segunda-feira, maio 09, 2011

Torre de Babel

Numa praça no centro de Buenos Aires foi erigida uma Torre de Babel com livros. Tem 25 metros de altura e é composta por 30 mil livros. A iniciativa, a cargo da artista argentina Marta Minujin, tem como objectivo 'unir todas as raças do mundo'. Buenos Aires é a Capital Mundial do Livro 2011, proclamada pela UNESCO.  No últinmo dia em que a iniciativa estará patente ao público, a 28 de Maio, os livros poderão ser levados para casa. Basta escolher a língua e o título. Pena Buenos Aires ficar tão longe...

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, março 21, 2011

Dia Mundial da Poesia (7)

A hora da partida

A hora da partida soa quando
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Dia Mundial da Poesia (6)

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

Dia Mundial da Poesia (5)

E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto


Dia Mundial da Poesia (4)

Sábado encarcerado

Para ti que és o sangue e o sorriso
Ventre de mar e concha de silêncio
Para ti que és a ilha sem navios
Porto de brisa azul sem juramento

Para ti, minha imagem de proa
Meu Sábado de sol e carícia
Nesta tumba de grades que interrogam
Hora a hora para ti sustenho a vida.

Urbano Tavares Rodrigues

Dia Mundial da Poesia (3)

Encantamento

há uma palavra mágica que se diz. essa palavra
é sempre diferente. montanha, precipício, brilho.
essa palavra pode ser um olhar. a voz. um olhar.

essa palavra pode ser o espaço de silêncio onde
não se disse uma palavra. brilho,             , montanha.
essa palavra pode ser uma palavra, qualquer palavra.

há uma palavra mágica que se diz. há um momento,
depois dessa palavra, só depois dessa palavra,
pode começar o amor.

José Luis Peixoto

Dia Mundial da Poesia (2)

deserto em mim
paz e aceitação.

lamas e cicatrizes
mistérios e pactos
inscritos a fogo
no terreno sagrado da mão.
apago-o
incenso na carne:
um cigarro não me matará

os seus dias
o seu peso
talvez.

Ondjaki

Dia Mundial da Poesia (1)

fast forward

Por muito
que aceleres

- duas vezes,
quatro vezes -

nunca deixas
de ter pressa.


José Mário Silva

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

And the Oscar goes to...


Um filme intenso e um papel soberbo. Absolutamente merecido.

World Book Night

Está mesmo aí a chegar uma iniciativa que será a total loucura para os amantes de livros e da leitura. Será no próximo dia, 5 de março, no Reino Unido e Irlanda. Cerca de 20.000 adoradores deste objecto precioso que guarda letras e universos irão oferecer 1 milhão de livros. A iniciativa é levada a cabo pelas editoras, livreiros, autores e bibliotecários e tem o apoio de figuras proeminentes como Colin Firth, J. K. Rowling, Nigella Lawson, Seamus Heaney e David Gilmour. Consultem aqui os livros que vão ser oferecidos. Recomendo desde já Beloved de Toni Morrison, Toast de Nigel Slater e The curious incident of the dog in the night-time de Mark Haddon.
E pronto, já sabem, dia 5 de Março, irei desejar ardentemente estar no Reino Unido, pode ser Londres, Oxford ou Edimburgo. Importante esra mesmo estar. Enquanto me fico por este desejo, vou esperando que por cá se leve a cabo uma iniciativa semelhante.

domingo, fevereiro 27, 2011

Moacyr Scliar

O escritor gaúcho Moacyr Scliar deixou hoje de luto as letras brasileiras e a literatura de expressão portuguesa. Quando os escritores nos deixam, ficam as obras, mas permancerá o vazio de não haver mais livros por aquela mão. Universos que se apagam.

Notícia da morte de Moacyr Scliar e site do escritor

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Correntes d' Escritas

Já na sua 12ª edição está aí mesmo a chegar o Correntes d'Escritas, o encontro de escritores de expressão que já começa a ser tradição depois de uma dúzia de anos. O evento é promovido pela Câmara Municipal da Póvoa do Varzim e irá ter lugar de 23 a 26 deste mês de Fevereiro. Abrange uma vasta gama de acontecimentos que serão o deleite dos amantes da literatura: debates, lançamentos de livros, sessões de poesia, concursos, atribuição de prémios e mesas redondas. Dos livros que vão ser lançados, dois chamaram-me a atenção: Havana, ano zero de Karla Suárez e Última Paragem: Massamá de Pedro Vieira. Aqui fico à espera, cheia de pena de a Póvoa do Varzim ser tão longe.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Dia de S.Valentim (10)



Love is faith.

Dia de S. Valentim (9) - Receita de Leitura

Dose de Amostra
Qualquer que tivesse sido a nossa diversão na noite anterior, por mais tarde que tivéssemos chegado e por mais que eu tivesse bebido, pela manhã, mal a luz surgia por entre as lâminas das persianas, projectando no tecto estranhos reflexos das ondas do Bósforo, eu levantava-me e subia as persianas, e de todas as vezes ficava maravilhado com a quase explosão de beleza que entrava pela janela. Para meu espanto, sentia aquele enlevo que apenas surge com um reacordar, com a descoberta das belezas esquecidas da vida — pelo menos, eu assim queria acreditar. A sempre perspicaz Sibel, apercebendo-se do meu estado de espírito, vinha pôr-se ao meu lado, vestida com a sua camisa de noite de seda, e as tábuas do soalho rangiam ligeiramente sob os seus pés, e juntos admirávamos a beleza do Bósforo, o barco de pesca vermelho que o atravessava, sacudido pelas ondas, a névoa que se erguia acima das colinas sombrias e cheias de árvores da outra margem e a forma como o primeiro ferry-boat da manhã se inclinava ao cortar a corrente, assobiando como um fantasma.

Orhan Pamuk, (2010), O Museu da Inocência, Lisboa, Editorial Presença.


Composição
Kemal, um jovem de Istambul proveniente de uma família abastada, apaixona-se perdidamente por Füsün, uma jovem de origens sociais humildes e não muito bem aceite pela sociedade istambulense de finais dos anos setenta. O Museu da Inocência não é apenas mais um livro sobre o amor, contudo. Nele encontram-se décadas de vida turca a braços com alterações sociais e políticas, um verdadeiro roteiro por Istambul, um catálogo do museu com os inúmeros objectos coleccionados por Kemal ao longo de décadas e uma elegia ao sentimento turco de nostalgia, hüzün.

Indicações
Recomenda-se a leitura d’ O Museu da Inocência aos amantes de prosas longas e interessados pela História e cultura de um povo. Amantes de viagens e cidades exóticas experimentaram sensações de bem-estar ao encontrar-se numa das mais vibrantes cidades europeias, Istambul. Indivíduos com tendência para o coleccionismo regozijaram ao identificar-se com Kemal. Leitores obcecados pelos objectos quotidianos como testemunho do tempo leram O Museu da Inocência com entusiasmo.

Precauções
Em leitores românticos foram observadas pontualmente alterações do ritmo cardíaco e lágrimas teimosas indiscretas pelo amor sofrido de Kemal e Füsun. Viajantes intrépidos sentiram ansiedade em alguns capítulos. O ímpeto de procurar o passaporte e aventurar-se na senda do verdadeiro Museu da Inocência em Istambul, cuja abertura se adivinha para este ano de 2011, foi um dos efeitos secundários reportados. Os amantes de mapas foram vistos a localizar a ficção na cidade de Istambul. Descontinue a leitura apenas por uns momentos. Resista por agora ao apelo do Bósforo mas não desista.

Outras apresentações
Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura em 2006, tem uma vasta obra, Aventure-se pois para novas experiências em Istambul, Memórias de uma Cidade. Caso prefira ficção, entre em Uma Vida Nova, o livro que granjeou muito êxito a Pamuk na Turquia e que deixa o leitor sem fôlego.

Dia de S. Valentim (8)

liegen, bei dir

ich liege bei dir, deine arme
halten mich, deine arme
halten mehr als ich bin.
deine arme halten, was ich bin
wenn ich bei dir liege und
deine arme mich halten.

Dia de S. Valentim (7)

Conta a história que Bono terá escrito esta canção para a mulher, Alison, para se redimir por não ter estado presente no dia do seu aniversário. E quem resiste a uma bela declaração de amor?