e outro ainda fora, lhe fosse possível comprar o requiem de mozart, a reprodução dos frescos de goya ou a edição francesa das raparigas em flor.
valter hugo mãe, (2008), o apocalipse dos trabalhadores, Matosinhos, QuidNovi.
valter hugo mãe, (2008), o apocalipse dos trabalhadores, Matosinhos, QuidNovi.
Composição
o apocalipse dos trabalhadores de valter hugo mãe é o terceiro romance do jovem escritor laureado em 2007 com o Prémio Literário José Saramago. Passado em Bragança, este romance contém as existências idiossincráticas e ambivalentes de duas mulheres-a-dias, um imigrante ucraniano e um homem reformado.
Indicações
Este livro está indicado para indivíduos afoitos e aventureiros. Os apreciadores de novas formas de narrar e de usar a língua de Camões de forma criativa observaram uma mudança radical no seu humor. Foram reportados episódios pontuais de euforia em consequência da prosa talentosa e original. o apocalipse dos trabalhadores é bem tolerado por leitores com gosto pelas existências simples do quotidiano e atentos à mudança social da sociedade portuguesa.
Precauções
Indivíduos obcecados com os preceitos formais da língua devem ter acompanhamento ao penetrar no livro. A ausência de maiúsculas pode provocar fortes acessos de crítica impiedosa nos leitores de gostos mais tradicionais. Podem ocorrer episódios de fúria aos fiéis amantes de pontuações elaboradas e pungentes. Caso percorra o livro à procura de pontos de exclamação ou interrogação deve descontinuar a leitura de imediato, uma vez que eles não existem. Alguns leitores mais sensíveis não conseguiram abstrair-se das personagens, dada a densidade das mesmas. Se der consigo a querer acompanhar a maria da graça às portas do céu deve abrandar a leitura.
Posologia
o apocalipse dos trabalhadores deve ser lido ao ritmo de cada leitor. Desconhecem-se efeitos de sobredosagem de literatura. Ler é saudável.
Outras apresentações
Caso tenham sido observadas melhorias com o apocalipse dos trabalhadores recomenda-se a leitura dos outros livros do autor, o nosso reino e o remorso de baltazar serapião. Se persistirem sintomas de ansiedade por mais escritos de valter hugo mãe, aventure-se na poesia e leia folclore íntimo.
o apocalipse dos trabalhadores de valter hugo mãe é o terceiro romance do jovem escritor laureado em 2007 com o Prémio Literário José Saramago. Passado em Bragança, este romance contém as existências idiossincráticas e ambivalentes de duas mulheres-a-dias, um imigrante ucraniano e um homem reformado.
Indicações
Este livro está indicado para indivíduos afoitos e aventureiros. Os apreciadores de novas formas de narrar e de usar a língua de Camões de forma criativa observaram uma mudança radical no seu humor. Foram reportados episódios pontuais de euforia em consequência da prosa talentosa e original. o apocalipse dos trabalhadores é bem tolerado por leitores com gosto pelas existências simples do quotidiano e atentos à mudança social da sociedade portuguesa.
Precauções
Indivíduos obcecados com os preceitos formais da língua devem ter acompanhamento ao penetrar no livro. A ausência de maiúsculas pode provocar fortes acessos de crítica impiedosa nos leitores de gostos mais tradicionais. Podem ocorrer episódios de fúria aos fiéis amantes de pontuações elaboradas e pungentes. Caso percorra o livro à procura de pontos de exclamação ou interrogação deve descontinuar a leitura de imediato, uma vez que eles não existem. Alguns leitores mais sensíveis não conseguiram abstrair-se das personagens, dada a densidade das mesmas. Se der consigo a querer acompanhar a maria da graça às portas do céu deve abrandar a leitura.
Posologia
o apocalipse dos trabalhadores deve ser lido ao ritmo de cada leitor. Desconhecem-se efeitos de sobredosagem de literatura. Ler é saudável.
Outras apresentações
Caso tenham sido observadas melhorias com o apocalipse dos trabalhadores recomenda-se a leitura dos outros livros do autor, o nosso reino e o remorso de baltazar serapião. Se persistirem sintomas de ansiedade por mais escritos de valter hugo mãe, aventure-se na poesia e leia folclore íntimo.
quinta-feira, maio 21, 2009
Boas ideias
Imagine agora que lhe dá uma vontade incontrolável de ler um livro. Sente-se só, desesperado pela falta de um livro que o acompanhe, ainda mais por pensar que naquele lugar não há livrarias e mesmo que houvesse nada lhe poderiam valer dado a hora inconveniente. Olha à volta em dor, a ausência de livros é uma síndrome doloroso do qual os amantes de livros podem ser acometidos, apura o olhar e o olfacto. Parece que, de repente, como se fossem pipocas mas em intesidade menor, cheira a livros, a fragrância das páginas virgens à espera que as leiam. Olha mais uma vez e repara em algo inédito: uma máquina automática de venda de livros!
A ideia foi mais uma vez da LeYa e a máquina esteve em experimentação durante a Feira do Livro de Lisboa, que decorreu entre 30 de Abril e 17 de Maio. Estarão disponíveis quinze títulos e o funcionamento é simples. A experiência da Feira determinará os locais onde irão ser colocados os dispensadores de livros, mas estações de comboio, hospitais e aeroportos contarão certamente entre os locais eleitos.
Embora a ideia não seja inédita, uma vez que há já aeroportos internacionais onde podemos ver máquinas semelhantes, é inédita entre nós. Uma belíssima iniciativa a merecer o nosso destaque.
Embora a ideia não seja inédita, uma vez que há já aeroportos internacionais onde podemos ver máquinas semelhantes, é inédita entre nós. Uma belíssima iniciativa a merecer o nosso destaque.
quarta-feira, maio 20, 2009
Ler mais por menos

A partir de dia 22 de Maio estarão à venda mais quinze títulos da colecção BisleYa. Apenas por €5,95, os títulos são muito diversos, tal como aconteceu nas duas colecções anteriores. Podem encontrar-se, entre outros, Rodrigo Guedes de carvalho e Daqui a Nada e Franz Kafka com o clássico O Processo. Contudo, os meus preferidos são A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho de Mário de Carvalho e O Operário em Construção de Vinicius de Carvalho. Não há razão para não ler. É já dia 22!
quarta-feira, maio 13, 2009
Novidades
Junho vai ser um mês importante em termos de novidades editoriais: o último romance de Chico Buarque vai ser editado em Portugal e José Eduardo Agualusa vê também Barroco Tropical, a sua obra mais recente, nos escaparates das livrarias. Caso tenha uma curiosidade incontrolável, não obstante, pode ler aqui o primeiro capítulo de Barroco Tropical. Mal posso esperar por Junho mas até lá vou-me contentando com este primeiro capítulo que promete.
quarta-feira, maio 06, 2009
A Feira do Livro de Lisboa...
pode ser seguida com toda atenção aqui. No blogtailors existe informação completa, interessante e muito actualizada do certame. Caso não possam ir à Feira, esta é uma maneira de se manterem actualizados e a par dos acontecimentos. Se puderem, aproveitem e sigam a perspectiva dos editores, leitores e visitantes.
quarta-feira, abril 29, 2009
Feira do Livro de Lisboa
Amanhã, dia 30 de Abril, a Feira do Livro de Lisboa, na 79ª edição e sob o lema "Viver a Leitura", abre as suas portas ao público. O certame durará até 17 de Maio. No local de sempre, conta com algumas mudanças este ano nas datas e horários. Contrariamente ao que acontecia antes, a feira estará aberta entre as 12.30 e 20.30 horas durante a semana,entre as 12.30 e 23.00 horas à sexta-feira e vésperas de feriados e entre as 11.00 e 23.00 horas aos Sábados e entre 11.00 e 22.00 horas aos Domingos. Além de outros eventos, este ano haverá um espaço dedicado à troca de livros, "Lisboa, Encruzilhada de Livros".
Mesmo que não seja para comprar livros, a Feira do Livro vale sempre a pena e este ano com o espaço de troca de livros com o apoio do Bookcrossing ainda mais. Para os amantes de literatura brasileira, como eu, será um grande evento, uma vez que o país convidado é o Brasil. Apareçam.
Mesmo que não seja para comprar livros, a Feira do Livro vale sempre a pena e este ano com o espaço de troca de livros com o apoio do Bookcrossing ainda mais. Para os amantes de literatura brasileira, como eu, será um grande evento, uma vez que o país convidado é o Brasil. Apareçam.
sábado, abril 25, 2009
sexta-feira, abril 24, 2009
Cidades com livros debaixo do braço
Ler é sempre viajar, sair de si para chegar a um outro lugar, uma travessia, uma jornada que não raras vezes nos transforma e que nos torna sempre mais ricos. E viajar é também ler. Ler os lugares por onde passamos, os rostos, os aromas e as cores. Há uma ligação estreita entre os dois e as cidades coexistem sempre com uma outra existência, aquela que paira nas páginas dos livros que as abordam e retratam. Este texto vem provar isso mesmo. Boa Leitura e óptimas viagens!
quinta-feira, abril 23, 2009
Receita de Leitura (14) - Especial Dia Mundial do Livro
Dose de AmostraPraga, uma das mais belas capitais europeias, ultrapassada em encantos talvez só por Lisboa e, vá lá, Paris, tem uma artéria central, a Venceslau, parecidíssima com a avenida do bacalhau no Porto, antes das obras que nela perpetraram. A Venceslau tem a forma dos Aliados e o Museu Nacional Checo remata-a lá em cima, como aquele edifício, não me lembro agora o que alberga, na Invicta. A semelhança dessas artérias surpreende o turista nacional que visite Praga e já tenha ido ao Porto, ou visto postais. São mesmo parecidas!
Pois são. Mas estátuas de S. João em Praga, viste-as! E que nem uma! Em compensação, desloque-se o português através da Ponte de Carlos, aquela que é ícone da capital checa e está para a antiga capital dos austro-húngaros como a Torre de Belém para Lisboa, ou o Estádio do Dragão para o Porto, e... Aquilo é só estátuas lindas de um lado e de outro, que o turista admirará, se conseguir tirar os olhos do belo Vltava, o rio estreitinho (tipo Douro) que banha Praga, e se não se distrair a fixar as indígenas invariavelmente bem apessoadas, ou os moçoilos checos, altos e loiros, (consoante a orientação sexual do visitante) que por lá pululam.
E quem é que tem uma estátua na Ponte de Carlos, quem é? Ora bem: Santo António!
António Eça de Queiroz & António Costa Santos, (2008), Porto versus Lisboa, Lisboa, Guerra e Paz.
Composição
Porto versus Lisboa é um livro escrito a quatro mãos em que um lisboeta, António Costa Santos, e um portuense, António Eça de Queiroz, digladiam argumentos em favor de cada uma das cidades mais emblemáticas do país e que frequentemente se encontram envoltas em duelos bairristas.
Indicações
Este livro está indicado para todos os leitores sem excepção. Porto versus Lisboa está particularmente indicado para indivíduos que julgam já conhecer tudo sobre as cidades lusas. Se é amante de Lisboa não pode perder este livro. Se é um adepto fervoroso da Cidade Invicta não pode nem deve deixar passar em vão a possibilidade de se deleitar com as estórias curiosas e divertidas de ambas as cidades e escritas de forma bem-humorada e informativa.
Precauções
Porto versus Lisboa é muito bem tolerado por todos os indivíduos que mantenham acesa a curiosidade de saber mais sobre o Porto e sobre Lisboa. Alguns leitores portuenses observaram episódios esporádicos de euforia ao verem a sua cidade tão bem retratada. Os leitores lisboetas mantiveram a sua auto-estima ao ler os elogios rasgados à capital alfacinha. Indivíduos com propensão para pensamentos e atitudes bairristas devem ler o livro sem reservas, uma vez que encontrarão argumentos convincentes.
Posologia
Este livro deve ser lido ao gosto e ritmo de cada leitor. Caso seja um portuense convicto pode iniciar a leitura pelos textos em que o Porto é rei, sem prejuízo do prazer absoluto da leitura. Caso seja um alfacinha empedernido pode também começar pelo Porto para melhor entender o encanto de ambas as cidades. Recomenda-se apenas a leitura continuada para um efeito acentuado de bem-estar. Como se diz no subtítulo Nunca ninguém falou tão bem de Lisboa e do Porto. Nunca ninguém falou tão mal do Porto e de Lisboa, por isso acorra à primeira livraria e leia!
Pois são. Mas estátuas de S. João em Praga, viste-as! E que nem uma! Em compensação, desloque-se o português através da Ponte de Carlos, aquela que é ícone da capital checa e está para a antiga capital dos austro-húngaros como a Torre de Belém para Lisboa, ou o Estádio do Dragão para o Porto, e... Aquilo é só estátuas lindas de um lado e de outro, que o turista admirará, se conseguir tirar os olhos do belo Vltava, o rio estreitinho (tipo Douro) que banha Praga, e se não se distrair a fixar as indígenas invariavelmente bem apessoadas, ou os moçoilos checos, altos e loiros, (consoante a orientação sexual do visitante) que por lá pululam.
E quem é que tem uma estátua na Ponte de Carlos, quem é? Ora bem: Santo António!
António Eça de Queiroz & António Costa Santos, (2008), Porto versus Lisboa, Lisboa, Guerra e Paz.
Composição
Porto versus Lisboa é um livro escrito a quatro mãos em que um lisboeta, António Costa Santos, e um portuense, António Eça de Queiroz, digladiam argumentos em favor de cada uma das cidades mais emblemáticas do país e que frequentemente se encontram envoltas em duelos bairristas.
Indicações
Este livro está indicado para todos os leitores sem excepção. Porto versus Lisboa está particularmente indicado para indivíduos que julgam já conhecer tudo sobre as cidades lusas. Se é amante de Lisboa não pode perder este livro. Se é um adepto fervoroso da Cidade Invicta não pode nem deve deixar passar em vão a possibilidade de se deleitar com as estórias curiosas e divertidas de ambas as cidades e escritas de forma bem-humorada e informativa.
Precauções
Porto versus Lisboa é muito bem tolerado por todos os indivíduos que mantenham acesa a curiosidade de saber mais sobre o Porto e sobre Lisboa. Alguns leitores portuenses observaram episódios esporádicos de euforia ao verem a sua cidade tão bem retratada. Os leitores lisboetas mantiveram a sua auto-estima ao ler os elogios rasgados à capital alfacinha. Indivíduos com propensão para pensamentos e atitudes bairristas devem ler o livro sem reservas, uma vez que encontrarão argumentos convincentes.
Posologia
Este livro deve ser lido ao gosto e ritmo de cada leitor. Caso seja um portuense convicto pode iniciar a leitura pelos textos em que o Porto é rei, sem prejuízo do prazer absoluto da leitura. Caso seja um alfacinha empedernido pode também começar pelo Porto para melhor entender o encanto de ambas as cidades. Recomenda-se apenas a leitura continuada para um efeito acentuado de bem-estar. Como se diz no subtítulo Nunca ninguém falou tão bem de Lisboa e do Porto. Nunca ninguém falou tão mal do Porto e de Lisboa, por isso acorra à primeira livraria e leia!
O Caderno
Numa edição conjunta da Editorial Caminho e a Fundação José Saramago, foi editado hoje, Dia Mundial do Livro, O Caderno. Este caderno reunirá os textos que José Saramago foi publicando no blogue O caderno de Saramago, entretanto fechado. Para quem gosta da acultilância do escritor pode agora reler em papel a sua opinião sobre assuntos da actualidade.
quarta-feira, abril 22, 2009
sexta-feira, abril 17, 2009
Leite Derramado (2)
Para quem, como eu, espera e desespera pelo novíssimo livro de Chico Buarque pode agora deliciar-se com este trecho do livro.
quinta-feira, abril 16, 2009
Bienal do Livro
Entre 17 e 26 deste mês de Abril realizar-se-á em Salvador, Bahia, Brasil, a 9ª Bienal do Livro. O certame conta com a presença de vários escritores, entre eles, Luiz Ruffato, Moacyr Scliar e Ruy Castro, e incluirá uma homenagem ao grande escritor baiano, Jorge Amado, e à sua mulher, a escritora Zélia Gattai. Um dos sítios onde gostaria de estar nos próximos tempos.
quarta-feira, abril 15, 2009
Soeiro Pereira Gomes
Das leituras que fiz enquanto aluna do Ensino Básico conta-se uma obra ímpar que me acompanhou ao longo destas décadas. O livro, que me chegou às mão através da minha professora de Português no sétimo ano de escolaridade, deixou-me marcas e a espaços ainda me lembro do tom soturno e profundamente triste de Esteiros, a história de um grupo de garotos que devido às dificuldades e desprotecção social ingressa muito cedo, demasiado cedo, no mundo laboral. A obra é um marco no neo-realismo português e uma denúncia das situações precárias daquele grupo de crianças e que não tiveram o tempo pleno de uma infância doce. O autor de Esteiros, Soeiro Pereira Gomes, faria ontem, dia 14 de Abril, cem anos. Aqui fica a homenagem singela.

Imagem daqui
terça-feira, abril 14, 2009
José Franco
Partiu hoje, aos 89 anos, o Mestre José Franco. Dono de um talento incomparável espalhou a alegria a todos os que visitavam e visitam a sua Aldeia Típica, no Sobreiro. Imagem daqui
sábado, abril 11, 2009
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