quarta-feira, abril 29, 2009

Feira do Livro de Lisboa

Amanhã, dia 30 de Abril, a Feira do Livro de Lisboa, na 79ª edição e sob o lema "Viver a Leitura", abre as suas portas ao público. O certame durará até 17 de Maio. No local de sempre, conta com algumas mudanças este ano nas datas e horários. Contrariamente ao que acontecia antes, a feira estará aberta entre as 12.30 e 20.30 horas durante a semana,entre as 12.30 e 23.00 horas à sexta-feira e vésperas de feriados e entre as 11.00 e 23.00 horas aos Sábados e entre 11.00 e 22.00 horas aos Domingos. Além de outros eventos, este ano haverá um espaço dedicado à troca de livros, "Lisboa, Encruzilhada de Livros".
Mesmo que não seja para comprar livros, a Feira do Livro vale sempre a pena e este ano com o espaço de troca de livros com o apoio do Bookcrossing ainda mais. Para os amantes de literatura brasileira, como eu, será um grande evento, uma vez que o país convidado é o Brasil. Apareçam.

sexta-feira, abril 24, 2009

Cidades com livros debaixo do braço

Ler é sempre viajar, sair de si para chegar a um outro lugar, uma travessia, uma jornada que não raras vezes nos transforma e que nos torna sempre mais ricos. E viajar é também ler. Ler os lugares por onde passamos, os rostos, os aromas e as cores. Há uma ligação estreita entre os dois e as cidades coexistem sempre com uma outra existência, aquela que paira nas páginas dos livros que as abordam e retratam. Este texto vem provar isso mesmo. Boa Leitura e óptimas viagens!

quinta-feira, abril 23, 2009

Receita de Leitura (14) - Especial Dia Mundial do Livro

Dose de Amostra


Praga, uma das mais belas capitais europeias, ultrapassada em encantos talvez só por Lisboa e, vá lá, Paris, tem uma artéria central, a Venceslau, parecidíssima com a avenida do bacalhau no Porto, antes das obras que nela perpetraram. A Venceslau tem a forma dos Aliados e o Museu Nacional Checo remata-a lá em cima, como aquele edifício, não me lembro agora o que alberga, na Invicta. A semelhança dessas artérias surpreende o turista nacional que visite Praga e já tenha ido ao Porto, ou visto postais. São mesmo parecidas!
Pois são. Mas estátuas de S. João em Praga, viste-as! E que nem uma! Em compensação, desloque-se o português através da Ponte de Carlos, aquela que é ícone da capital checa e está para a antiga capital dos austro-húngaros como a Torre de Belém para Lisboa, ou o Estádio do Dragão para o Porto, e... Aquilo é só estátuas lindas de um lado e de outro, que o turista admirará, se conseguir tirar os olhos do belo Vltava, o rio estreitinho (tipo Douro) que banha Praga, e se não se distrair a fixar as indígenas invariavelmente bem apessoadas, ou os moçoilos checos, altos e loiros, (consoante a orientação sexual do visitante) que por lá pululam.
E quem é que tem uma estátua na Ponte de Carlos, quem é? Ora bem: Santo António!

António Eça de Queiroz & António Costa Santos, (2008), Porto versus Lisboa, Lisboa, Guerra e Paz.

Composição
Porto versus Lisboa é um livro escrito a quatro mãos em que um lisboeta, António Costa Santos, e um portuense, António Eça de Queiroz, digladiam argumentos em favor de cada uma das cidades mais emblemáticas do país e que frequentemente se encontram envoltas em duelos bairristas.

Indicações
Este livro está indicado para todos os leitores sem excepção. Porto versus Lisboa está particularmente indicado para indivíduos que julgam já conhecer tudo sobre as cidades lusas. Se é amante de Lisboa não pode perder este livro. Se é um adepto fervoroso da Cidade Invicta não pode nem deve deixar passar em vão a possibilidade de se deleitar com as estórias curiosas e divertidas de ambas as cidades e escritas de forma bem-humorada e informativa.

Precauções
Porto versus Lisboa é muito bem tolerado por todos os indivíduos que mantenham acesa a curiosidade de saber mais sobre o Porto e sobre Lisboa. Alguns leitores portuenses observaram episódios esporádicos de euforia ao verem a sua cidade tão bem retratada. Os leitores lisboetas mantiveram a sua auto-estima ao ler os elogios rasgados à capital alfacinha. Indivíduos com propensão para pensamentos e atitudes bairristas devem ler o livro sem reservas, uma vez que encontrarão argumentos convincentes.

Posologia
Este livro deve ser lido ao gosto e ritmo de cada leitor. Caso seja um portuense convicto pode iniciar a leitura pelos textos em que o Porto é rei, sem prejuízo do prazer absoluto da leitura. Caso seja um alfacinha empedernido pode também começar pelo Porto para melhor entender o encanto de ambas as cidades. Recomenda-se apenas a leitura continuada para um efeito acentuado de bem-estar. Como se diz no subtítulo Nunca ninguém falou tão bem de Lisboa e do Porto. Nunca ninguém falou tão mal do Porto e de Lisboa, por isso acorra à primeira livraria e leia!

O Caderno

Numa edição conjunta da Editorial Caminho e a Fundação José Saramago, foi editado hoje, Dia Mundial do Livro, O Caderno. Este caderno reunirá os textos que José Saramago foi publicando no blogue O caderno de Saramago, entretanto fechado. Para quem gosta da acultilância do escritor pode agora reler em papel a sua opinião sobre assuntos da actualidade.

sexta-feira, abril 17, 2009

Leite Derramado (2)

Para quem, como eu, espera e desespera pelo novíssimo livro de Chico Buarque pode agora deliciar-se com este trecho do livro.


quinta-feira, abril 16, 2009

Bienal do Livro

Entre 17 e 26 deste mês de Abril realizar-se-á em Salvador, Bahia, Brasil, a 9ª Bienal do Livro. O certame conta com a presença de vários escritores, entre eles, Luiz Ruffato, Moacyr Scliar e Ruy Castro, e incluirá uma homenagem ao grande escritor baiano, Jorge Amado, e à sua mulher, a escritora Zélia Gattai. Um dos sítios onde gostaria de estar nos próximos tempos.

quarta-feira, abril 15, 2009

Soeiro Pereira Gomes

Das leituras que fiz enquanto aluna do Ensino Básico conta-se uma obra ímpar que me acompanhou ao longo destas décadas. O livro, que me chegou às mão através da minha professora de Português no sétimo ano de escolaridade, deixou-me marcas e a espaços ainda me lembro do tom soturno e profundamente triste de Esteiros, a história de um grupo de garotos que devido às dificuldades e desprotecção social ingressa muito cedo, demasiado cedo, no mundo laboral. A obra é um marco no neo-realismo português e uma denúncia das situações precárias daquele grupo de crianças e que não tiveram o tempo pleno de uma infância doce. O autor de Esteiros, Soeiro Pereira Gomes, faria ontem, dia 14 de Abril, cem anos. Aqui fica a homenagem singela.



Imagem daqui

terça-feira, abril 14, 2009

José Franco

Partiu hoje, aos 89 anos, o Mestre José Franco. Dono de um talento incomparável espalhou a alegria a todos os que visitavam e visitam a sua Aldeia Típica, no Sobreiro.


Imagem daqui

domingo, março 29, 2009

Leite Derramado (2)

O mais recente livro de Chico Buarque, que tivemos o prazer de anunciar aqui, tem um site. Pode ler-se o primeiro capítulo do livro, informações sobre o autor e outros livros que publicou e ainda ler opiniões dos leitores e destaques da imprensa. Está tudo aqui.

quarta-feira, março 25, 2009

Receita de Leitura (13) - Especial Dia Mundial da Poesia

Dose de Amostra

À NOITE SER [MATERIAIS PARA...]

dedos quietos que crescem
pele nua
brincadeiras como o amor
pêndulo solto de sonhos
lógicas sacudidas
olhar de só-assim
modos de chegar como sementes
manobras de artesão contra o ego
desafio do «eu»
nudez de pele
de mãos
e (sob os teus olhos)
invenção de um sólido espanador de tristezas.


Ondjaki, (2009), Materiais para confecção de um espanador de tristezas, Lisboa, Caminho.


Composição
Matérias para confecção de um espanador de tristezas é o livro mais recente do jovem escritor angolano, Ondjaki, e apresenta-nos uma colectânea de poemas escritos entre 2002 e 2003, com uma imagética poderosa e aroma de paragens distantes e exóticas onde a natureza é soberana.

Indicações
Este livro está recomendado aos amantes de poesia em geral. Os apreciadores de prosa poética observaram francas melhoras com este pequeno livro. Indivíduos imaginativos e com almas nómadas sentiram um efeito redobrado de bem-estar ao viajar não só através da beleza e doçura das palavras mas também por lugares ensolarados com rios soberbos e memórias fantásticas.

Precauções
Materiais para confecção de um espanador de tristezas está altamente desaconselhado aos leitores conservadores da língua portuguesa e de formas tradicionais de poesia plenas de métricas e esquemas rimáticos. Se der por si com a pulsação acelerada e o humor alterado ao descobrir a quase ausência de rimas e uma linguagem singular deve descontinuar a leitura de imediato ou abstrair-se de que está a ler um livro de poesia. Caso o consiga, irá experimentar um alívio imediato pelo prazer da leitura sem rótulos ou géneros literários. Pontualmente registaram-se casos de indivíduos acometidos pelo desejo incontrolável de partir. Se começar a ouvir uma chuva silenciosa ou a procurar gambozinos, deixe apenas a alma voar ao encontro das paisagens do livro.

Posologia
A leitura não produz efeitos adversos. Ler faz bem às maleitas do espírito e combate a tristeza. Aproveite este Espanador para limpar as agruras que se acumulam nas estantes do dia-a-dia ou comece a confeccionar o seu próprio espanador de tristezas.

sábado, março 21, 2009

Dia Mundial da Poesia

AS MÃOS

se os dedos forem as asas da mão
se a expressão dos dedos
inexplicar o gesto da mão
se o gesto for obra esculpida
sob o suor salgado
dos dedos
e esses dedos
forem asas de outra mão
eu posso ficar preso
num poema
de curto esvoaçar
mas a mão
os dedos e os gestos
hão-de sempre
saber
voar.

Ondjaki, Materiais para confecção de um espanador de tristezas

quarta-feira, março 18, 2009

Leite Derramado (1)


Depois do êxito de Budapeste, Chico Buarque publica, no fim deste mês de Março, Leite Derramado. O livro tem cerca de 200 páginas e será publicado pela Companhia das Letras. Esperemos que a edição portuguesa não demore muito para que os fãs de Chico possam ler o livro rapidamente. Resta-nos desejar que o livro seja tão bom como Budapeste.

quarta-feira, março 11, 2009

O livreiro e as estórias

O blogue da Livraria Pó dos Livros, em Lisboa, é muito mais do um blogue de divulgação da livraria, é um sítio onde se contam estórias, as aventuras do quotidiano entregue aos livros. Segui com atenção a saga do ladrão de poesia e hoje encantei-me com este post do tempo em que se liam livros. Vale a pena todas as visitas virtuais ou reais.

ilustração: Carl Spitzweg, "The Bookworm"

quarta-feira, março 04, 2009

Materiais para a confecção de um espanador de tristezas


Sobre o mais recente livro de poesia de Ondjaki diz-nos Paulinho Assunção:

Você pode imaginar uma esquina do mundo onde Ondjaki encontra Manoel de Barros, Luandino Vieira, Guimarães Rosa, Adélia Prado, Raduan Nassar. Você pode também imaginar que essa esquina fica em Luanda, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Lisboa ou Campo Grande. Você também pode imaginar o que eu imagino ao ler este novo livro de Ondjaki. É um livro que tem um jeito de apalpar a língua como quem apalpa o dorso de um rio. Ou tem um jeito de escrever as palavras da língua como quem rumoreja sussurros para não assustá-las. E acho que o Ondjaki não tem medo de trazer para o seu livro os seus afetos todos literários. E faz bem o Ondjaki não ter medo disso porque é uma coisa muito bocó a gente esconder os afetos & as dívidas & os tributos aos que, também, como Ondjaki, gostam e gostaram de apalpar a polpa da língua como quem apalpa o dorso de uma fruta.

A não perder!

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Receita de Leitura (12)

Dose de Amostra
Que querem vocês a estas horas da noite. Os homens deixaram o portão do passal e avançaram, arrastando os pés, para a outra porta. Está alguém a morrer, perguntou o cura. Todos disseram que não senhor. Então, insistiu o servo de deus, aconchegando-se melhor com a manta, Na rua não podemos falar, disse um homem. O cura resmungou. Pois se não podem falar na rua, vão amanhã à igreja, Temos de falar agora, senhor padre, amanhã poderá ser tarde, o assunto que aqui nos trouxe é muito sério, é um assunto de igreja. De igreja, repetiu o cura, subitamente inquieto, pensando que o apodrecido travejamento do tecto tinha vindo abaixo. Sim senhor, de igreja. Então entrem, entrem. Empurrou-os para a cozinha em cuja lareira esbraseavam ainda uns restos de lenha queimada, acendeu uma candeia, sentou-se num mocho e disse. Falem. Os homens olharam uns para os outros, duvidando sobre quem deveria ser o porta-voz, mas estava claro que só tinha realmente legitimidade aquele que havia dito que ia ouvir o que se estava dizendo no grupo onde se encontravam o comandante e o cornaca. Não foi preciso votar, o homem em questão tinha tomado a palavra. Senhor padre, deus é um elefante.

José Saramago, (2008), A Viagem do Elefante, Lisboa, Caminho.


Composição
A Viagem do Elefante é o mais recente livro de José Saramago, escrito em condições de saúde muito precárias, e conta a aventura de um presente insólito que foi oferecido a Maximiliano da Áustria pelo Rei D. João III de Portugal: um elefante. Entre aventuras e desventuras a narrativa desenrola-se em torno da viagem encetada entre Lisboa e Viena.

Indicações
A leitura de A Viagem do Elefante recomenda-se a indivíduos que apreciam livros escritos num estilo peculiar e que apreciam prosas bem urdidas carregadas de metáforas e cenários imponentes de gentes diversas. Leitores que se sentem rejeitados pela prosa de José Saramago e que experimentam a solidão literária de não poderem usufruir das obras do laureado escritor português sentiram melhorias consideráveis na sua auto-estima, após constatarem que A Viagem do Elefante é de leitura rápida e acessível.

Precauções
A Viagem do Elefante está altamente desaconselhado aos guardiães zelosos de registos convencionais. Indivíduos com visão cinematográfica observaram pontualmente episódios delirantes de cenários soberbos. Foram reportados ataques de cólera em indivíduos sem capacidade de apreciar prosas idiossincráticas e críticas sociais e religiosas acutilantes. Os zelosos protectores das pontuações tradicionais devem ler este livro com muitas reservas. Caso se sintam ruborescer de fúria com a ausência de pontos de interrogação ou maiúsculas sem serem precedidas por pontos finais, de interrogação ou de exclamação devem descontinuar a leitura de imediato.

Posologia
Indivíduos excluídos da escrita saramaguiana devem iniciar a leitura com a maior brevidade possível para um efeito imediato de bem-estar. A Viagem do Elefante deve ser lido sem restrições e de mente aberta para melhor fruição.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Receitas de Leitura

Mantenham-se atentos.
Receita de leitura em preparação!

Dia dos Crepes

Decorreu ontem na Escola mais uma edição do Dia dos Crepes, organizado pelo grupo de professores de Francês da Escola. A inicitiva contou com a colaboração dedicada dos alunos, que se empenharam não só em confeccionar os crepes mas também em vendê-los e atender a comunidade escolar. O Dia dos Crepes está quase institucionalizado na Escola e é levado a cabo em honra ao dia 2 de Fevereiro, conhecido em França por La Chandeleur, uma festividade católica. Confindencio-vos que os crepes estavam deliciosos e que valiam bem o preço, afinal tão irrisório perante um momento tão doce e agradável. Resta-nos dar os parabéns aos organizadores, às professoras Gabriela Reis e Ana Gonçalves que nos atenderam tão bem, aos alunos e esperar até para o ano.