quarta-feira, janeiro 28, 2009

Jackson Pollock

Passam hoje, dia 28 de Janeiro de 2009, noventa e sete anos sob o nascimento de um dos mais consagrados artistas plásticos americanos da contemporaneidade, Jackson Pollock. Nasceu a 28 de Janeiro de 1912, em Cody, no Wyoming, Estados Unidos da América e, como todos os pintores e artistas que deixam a sua marca, criou uma técnica única de pintura denominda por dripping. O dripping caracteriza-se pelo gotejamento de tinta sobre a tela, criando teias multicolores. Pollock deixava as suas telas na horizontal, junto ao chão, e gotejava-as com a tinta sem utilizar pincéis e cavaletes. Esta sua originalidade rompeu com todos os cânones, granjeou-lhe fama e reconhecimento, imortalizou-o, tornando-o num dos ícones do expressionismo abstracto. Jackson Pollock teve uma vida breve e atribulada muitíssimo bem retratada no filme homónimo de 2000, realizado por Ed Harris, que também desempenha o papel principal. Morreu aos 44 anos num acidente de viação, em 11 de Agosto de 1956.



Para uma experiência diferente, cliquem aqui.

Mais sobre Jackson Pollock aqui

Ler barato (3)

Tal como já tinha noticiado aqui com as colecções anteriores, hoje trago-vos outra óptima notícia no que respeita a bons livros a óptimos preços. Desde 22 deste mês e até ao próximo dia 6 de Março, a revista Sábado publica a quarta série da Biblioteca Sábado a preços irresistíveis, um euro apenas. Saiu já o primeiro livro, o fantástico e inesquecível Mar Morto de Jorge Amado, seguem-se-lhe O Quarto Protocolo, de Frederick Forsyth, Samarcanda de Amin Maalouf, Os Filhos da Meia Noite de Salman Rushdie, As Cidades Invisíveis de Italo Calvino, Lolita de Vladimir Nabokov e Vasto Mar de Sargaços de Jean Rhys. Todas as Quintas-feiras.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

A Viagem terminada

Tal como tinha prometido, aqui estou a dar-vos novas do meu primeiro livro de 2009, A Viagem do Elefante de José Saramago. O facto de estarmos a 21 de Janeiro e de eu já ter lido o livro prova que é de leitura rápida, mais rápida do que os outros livros de Saramago que eu li, o que pode ser sempre uma vantagem. Diz-se que este será o melhor Saramago desde o Memorial do Convento. É verdade que hesitei algum tempo e duvidei desta afirmação, mas depois da leitura e após algum tempo de reflexão chego à conclusão de que as descrições pormenorizadas, quase cinematográficas, assim indicam. De resto, é um Saramago igual a ele mesmo: imaginação prodigiosa, escrita escorreita e afinada, considerações múltiplas, sarcasmo e ironia, metáforas e diálogos com o leitor. Vale a pena. Ler vale sempre a pena.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

30 anos de Xutos e Pontapés

E porque nem só de livros e leituras se vive, o post de hoje é inteiramente dedicado aos Xutos e Pontapés que comemoraram ontem três décadas de existência. Ao longo da sua longa carreira os Xutos e Pontapés têm-nos presenteado com temas inesquecíveis. Trinta anos é razão de sobra para uma celebração em grande. A banda portuguesa continua com o mesmo vigor de sempre, uns verdadeiros Rolling Stones à portuguesa. Deixo-vos com a minha preferida de sempre, o Homem do Leme. Parabéns, Xutos!

domingo, janeiro 11, 2009

A biblioteca turca

Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura 2006, apresenta a sua blilioteca:

No coração da minha biblioteca está a biblioteca do meu pai. Quando eu tinha 17 ou 18anos e comecei a dedicar a maior parte do meu tempo à leitura, devorei os volumes que o meu pai guardava na nossa sala de estar, bem como os que eu descobria nas livrarias de Istambul. Nesses tempos, se eu lesse um livro da biblioteca do meu pai e gostasse dele, levava-o para o meu quarto e colocava-o no meio dos meus livros. O meu pai, que ficava satisfeito por ver que o seu filho lia, ficava também feliz ao ver alguns dos seus livros a emigrarem para a minha biblioteca, e sempre que via um dos seus velhos livros na minha estante, brincava comigo, dizendo-me: "Ah, vejo que este volume já foi promovido a uma patente superior!"

Ler o texto integral aqui.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Resoluções de Ano Novo

Embora não seja de resoluções de Ano Novo, elas devem ser tomadas quando é necessário e não apenas quando o novo Ano chega, este ano tomei uma decisão: LER MAIS.
O ano que passou foi um ano muito trabalhoso e, infelizmente, negligenciei um pouco as leituras. E porque as decisões não devem esperar compassos para se porem em prática, já comecei naturalmente. Depois de tantas críticas positivas decidi iniciar o ano a viajar, melhor dizendo, a acompanhar a Viagem de Salomão. Assim que acabar dar-vos-ei notícias.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

2009

Um ano novo é um caderno em branco à espera de ser anotado. Tem apenas as linhas necessárias para nos orientarmos, cabe-nos preenchê-lo como quisermos. Que a vossa escrita deste ano novo seja bela e harmoniosa.

fotografia: minha

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Feliz Natal

foto: minha

Christmas Life

If you don't have a real tree you don't bring the Christmas life into the house." Josephine Mackinnon, aged 8

The Christmas life

Bring in a tree, a young Norwegian spruce,
Bring hyacinths that rooted in the cold.
Bring winter jasmine as its buds unfold -
Bring the Christmas life into this house.


Bring red and green and gold, bring things that shine,
Bring candlesticks and music, food and wine.
Bring in your memories of Christmas past.
Bring in your tears for all that you have lost.


Bring in the shepherd boy, the ox and ass,
Bring in the stillness of an icy night,
Bring in the birth, of hope and love and light.
Bring the Christmas life into this house.

Wendy Cope

Para ouvir Wendy Cope a declamar o poema clicar aqui.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Receita de Leitura (11)

Dose de Amostra
Gabriela encolheu-se, perdida. Por que seu Nacib se zangara? Estava zangado, virado de costas, sem tocá-la sequer. Sentia falta do peso de sua perna na anca. E dos carinhos habituais, da festa no leito. Estaria zangado por Tuísca ter-se contratado de artista sem consultá-lo? Tuísca era parte do bar, ali tinha sua caixa de engraxate, ajudava nos dias de muita freguesia. Não era com Tuísca, não, que ele estava zangado. Era com ela. Não a queria no circo, por quê? Queria levá-la pra ouvir doutor na sala grande da intendência. Gostava não! No circo podia ir com os velhos sapatos onde cabiam seus dedos esparramados. Na intendência tinha de ser vestida de seda, de sapato novo, apertado. Toda aquela lordeza reunida, aquelas mulheres que a olhavam de cima, que riam dela. Gostava não. Por que seu Nacib fazia tanta questão? No bar ele não a queria, tanto ela gostava de ir... Tinha ciúmes, era engraçado. Não ia mais, fazia a vontade, não queria ofendê-lo, tomava cuidado. Mas por que obrigá-la a fazer tanta coisa sem graça, enjoada?

Jorge Amado, (2001), Gabriela, Cravo e Canela, (1ª edição 1958) Rio de Janeiro, Record.

Composição
Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado é um dos romances indispensáveis de grande escritor baiano e uma obra fundamental para quem quiser mergulhar na Bahia. O romance comemora este ano o seu cinquentenário de publicação e contém princípios activos de grande efeito sobre os amantes da leitura e da vida: amor, desejo, poder, traição, vingança.

Indicações
Este livro está indicado para todos os que se maravilharam com Gabriela, a primeira telenovela brasileira a ser exibida em Portugal. O livro oferece uma viagem mais profunda e densa que não ficou esgotada na versão televisiva. Indivíduos que não viram a telenovela devem ler este livro, sob pena de perderem uma das prosas mais sensuais da literatura de expressão portuguesa. É muito bem tolerado por quem gosta de viajar no tempo, tem ao seu dispor Ilhéus nas primeiras décadas do século XX, e para quem gosta de outras paragens, Ilhéus espera-o. Ainda resiste a esta viagem?

Precauções
Gabriela, Cravo e Canela está desaconselhado a leitores sugestionáveis capazes de sentir o aroma do cravo de Gabriela. Se experimentar uma vontade imperiosa de ajustar contas com os Coronéis deve parar a leitura. Pode sentir ocasionalmente as personagens a chamarem-no. Respire fundo, são só personagens. Indivíduos lineares ou moralistas podem ser acometidos episódios de ansiedade, o romance é rico em assuntos, personagens e perspectivas, sempre envolto numa prosa apaixonante.

Outras apresentações
Para um efeito melhorado sugere-se a leitura posterior de outras obras do mesmo autor. Atire-se sem receio a Capitães da Areia ou conheça Iemanjá, a Senhora dos Mares, em Jubiabá ou Mar Morto. Caso se mantenha o entusiasmo, passeie-se nas páginas de Zélia Gattai, mulher do escritor.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Mercados de Natal

Algures entre os finais de Novembro e o início de Dezembro surgem nos países de expressão alemã, nomeadamente Alemanha e Áustria, e em outros países da Europa Central e de Leste, Mercados de Natal. Na Alemanha, por exemplo, cada uma das cidades, vilas e aldeias tem um Mercado de Natal que variará de acordo com as dimensões da terra que o acolhe. Os de Munique e de Nuremberga são os mais famosos e chamam muitos turistas às cidades.
Muito populares, eles oferecem a oportunidade de conviver com os amigos. É comum verem-se grupos de pessoas a confraternizar, entreter os sentidos com as iguarias tradicionais e doçaria típica e a fazer compras. A oferta é variada, porém, não podem faltar decorações de natal artesanais feitas de produtos naturais entre os quais se destacam canela e cravinho e que libertam um aroma quente e adocicado, o contributo precioso para o ambiente natalício e o antídoto contra o frio cortante que se faz sentir.
A acompanhar a doçaria é obrigatório, não há Mercado de Natal sem ele, beber um vinho quente aromatizado com especiarias. Na Alemanha chama-se Glühwein e é muitíssimo popular. Para os abstémios ou para as crianças existem ponches quentes à disposição. Posso garantir-vos que são absolutamente deliciosos e obrigatórios.
Nenhuma destas experiências natalícias está completa sem música. Assim cada um dos Mercados, tem um programa específico, onde actuam grupos corais ou de instrumentos para dar o toque especial de magia à quadra.
Passear pelos Mercados é uma experiência muito curiosa e uma explosão de cor, regra geral, proveniente das decorações de Natal em exposição nas bancas.
E tudo assim fica até dia 24 de Dezembro. Depois dessa data só nos resta esperar para o ano seguinte. Até lá entretenham-se com um passeio entre as bancas, ao som da música de Natal, bebendo um Glühwein.

Christkindlmarkt, Viena
foto: minha

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Cem anos...


é muito tempo.
Aqui ficam os Parabéns ao Manoel de Oliveira pelo seu centenário com muitos filmes e cheios de vida.

Alçada Baptista


A notícia já não é nova mas não podemos deixar de assinalar aqui a partida de António Alçada Baptista. Jornalista e escritor, homem de afectos, "escritor de afectos" como gostava de se intitular, partiu no Domingo, dia 7 de Dezembro, aos 81 anos. Deixa muitos livros e a saudade de quem privou com o escritor. Aqui resta-nos a homenagem possível, a melhor que se pode fazer a um escritor, o desejo que a sua obra seja sempre lida. Até sempre.

Imagem: daqui

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Um ano de Bibliotecário

Aqui no De Mês em Quando comemoram-se discretamente efémerides, assinalam-se datas e ocasiões festivas. Desta vez a ocasião não é um Prémio Literário, o aniversário de um escritor ou qualquer outra data comemorativa. Hoje comemora-se um ano de Bibliotecário de Babel. Um blogue muito bem escrito, onde não faltam nunca notícias fresquinhas deste mundo dos livros e escritores, só pode ser comemorado. Aqui ficam os Parabéns e os desejos de que venham mais anos.

Sugestões de leitura

Com o Natal aqui tão perto, trago-vos hoje uma sugestão de leitura ou de presente, os livros são sempre óptimos presentes de natal. Desta feita trago-vos um livro inovador, não tenho conhecimento de que tenha sido escrito algo assim antes. Trata-se de Porto versus Lisboa, escrito a quatro mãos por um lisboeta, António Costa Santos, e um habitante do Porto, António Eça de Queiroz. Os Antónios, um de Lisboa e outro do Porto, juntaram-se e deste encontro - ou deverei dizer duelo?- nasceu um livro muito bem escrito, não há livros, no verdadeiro sentido do termo, se não forem bem escritos, muito bem disposto, bem humorado e muito informativo. Recomendo vivamente. Eu já li e também vou oferecer outro. De que é que está à espera?

terça-feira, dezembro 09, 2008

E o Natal aqui tão perto


Le Clézio em destaque

Este mês temos, em grande destaque, no placard dinamizado pela patrona da Biblioteca, o mais recente Prémio Nobel da Literatura, Le Clézio. Se passarem por aqui não percam, é uma maneira belíssima de nos informarmos. A espera na fila da reprografia deixou de ser uma maçada, desde os placards coloridos, há já uns anos, portanto, e passou a ser um prazer. Já cá passaram Prémios Nobel da Literatura, Prémios Camões e outros escritores que, sem Prémios e galardões, continuam a fazer as delícias dos amantes da leitura e bibliófilos. Caso não tenha de esperar pelas fotocópias, pode sempre aparecer. Vai ver que vale a pena. A literatura é como o saber, não ocupa lugar.

foto: minha

quarta-feira, novembro 26, 2008

Receita de leitura (10)

Dose de Amostra

Encantar-te-ás com poetas até conheceres um.
Com calças de poeta, camisa de poeta e casaco
de poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.

As pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes. Querem
falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.

Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
São sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,

passam entre as gotas de chuva. Não por serem
mágicos, ou por serem magros, mas por serem parvos.
A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.

José Luís Peixoto, (2008), Gaveta de Papéis, Vila Nova de Famalicão, Quasi.

Composição
Gaveta de Papéis de José Luís Peixoto é o mais recente livro de poesia do jovem escritor. Foi galardoado com o Prémio Daniel Faria 2008 e apresenta uma composição original e inédita, como se abríssemos uma gaveta recheada de memórias, lugares e até desenhos.

Indicações
Recomenda-se a leitura de Gaveta de Papéis aos aventureiros da língua portuguesa e aos apreciadores de poesia em geral. Indivíduos ousados sentiram francas melhoras no seu estado anímico. Os amantes de poesia observaram pontualmente o êxtase da linguagem poética e o bem-estar da musa da poesia a descer sobre eles ou a sussurrar-lhe aos ouvidos.

Precauções
Indivíduos austeros e lineares podem sentir-se esporadicamente irritados com a(s) liberdade(s) poéticas do escritor. Se começar a procurar rimas e métricas deve descontinuar a leitura de imediato. Indivíduos criativos e ansiosos por experiências de leitura inovadoras podem ter ímpetos de vasculhar as suas próprias gavetas à procura da poesia oculta. Deve continuar a procurar, se for muito criativo, ou parar de imediato, caso sinta que pode ser um José Luís Peixoto. Ninguém pode.

Posologia
Desconhecem-se efeitos nocivos da leitura. Ler é um estimulante poderoso da imaginação e fantasia, tem efeitos benévolos sobre a capacidade de sorrir perante as adversidades e constitui um antídoto eficaz no combate à rotina.

Outras apresentações
Se observou melhoras com Gaveta de Papéis, aventure-se com outro livro de poesia do mesmo autor, A Criança em Ruínas, ou na prosa, de leitura igualmente gratificante. Faça o que fizer, importante é mesmo ler.

domingo, novembro 23, 2008