quinta-feira, junho 05, 2008

Receita de Leitura (8)

Dose de Amostra

A Feira do Livro é estar sentado debaixo de um guarda-sol às listras a dar autógrafos e a comer os gelados que a minha filha Isabel me vai trazendo de uma barraquinha três editoras adiante, preocupada com as atribulações de um pai suado, de repente da idade dela, a escrever dedicatórias, de língua de fora, numa aplicação escolar. Isto não é uma queixa: gosto das pessoas, gosto que me leiam, gosto sobretudo de conhecer as pessoas que me lêem e me ajudam a sentir que não lanço ao acaso do mar garrafas com mensagens corsárias que não se sabe onde vão ter, e gosto dos romances que escrevi. Tenho orgulho neles e tenho orgulho em mim por ter sido capaz de os fazer. De modo que ali estou, satisfeito e tímido, acompanhado pelo Nelson de Matos que me pastoreia com paciência, com uma placa com o meu nome e as capas em leque à minha frente, um pouco como a sensação de vender bijuterias marroquinas nos túneis do Metropolitano do Marquês ou fatos de treino fosforescentes na Feira do Relógio, que os leitores folheiam, compram, me estendem para o selo branco, e eu em lugar de lhes explicar obsequioso e seguro que os livros não debotam nem encolhem na máquina limito-me por falta de vocação cigana a pôr a etiqueta lá dentro
(Deus sabe o que me apetece às vezes assinar Hermes ou Valentino)
e a devolvê-los com o sorriso lojista de quem garante qualidade e boa malha.

António Lobo Antunes, (1998), Livro de Crónicas, Lisboa, Dom Quixote.


Composição
Livro de Crónicas de António Lobo Antunes é uma mescla de crónicas datada de 1998. Neste primeiro volume de crónicas as deambulações situam-se no quotidiano e nas existências de gente comum em que algumas facetas do escritor transparecem e ele próprio se nos revela.

Indicações
Recomenda-se a leitura a indivíduos com gosto pela leitura de estórias urbanas e apreço pelos pequenos enredos que tecem o dia-a-dia de que as vidas são feitas. Livro de Crónicas aconselha-se aos amantes de uma prosa bem escrita, carregada e emoções e simultaneamente salpicadas com o olhar bem-humorado e lúcido sobre a realidade. Os apreciadores de registos autobiográficos e estórias bem contadas observaram francas melhorias, bem como os curiosos pelo escritor e a pela sua vida. Está também aconselhado aos leitores que se sentem excluídos pela prosa de António Lobo Antunes e com fortes sentimentos de incapacidade perante a leitura do consagrado escritor.

Precauções
Livro de Crónicas está altamente desaconselhado aos puristas da língua portuguesa. Podem ocorrer ataques de fúria ao ler a prosa fragmentada e polifónica. Recomenda-se parcimónia na leitura aos fervorosos defensores das regras gramaticais e adeptos incondicionais de pontuações tradicionais. Caso se sinta ruborizar de raiva com as letras minúsculas frequentes no início das frases ou se encontre involuntariamente de lápis na mão a corrigir o livro, deve parar de imediato a leitura.

Posologia
Indivíduos que consideram António Lobo Antunes impenetrável e de leitura difícil devem iniciar a leitura com tranquilidade em dias de lazer e remanso. Todos os que procuram em vão penetrar na obra do consagrado escritor devem encetar a incursão pelo Livro de Crónicas quanto antes, sempre ao ritmo do prazer que só a leitura de grandes livros proporciona.

quarta-feira, junho 04, 2008

Paradeiro

Pode parecer que já fomos de férias ou que nos ausentámos, tal a falta de notícias, mas têm acontecido muitas actividades na escola e o blogue acabou por não ter a actualização devida. Aqui ficam as desculpas e o regresso. Voltámos!

sexta-feira, maio 23, 2008

Meu Portugal Brasileiro

Os duzentos anos da partida da corte de D. João VI para o Brasil tem sido comemorados de várias formas, tanto em Portugal como no Brasil A literatura, já se sabe, não é indiferente às efemérides. Servem também como inspiração para o nascimento de mais livros. Nós, os amantes da leitura e dos livros, agradecemos, já se sabe. Surgiram livros de história, naturalmente, mas a ficção foi também contemplada. Com publicação recente destaco Meu Portugal Brasileiro de José Jorge Letria. Confesso que ainda vou nas primeiras páginas, mas a prosa é escorreita e a história apaixonante. Deixo-vos com a sinopse do livro que consta na badana:

A bordo de uma das naus da frota que leva a família real para o Brasil, em finais de 1807, vai um jovem oficial que tudo deixa em Lisboa - família, noiva e muitos sonhos - para cumprir o seu dever de militar. Os anos que se seguem vão ser de emoção, sofrimento e permanente descoberta. Estando perto da família real, conhece as suas grandezas e misérias, mas também observa de perto o drama da escravatura.
Dessa experiência nasce um livro de memórias ficcionadas que tem o tempero forte da aventura, da intriga de corte, das amizades que nascem para durar e das paixões que o tempo não deixa morrer.
Meu Portugal Brasileiro é um livro comovido e comovente, no qual realidade e ficção se misturam numa verdadeira celebração da História e da vida que liga dois povos: um filho que o pai já perdera a esperança de conhecer, os ideais que mudam vidas inteiras, os feitiços que os escravos de origem africana sabem fazer e desfazer, as perversidades de uma rainha que nunca gostou do Brasil, as conspirações e boatos sobre a sexualidade ambígua de um rei que gosta de música e de frango assado, a personalidade única de um príncipe que se torna imperador do Brasil.
Um livro que apetece ler e reler, em Portugal ou no Brasil, porque é uma longa viagem de ida e volta ao fundo da memória de um homem que nunca desiste de sonhar e de acreditar. Uma verdadeira celebração da História e da vida que une dois povos e duas culturas.

domingo, maio 18, 2008

Zélia Gattai


Mais conhecida como a mulher de Jorge Amado, Zélia Gattai publicou também livros e deixa saudade com a sua partida.
Morreu ontem aos 91 anos em Salvador.

Imagem daqui

quinta-feira, maio 15, 2008

Gaveta de papéis

José Luis Peixoto foi recentemente agraciado com o Prémio Daniel Faria 2008. Para os fans do leitor só a notícia de que o livro chegou agora às bancas será suficiente, para os outros recomendo mesmo a leitura. Gaveta de Papéis, assim se chama, tem uma estrutura curiosa, como se abríssemos uma gaveta onde se encontram bilhetes, fotografias e outros objectos pessoais. Muito bom.

sexta-feira, maio 09, 2008

Ler barato (1)


E quem disse que ler sai caro? É verdade que os livros atingem preços proibitivos, mas sabemos que as Bibliotecas podem sempre ajudar e, a partir de ontem, a revista Sábado vai dar uma ajuda preciosa. Apenas pelo preço de um euro, vão sair todas as quintas-feiras, juntamente com a revista, livros de autores obrigatórios da literatura contemporânea. Ontem saiu um que recomendo vivamente, Como Água para Chocolate da Laura Esquivel, e como foi o lançamento da colecção, o livro foi grátis com a aquisição da revista. Seguem-se obras de Philip Roth, Gabriel Garcia Márquez, Nadine Gordimer, Paul Auster, John Coetzee e Mário Vargas Llosa. De 8 de Maio a 26 de Junho. A não perder.


Imagem daqui

quinta-feira, maio 08, 2008

Cinco livros e mais um

Por sugestão da professora Jacqueline Duarte, Coordenadora do Centro de Recursos Poeta José Fanha e também porque este meme foi aberto a quem quisesse participar, vou responder ao desafio. As regras ditam que se devam escolher cinco livros ou autores da nossa preferência e um que mereça apodrecer na estante, destino cruel para um livro.
Os meus cinco mais, por ordem aleatória:

1. Livro de Crónicas de António Lobo Antunes, um livro do qual não me posso separar e que me proporcionou e proporciona momentos de puro deleite.

2. Qualquer livro de ficção do Mia Couto. Não precisa de apresentações. Um dos mais criativos e intensos escribas da língua de Camões.

3. As Intermitências da Morte e o Memorial do Convento de José Saramago. São dois, eu sei, mas fiz uma pequena batota, optando aqui pelo autor.

4. A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa. Crónicas com sabor a trópicos.

5. Morreste-me de José Luís Peixoto, pelas palavras sentidas sem serem lamechas, pela homenagem ao pai e por razões de coração.

E agora a parte pior para quem gosta de livros e de leituras: deixar apodrecer um na estante... Só a imagem arrepia, mas vale naturalmente pela metáfora e, assim sendo, na minha estante apodreceriam todos do Paulo Coelho.

Imagem daqui

Vontade própria

Há uma crónica de António Lobo Antunes que transcrevi parcialmente neste post e que me ocorre sempre que a informática me prega uma partida, como é o caso agora. Quando inciei este blogue, decidi não abrir a caixa de comentários. Volvido um ano e meio sensivelmente mudei de opinião e, como não gosto de falar sozinha, decidi abrir os comentários aos estimados visitantes e frequentadores deste blogue. E o que é que aconteceu? Nada. Nadinha. O Blogger e/ou o próprio De mês em quando, quem sabe ofendidos pela minha atitude incial, não deixam que a caixa de comentários fique visível. Se clicarem na hora do post, a caixa aparecerá, talvez seja por timidez que se mantém escondida, mas a verdade, verdadinha é que a queria à vista de todos para que pudessem deixar as vossas opiniões, comentários, sugestões. Quando o blogue tem vontade própria não há nada a fazer. Esperemos que lhe passe o amuo, entretanto.

sexta-feira, maio 02, 2008

El Juego del Ángel


Depois do êxito de A Sombra do Vento, um dos livros que recomendo vivamente e cuja receita podem ler aqui, Carlos Ruiz Zafón acaba de publicar El Juego del Ángel. Aguardo ansiosamente a versão portuguesa.

Homenagem

Ontem, dia um de Maio, a patrona do nosso Centro de Recursos/ Biblioteca, Professora Maria Luísa Barros, foi homenageada pela Câmara Municipal de Mafra, nas comemorações do Dia do Município. Foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito, grau ouro, entregue pelo Presidente da Câmara, Engenheiro Ministro dos Santos, numa cerimónia singela mas carregada de significado para quem dedicou toda a sua vida ao ensino e continua a dinamizar o placard à porta da nossa Biblioteca.

quarta-feira, abril 23, 2008

Um dia especial uma receita especial

Eu sei que já vos tinha apresentado A Sombra do Vento aqui, mas para um dia especial como o Dia Mundial do Livro, que curiosamente tem muitas ligações à cidade de Barcelona, porque hoje se celebra o Dia de San Jordi, só podia recomendar um livro igualmente especial. Fiquem então mais uma vez com um livro notável e deixem-se seduzir pelo mistério.

Receita de Leitura (7) - Especial Dia Mundial do Livro

Dose de Amostra

Salpicando os corredores e plataformas da biblioteca perfilava-se uma dúzia de figuras. Algumas delas voltavam-se para cumprimentar de longe, e reconheci os rostos de diversos colegas do meu pai do grémio de alfarrabistas. Aos meus olhos de dez anos, aqueles indivíduos afiguravam-se uma confraria secreta de alquimistas a conspirar nas costas do mundo. O meu pai ajoelhou-se ao pé de mim e, sustendo-me o olhar, falou-me com aquela voz leve das promessas e das confidências.
— Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito.

Carlos Ruiz Zafón, (2004), A Sombra do Vento, Lisboa, Dom Quixote

Composição
A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón conta a história de Daniel Sempere que, numa manhã misteriosa, é levado pela mão de seu pai a um local enigmático: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Daniel recolhe um livro que altera o rumo da sua vida e vai-nos guiando freneticamente pela Barcelona da primeira metade do século XX.

Indicações
A Sombra do Vento está indicado a indivíduos com grande imaginação, amantes de fantasia, mistério e de histórias de amor arrebatador. É muito bem tolerado pelos bibliófilos e apreciadores de romances longos com travos suaves de romance policial. Indivíduos interessados em História e na cidade de Barcelona observaram francas melhoras no seu estado geral. Ao contrário de outros livros, o prazer da leitura intensifica-se logo após a leitura das primeiras páginas.

Precauções
Indivíduos com preferência acentuada por narrativas breves e lineares não devem ler este livro. Podem verificar-se episódios pontuais de ansiedade, enquanto a trama se adensa e o ambiente gótico paira sobre o romance. Se sentir impulso de procurar o Cemitério dos Livros Esquecidos ou desejo de deambular por Barcelona na senda dos mistérios que envolvem a intriga deve descontinuar a leitura por breves momentos para regressar ao quotidiano.

Posologia
Estudos comprovam que a leitura diária aumenta o efeito de bem – estar generalizado e produz anticorpos contra a agrura do dia-a-dia.

Advertência
Os princípios activos contêm substâncias enigmáticas e apaixonantes que podem provocar dependência. Se der por si a contar os minutos para regressar ao livro ou a abdicar das horas diárias de sono para se embalar n´A Sombra do Vento, deve abrandar a leitura, sob pena de, tal com Daniel Sempere, ver a sua vida alterada por um livro.

Pare, sinta e leia

E que melhor maneira de comemorar o Dia Mundial do Livro, senão lendo? Foi isso que fizemos hoje na nossa Escola. Às dez e trinta houve um toque especial e até às onze horas, alunos e professores leram nas suas aulas e turmas. Escolhi um livro especial do Mário Prata, Schifaizfavoire, um Dicionário de Português. Depois de lidas algumas passagens, discutimos e debatemos as diferenças e semelhanças entre português de Portugal e português do Brasil, bem longe da polémica do novo acordo ortográfico, até porque a riqueza e humor da escrita de Mário Prata convidam a uma boa leitura e melhor fruição e conversa.

terça-feira, abril 22, 2008

O mundo numa biblioteca

Ontem foi um dia diferente, pelo menos para mim. A convite da professora Jacqueline Duarte, Coordenadora do Centro de Recursos Poeta José Fanha, da Escola EB 2/3 da Venda do Pinheiro, no âmbito das Comemorações do Dia do Livro, fui partilhar uma das descobertas mais interessantes da minha vida: o Bookcrossing. Esperava-me um grupo de alunos, previamente inscritos para a actividade, que estiveram atentos e interessados. Assistiram ao vivo ao registo de um livro, manusearam um que já tinha viajado em bookring, trocámos opiniões e libertei um livro que espero lhes traga muito prazer e diversão. Claro que também lhes falei da nossa OCBZ, a primeira do concelho. Resta-me agradecer a todos os que me acolheram tão bem, com uma palavra muito especial à professora Jacqueline. E agora para terem uma ideia de como foi, espreitem a reportagem do acontecimento. Foi um prazer participar e estreitar relações entre as Escolas. Obrigada mais uma vez.

segunda-feira, abril 21, 2008

Da imprensa

Fala-nos da vida e da morte, da sua doença recente, da escrita, dos rituais que afirma não ter, e promete um novo romance no qual se encontra a trabalhar, A Viagem do Elefante, para o Outono próximo. A partir de 23 de Abril será também possível ver, no Palácio da Ajuda, a exposição sobre a vida e obra do único português laureado com o Prémio Nobel da Literatura, "A Consistência dos Sonhos", inaugurada primeiro em Lanzarote em Novembro passado. Dez anos depois do Nobel, José Saramago, mostra-se igual a ele mesmo nesta entrevista ao Semanário "Sol". Daqui desejamos as melhoras efectivas e aguardamos o novo romance ansiosamente.


imagem daqui

sexta-feira, abril 18, 2008

Receita de leitura (6)

Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro, e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa-dos-ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos.

José Cardoso Pires, (1997), Lisboa, Livro de Bordo, Lisboa, Dom Quixote.

Composição

Lisboa Livro de Bordo é um livro do escritor José Cardoso Pires sobre a cidade de Ulisses, onde o seu olhar sobre a cidade se desenha a cada página. O livro foi escrito para uma série sobre a cidade de Lisboa a pedido da edilidade, tendo sido o primeiro da série.

Indicações
Este livro está recomendado para os amantes da cidade de Lisboa, para os curiosos e para qualquer leitor em geral que aprecie um bom livro, sem pretensões a romance. É muito bem tolerado pelos interessados sobre a cidade que procuram o casamento perfeito entre alguns dados factuais e a vivência da própria cidade, povoada pelo seu encanto e diversidade, pelos seus poetas e escritores, por alfacinhas e forasteiros.

Precauções
Está desaconselhada a leitura aos amantes de romance e de prosas longas. Os amantes da cidade de Lisboa observaram melhoras evidentes, mediante a forma lisonjeira com que a cidade é sentida e descrita. Caso seja um ávido leitor de não ficção deve estar atento aos sinais, uma vez que o tom poético da escrita pode desviar, por instantes, o percurso factual e causar-lhe distúrbios. Deve descontinuar a leitura se ficar absorto e errante entre o miradouro da Graça e o Terreiro do Paço, a observar o rendilhado dos calceteiros ou a glorificar a luz de Lisboa em momentos de trabalho intenso.

Posologia
Deve ser lido de uma assentada, como um dia de passeio por Lisboa, e relido momentos mais tarde para melhor apreciar a intensidade das palavras e familiarizar-se com a vida da e na cidade de Ulisses. Desconhecem-se efeitos secundários. A leitura não tem efeitos nocivos.

quinta-feira, abril 17, 2008

A viagem nos livros

Estava um dia de chuva, diz-se logo no início da narrativa, não um dia de sol como o desfilava na imagem à minha frente das transmissões do Carnaval de Salvador, e, ao contrário de Ivete Sangalo, Sereia não vestia de branco nem tinha um imenso leque de plumas, armado como uma auréola ao nível dos quadris, o cruzamento feliz entre a exuberância do pavão e a elegância do cisne. Sereia envergava uma fantasia em malha metálica que descia até ao chão como uma cauda reminiscente do seu próprio nome, Sereia, os seios e a barriga cobertos de purpurina prateada iluminados pela chuva de Salvador. Sereia, ao contrário de Ivete, tinha cabelos de ouro e olhos cor de mel, era uma boa dezena de anos mais nova do que Ivete, contava apenas vinte e dois, e ao contrário de Ivete, felizmente para esta, Sereia viu chegar o seu fim naquela terça-feira de Carnaval, em pleno desfile, como havia desejado, do alto do trio eléctrico na Avenida Carlos Gomes. Uma bala com a inicial do seu nome pôs fim à carreira promissora e catapultou Sereia, senão aos céus ou às profundezas dos mares de Iemanjá, ao estatuto de mito a que todas as mortes trágicas e jovens obrigam. Salvador chora inconsolável a partida inesperada da promissora estrela, assistimos ao funeral ao som do Olodum no Bonfim e perseguimos Augustão, o detective encarregue de resolver a morte precoce e inexplicável de Sereia, pelas ladeiras e ruas íngremes de Salvador. Acompanhamo-lo inúmeras vezes ao terreiro de Mãe Marina de Ogum e é também pelos seus olhos que contemplamos a Baía de Todos os Santos. Sereia é apenas o pretexto para Salvador se revelar em O Canto da Sereia de Nelson Motta, impregnado de estereótipos -música, mestiçagem e candomblé- mas com um roteiro implícito, uma viagem única à baianidade contemporânea e à qual regressaremos sempre, assim abramos as páginas do livro e a alma à escrita. Talvez por isso, este seja dos livros que mais viaja da estante para a mesa-de-cabeceira, da mesa-de-cabeceira para o sofá ao meu lado. Com ele há sempre um périplo renovado pela cidade do Salvador e um crepúsculo tranquilo sobre a Baía de Todos os Santos.

Elevador Lacerda e Baía de Todos os Santos
Salvador, Brasil

foto: minha

sábado, abril 12, 2008

Acção de sensibilização


Partindo mais uma vez da Área de Projecto, vai ter lugar no próximo dia 19 deste mês de Abril, uma Acção de Sensibilização para o Cancro da Mama. A iniciativa está a cargo do grupo 5, da turma A, do 12º ano, composto pelos alunos Alexandre Pinheiro, André Bastos, Filipe Antunes, Isabel Santos e Rute Gonçalves, que optaram por este assunto para a Área de Projecto para informar e alertar para a importância da prevenção do Cancro da Mama. O evento é realizado em parceria com a Câmara Municipal de Mafra, o Centro de Saúde de Mafra e a APAMCM - Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama e tem o apoio de várias entidades. Portanto, toca a apontar nas agendas ou a deixar lembretes no telemóvel, embora um evento destes não necessite de mais para o esquecermos. A saúde diz respeito a todos nós, homens e mulheres. Dia 19 de Abril, no Auditório Beatriz Costa em Mafra, pelas 9.30h. Aparece!

Imagem daqui

quinta-feira, abril 10, 2008

Sugestões blogosféricas

Para os amantes de livros exitem dois blogues obrigatórios: o Bibliotecário de Babel e o Lerblog, o blogue da revista Ler que vai regressar sob a direcção de Francisco José Viegas. Dois blogues a visitar diariamente e que recomendamos vivamente.

segunda-feira, abril 07, 2008

Cão como alguns de nós

Quem conhece a nossa Escola há uns anos ter-lhe-á notado uma particularidade que, parece-me e conheço algumas escolas, não é comum a muitas: a nossa Escola tinha um cão, uma mascote, por assim dizer. O cão terá aparecido por cá há uns anos largos, não há consenso quanto à data específica, e aqui ficou acarinhado por muitos, sem desprimor para ninguém, em particular pela Dona Tucha da Secretaria, pela patrona da nossa Biblioteca, a Professora Maria Luisa Barros e pela professora Alda Braga. Estas três dedicadas donas do cachorro tudo fizeram para que tivesse uma vida faustosa, mais faustosa do que outras vidas caninas: trataram dele quando esteve doente, bem como outras pessoas, e para mimá-lo ainda mais, além de lhe trazerem comida, que também eu trazia numa marmita depois do almoço, ofereciam-lhe, a espaços, um delicioso croquete. O Saramago adorava os croquetes e sabêmo-lo, porque os saltos e pulos evidenciavam tamanha alegria e gratidão. Infelizmente, o Saramago não era um cão jovem e, como tal, viu o seu fim chegar na passada sexta-feira, depois de ter sido muito acarinhado pelos seus guardiães. Que fique em paz, o nosso Saramago, cá para mim anda a moer o juízo aos outros cães da eternidade canina, que ele era um rapaz muito temperamental e, se na eternidade houver motas, tenho a certeza que a esta hora já lhes terá ladrado com afinco...
foto: minha

Ao Saramago

A professora Alda Braga, muito dotada no que respeita à escrita de quadras, era uma das fiéis amigas do nosso Saramago e, como não podia deixar de ser, assinalou a partida do nosso canito com todo o sentimento e dedicação. Ora leiam lá:

Nada é eterno… perene
A vida é mesmo assim…
Nada há que a condene
Quem tem começo… tem fim!

Lá se foi o Saramago
Da Escola o guardião…
Sedento do nosso afago
Do croquete … “comilão”…

Deixou seu lugar vazio
Já não refila ao portão
Já velhinho… lá partiu
O nosso saudoso cão!

Há mais silêncio à entrada
Não há desvios pró lado…
Casota desocupada …
Seu dono será lembrado!


5 de Abril, 2008
Prof. Alda Braga

sexta-feira, março 14, 2008

Official Crossing Zone

ou seja, zona oficial de Bookcrossing, que passou a ser uma realidade na nossa escola. A partir de agora se quiseres libertar livros ou ir à caça podes fazê-lo à entrada da nossa Biblioteca/Centro de Recursos. Mais informações na nossa estante virtual aqui. Podes ver os livros que há, os que viajaram e os que estão em bookring. Qualquer informação contacta-me.

segunda-feira, março 03, 2008

Maria Gabriela Llansol


A literatura ficou mais pobre com a partida da escritora Maria Gabriela Llansol, hoje aos setenta e seta anos. Leiamos os seus livros em sua memória e na celebração da literatura.
Notícia aqui

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Na rota dos livros

Esta notícia, que percorreu a blogosfera e a que os bibliófilos não ficaram indiferentes, ofereceu-me um belíssimo roteiro apadrinhado pelo sonho e alimentado por duas das minhas preferências: viagens e livros.
Por exemplo, podia ir daqui ao Porto, para visitar a Lello, e com a quantidade de voos low cost a sair da Invicta não seria nada difícil partir para outro local da Europa. Talvez Glasgow, muito embora a livraria me deixe algumas dúvidas. Depois seguiria para Bruxelas, para espreitar a Posada, até porque não encontro uma imagem e sou um espírito curioso. A cidade seguinte seria Maastricht. A Boekhandel Selexyz Dominicanen é um deleite também pela simbologia da religiosidade e espiritualidade que os livros podem encerrar. Depois de me refazer de tanta beleza, rumaria decididamente a sul numa das minhas ansiadas viagens: Buenos Aires, que obviamente depois desta descrição, ficou decididamente inscrito no meu roteiro de viagens futuro, espero que não muito. De volta, e porque não estamos longe, daria uma saltadinha fugaz à mais bela cidade do mundo, o Rio de Janeiro e entre coisas várias e tão simples como uma água de coco no Calçadão de Ipanema com o Morro Dois Irmãos do meu lado direito se contemplasse o Atlântico ou o Cristo Redentor a erguer-se no morro se voltasse a costas ao mar, difícil é escolher a vista na Cidade Maravilhosa, iria direitinha à Livraria da Travessa na Visconde de Pirajá, para celebrar o meu primeiro livro comprado em terras de Vera Cruz. Voltaria depois a casa, a mala prenhe de livros e a alma a transbordar. Sentar-me-ia por aqui a empanturrar-me de livros e a digerir tanta beleza. Sonhar não custa.

Imagem daqui

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Receita de leitura (5)

Nefertiti: seu olhar de pedra parado há milénios, esfíngico. Uma mosca pousara no ombro de Nefertiti, porque no ângulo do seu ombro corria uma brisa soprada pela ventoinha suspensa do tecto, na sala 48 do Museu do Cairo. Seu olhar lazúli olhava-me, sereno, sem curiosidade nem medo - um olhar quieto e líquido. Duas da tarde, no Museu do Cairo. Pelas janelas de ripas de madeira chegava o rumor espesso da rua. Catorze milhões de egípcios dormiam nas sombras e nos passeios das ruas do Cairo, esperando a passagem sofrida das horas do calor e do Ramadão. Duas da tarde, catorze milhões, 36 graus à sombra.
Uma gota de suor escorria agora da testa de Nefertiti. Lentamente tirei o lenço do bolso das calças e limpei-a. Não sabia que as estátuas transpiravam. Imaginava-as frias e suaves na sua placidez de pedra e ónix. Mas nunca vira o Cairo em Abril, quando o sufoco quieto do ar traz apenas uma leve, longínqua lembrança, do restolhar líquido do Nilo.
O Nilo – o rio mais longo e mais belo do mundo. Tudo começa e acaba neste nome de duas sílabas.


Miguel Sousa Tavares, (2004), Sul, Lisboa, Oficina do Livro.

Composição
Sul é uma compilação de crónicas de viagem de Miguel Sousa Tavares coligidas num só volume. Longe dos roteiros habituais e do estilo dos guias de viagem comuns, Sul leva-nos por paragens aquém e além fronteiras, sempre com a escrita escorreita do escritor e a sua forma única de ver o mundo.

Indicações
Sul está recomendado para os amantes de paragens longe da porta de sua casa, e para os apreciadores de uma boa prosa. É muito bem tolerado por todo o tipo de viajantes: os de mochila às costas, os sofisticados que não passam sem o hotel de cinco estrelas, os amantes de aventuras, os curiosos de culturas diferentes e os que sentados no sofá viajam através de imagens e leituras diversas sobre o mundo lá fora.

Precauções
Não se aconselha a leitura de Sul a indivíduos inquietos e com vontade acentuada de partir mundo afora. Caso tenha episódios recorrentes de tédio perante o quotidiano e seja acometido com frequência do ímpeto de galgar fronteiras e países, deve ler o livro com algumas reservas. Se der consigo à procura de folhetos de viagens e informações sobre os locais a visitar ou num estado absorto a banhar-se no Índico ou contemplando Nefertiti no Museu do Cairo deve abrandar a leitura para evitar danos maiores.

Posologia
Deve ser lido ao rimo de cada leitor, não obstante, recomenda-se uma leitura tranquila e pausada para melhor saborear cada viagem.

Outras apresentações
Se experimentou bons resultados com Sul, recomenda-se a leitura de outros relatos de viagens ou a continuação da escrita de Miguel Sousa Tavares com Equador.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Who shot Shakespeare?

Hoje foi dia de Teatro na nossa Escola. A cargo do sexto Departamento, o Departamento de Inglês e Alemão, a iniciativa trouxe à nossa Escola o grupo de teatro Interacting, com a peça "Who shot Shakespeare?". A peça era um casamento perfeito entre o CSI com intriga e mistério e as peças do grande dramaturgo inglês, tudo envolto com muito humor e uma belíssima actuação a que os alunos não escaparam. Aqui ficam as imagens possíveis e a esperança de que para o ano haja mais.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Correntes d´Escritas

Está a decorrer na Póvoa do Varzim mais uma edição do Correntes d´Escritas. Logo no início, o escritor Ruy Duarte de Carvalho foi distinguido pela obra Desmedida com o Prémio Literário Casino da Póvoa. Conta com a presença de mais de sessenta escritores do mundo lusófono e ibero-americano e, à semelhança de edições anteriores, haverá debates, colóquios, conferências, encontros com os leitores e lançamento de livros. A não perder, portanto. E para mais saber sobre Correntes d´Escritas, sugere-se a visita ao Bibliotecário de Babel, um dos blogues obrigatórios para os amantes de livros.

Bob Marley

Menos vetusto do que Padre António Vieira estaria Bob Marley que, se não tivesse partido tão cedo, teria feito sessenta e três anos no mesmo dia, nem por sombras a bonita idade que o Padre António Vieira atingiu, embora ambos tivessem respirado o ar saudável dos trópicos. Tal como o Padre António Vieira também era um defensor dos direitos humanos e tinha jeito com as palavras, mais cantadas, é certo, mas algumas letras são hinos que ficam e ficaram ao longo das décadas. E como seria hoje Bob Marley aos sessenta e três anos? Seria uma espécie de Keith Richards com dreadlocks grisalhos? Ou mais como Mick Jagger? Continuo a imaginá-lo cheio de charme e magro, o sorriso de sempre –adoro sorrisos genuínos- como mais uma vintena de filhos pelo caminho e a brindar-nos com muito mais música, mais letras e mais hinos. Uma pena ter partido tão cedo. E porque acho que Bob Marley jamais gostaria de ser lembrado com pesar, comemoremos com música.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Festival de Cinema na Saramago

Depois da Bolomania, chegou a vez do Cinema à nossa Escola. Desta feita a iniciativa é da responsabilidade do grupo Clã, da Área de Projecto do 12º H, composto pela Irina Batalha, Inês Coelho, Fábio Branco e Rita Jorge. O Festival de Cinema irá decorrer de 18 a 21 do corrente mês de Fevereiro, já para a semana, portanto, no Auditório da nossa Escola, e cada dia vai ser dedicado a um género diferente. A segunda-feira, dia 18, está indicada para os amantes do musical, uma vez que vai ser exibido Moulin Rouge, já na terça-feira, podem vir os amantes da comédia e os apreciadores dos Monty Python e, na quarta, podemos ver ou rever um belíssimo filme com e de Roberto Benigni, A Vida é bela. Muita diversidade, como se vê, tal como eles idealizaram. Desta forma ninguém ficará de fora. Agora só falta aparecerem! Parafraseando e adaptando livremente uma das linhas que ficaram célebres de um dos mestres do cinema, Alfred Hitchcock, despeço-me Until then, good-bye! Já sabem, de 18 a 21 na nossa Escola.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Receita de leitura (4)

Dose de Amostra

Escrevo num computador instalado num móvel polido que tem uma prateleira que se puxa. Muito vulgarizados, tais móveis podem encontrar-se em qualquer loja informática das grandes. Menciono este dado pessoal porque ele estabelece o cenário de desconfortáveis ocorrências, há pouco mais duma hora, aqui no meu escritório. Possuir um móvel destes não é coisa de que alguém se gabe, e eu preferiria ocultar o facto, se não fosse necessário confessá-lo.
Estava a premir a tecla F 11, quando um homenzinho magro, de fato escuro completo e chapéu fora de moda emergiu atrás do teclado e começou a fazer esforços para se içar para o tampo superior, onde se agigantam monitor e impressora. Levantava os braços, numa gesticulação que me pareceu desesperada e dava grandes saltos, em cima da consola. Calçava sapatos ferrados que tiravam do plástico x sons fortes lembrando bicadas repetidas de catatua.
Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. Acontecia-me, não raro, quando ia passear para o Jardim Constantino, depois do jantar, em certos plenilúnios. Saíam-me ao caminho por detrás das árvores e quase sempre eram mais altas e encorpadas do que eu.

Mário de Carvalho, (2000), Contos Vagabundos, Lisboa, Caminho.

Composição
Contos Vagabundos é uma colectânea de contos de Mário de Carvalho, datada de 2000, que canta as desventuras e aventuras de gente comum, os heróis do quotidiano, sem feitos valorosos nem conquistas gloriosas.

Indicações
Contos Vagabundos está indicado para os apreciadores de existências simples mas carregadas de peripécias cómicas e bem-humoradas. Observaram-se significativas melhoras em indivíduos que associam a literatura e escritos soturnos, depressivos e longos e que eram acometidos de ataques de rejeição da leitura, não podendo usufruir dos benefícios e prazer encerrados nas páginas de um livro.

Precauções
Este livro está desaconselhado a indivíduos com fixação em escritas despojadas de vocabulário rico e órfãos de fantasia. Podem verificar-se pontualmente episódios de irritação e fúria em indivíduos sem sentido de humor e obcecados pela verosimilhança na literatura. A leitura deve ser imediatamente descontinuada, se começar a procurar as personagens atrás do computador.

Posologia
Desconhecem-se efeitos de sobredosagem. Para beneficiar das potencialidades da leitura não deve descontinuá-la nunca.

Outras apresentações
Se foram observados efeitos de bem-estar com Contos Vagabundos, sugere-se uma incursão mais profunda na obra de Mário de Carvalho. Aos amantes da cidade de Lisboa recomenda-se a leitura de Casos do Beco das Sardinheiras com a maior brevidade, de forma a prolongar o efeito de bem-estar já observado com Contos Vagabundos.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Imperador da língua portuguesa

Padre António Vieira
6 de Fevereiro de 1608 - 6 de Fevereiro de 2008


Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: Homines pravis, perversisque cupidítatibus facit sunt veluti pisces invicem se devorantes: Os homens com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros.
Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes, Lisboa, Editorial Nova Ática.

Imagem daqui

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Quem dança seus males espanta

Hoje, pela manhã, fomos surpreendidos na Sala de Professores com mais uma actuação do Núcleo do Desporto Escolar - Danças de Salão. No Natal já havíamos sido presenteados com a actuação do grupo, orientado pelo Professor Luís Morgado, também ele um grande dançarino. Nessa altura não tive como registar o momento, mas hoje não podia deixar de assinalar o feito e aproveitei o telemóvel. A qualidade das imagens não é das melhores, mas vale acima de tudo pela alegria que transmitem. Parabéns! Continuem.

fotos: minhas

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Mahatma Gandhi


An eye for an eye will make the whole world blind.
Mahatma Gandhi

60 anos do seu assassinato

Imagem daqui

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Bolomania

Longe vão os tempos em que a escola se dedicava apenas à transmissão de conhecimentos. Hoje em dia, as escolas são organismos dinâmicos, onde há muitas acitvidades envolvendo não só alunos e professores mas também toda a comunidade escolar e a comunidade envolvente. A área de projecto é um óptimo exemplo desta diversidade. As temáticas vão variando, mas o contributo é inegável. Desta vez, apresento-vos uma iniciativa louvável, não só louvável como deliciosa. A Aurora Domingues, a Guida Santos, a Ingvild Slevolden, o Luís Gomes e a Sofia Monteiro, do 12º A -não estão lindos na foto?- no âmbito do projecto que têm entre mãos, e que inclui uma parceria com a Santa casa da Misericórdia, vão levar a cabo na próxima segunda-feira, dia 28 de Janeiro, no átrio do pavilhão E, a Bolomania. Como a designação indica, trata-se de uma feira do bolo, a primeira adiantaram eles, prevendo que mais se realizarão. O objectivo é angariar fundos para a Santa Casa Misericórdia e ajudar quem precisa. Calculo que a esta hora, já estejam de água na boca, mas terão de esperar até segunda-feira e deixar-se surpreender com as iguarias que eles no reservam. Para isso, toca de aparecer!

foto: minha

O carteiro

Carteiros. Sempre vi algum encanto nos carteiros, uma espécie de Mercúrios contemporâneos trazendo novidades de casa a casa, e, mesmo que o correio electrónico tenha tomado conta de uma parte substancial das comunicações interpessoais escritas, continuo a admirar estes emissários que nos dias que correm abandonaram maioritariamente as caminhadas a pé e se deslocam em veículos motorizados. Duvido que este carteiro se deslocasse através de qualquer outro meio que não fossem os seus próprios pés, não sei se por fazer jeito à ideia romanceada de carteiro que me ocupa o imaginário, se por assim ser quando se lê um texto alheio e se lhe vão juntando peças e preenchendo os espaços naturalmente deixados em branco por quem escreve para quem lê.
A pé ou de motociclo, a verdade é que este era um carteiro especial. Maldizia o peso dos livros e, certo dia, encetando conversa com o narrador em virtude da quantidade de livros que lhe deixava, descobriu para seu desencanto que não, o destinatário de todas as cartas e livros não os lia sempre e nem os lia completamente e que, além da falta pela ausência de leitura, redistribuía as encomendas por amigos, assim mesmo, se lhes ler o miolo, vocábulo usado para o conteúdo dos livros. Delicioso. O carteiro não se conformava. Como não ler? Se entrega, tem de ler. A não leitura constituía um pecadilho imperdoável, um desrespeito para com o remetente. O narrador não cede e argumenta que para o escritor é igual a leitura ou não das obras colocando um ponto final na contenda e postulando lacónico que o esvaziamento de alma a que a escrita obriga será por si só suficiente. O carteiro riposta, o narrador riposta, o carteiro surpreende o narrador com uma revelação velada acerca do ofício que lhe preenchia a vida além dos afãs de carteiro, apontando na direcção de outro carteiro também a braços com um escritor de renome, Pablo Neruda. Se Carlos Drummond de Andrade esvaziou a alma não se deixa adivinhar, espero, não obstante, que sim, a contrapartida mais do que merecida para a crónica brilhante com que nos brinda, uma das muitas que habitam nas páginas de Boa Companhia.
Imagem: Van Gogh

quinta-feira, janeiro 24, 2008

O libertino

Em destaque, no placard à porta da nossa Biblioteca/Centro de Recursos, temos Luiz Pacheco. Podem ler-se textos e entrevistas do recentemente falecido escritor e editor, tudo com a gentileza da nossa patrona que tem a paciência de nos seleccionar os textos e tornar o placard não só um deleite para os olhos, como também mais uma maneira de nos mantermos actualizados no que respeita à literatura. Apareçam!
imagem: minha

sexta-feira, janeiro 18, 2008

A trabalheira de se ser infeliz

E porque hoje é sexta-feira deixo-vos com uma citação de um dos meus autores preferidos de sempre e um autor obrigatório de expressão portuguesa. Se nunca leste nenhum livro de Mia Couto, não percas tempo, dirige-te ao nosso Centro de Recursos e procura um livro deste autor moçambicano e, como é multifacetado, podes ler contos, romance, poesia ou ensaio/não-ficção. Tudo vale menos ficar na ignorância e desconhecimento. Agora a prometida citação:

Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que a doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.

Mia Couto, (2002), Mar me quer, Lisboa, Caminho.

Portanto, já sabem, ser infeliz dá uma grande trabalheira, logo, toca a enxotar os pensamentos mais sombrios e sorrir para a vida. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, janeiro 17, 2008

As mais belas livrarias do Mundo

Para os amantes de livros, os livros e as livrarias andam de mãos dadas. Numa livraria, o tempo é de recolhimento e de comunhão plena entre o leitor e o seu objecto amado, estimado, cuidado - os livros. Quem nunca sentiu a calma na alma, a tranquilidade de um tempo de silêncio entrecortado aqui e ali apenas com o folhear das páginas ou uma troca de opiniões em surdina? O jornal britânico Guardian elegeu as dez mais belas livrarias do mundo. Nesta eleição Portugal não foi esquecido e a Livraria Lello no Porto ficou num honroso terceiro lugar. Deixo-vos agora com as imagens destes veradeiros templos de leitura. Não são uma maravilha?

1º Lugar

Boekhandel Selexyz Dominicanen
Maastricht - Holanda

Imagem daqui

2º Lugar

El Ateneo
Buenos Aires- Argentina

Imagem daqui

3º Lugar

Livraria Lello
Porto - Portugal


Imagem daqui

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Livros com pernas

E se, de repente, os livros tivessem asas, pernas ou, acima de tudo, um caminho próprio, um trilho a percorrer, tivessem encetado uma viagem sem fim à vista? E se fossem de todos e não fossem de ninguém? E se, depois de lidos, fossem libertados para ser lidos de novo e libertados outra vez numa viagem infindável, fonte de prazer sem limites, sem barreiras, sem fronteiras? No BookCrossing tudo isto é possível. Com três Rs iniciais, register (regista), read (lê) e release (liberta), o BookCrossing é um movimento internacional de partilha de livros e leituras, movido primordialmente por uma imensa generosidade, o alicerce sobre o qual todo o movimento assenta. É grátis, como convém a tudo o que implique partilha e generosidade, fácil de aceder e muito gratificante e enriquecedor, o local indicado para os leitores compulsivos e amantes de livros.
E como é que tudo funciona? É simples. Para melhor se entender, toca de aceder ao site de apoio em português aqui, assim será mais fácil compreender as siglas, a dinâmica do movimento, descarregar etiquetas, saber quando e onde há encontros e muito mais informações. O site de apoio, além de estar muito bem organizado e ter um grafismo atraente, proporciona-nos um encontro facilitado sem a barreira da língua inglesa. Depois impõe-se uma visita ao sítio internacional do BookCrossing, faz-se um registo com um endereço de correio electrónico, registam-se os livros no sítio, ganhando cada um deles o número de identificação a partir do qual vai ser possível acompanhar o percurso e viagem do livro e depois, libertam-se, emprestam-se, partilham-se. A partir de agora, há que tomar atenção, muita atenção, nunca se sabe se não vamos encontrar um livro à solta...

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Receita de Leitura (3)

Dose de Amostra

Dei então por mim a conversar com o cão, sempre que estávamos sós. Digo bem: conversar. Porque se ele nunca chegava, como pretendia, à enunciação, não tenho dúvida de que compreendia a humana fala. Pelo menos a nossa. Falava-lhe das caçadas que podíamos ter feito e não fizemos. Tentei explicar-lhe a magia da pesca, mas isso foi coisa que ele nunca aceitou. Quando voltei a caçar, normalmente na companhia do meu filho do meio, contava-lhe as proezas de cada um. Também lhe falava de versos, é verdade,como às vezes não tinha ninguém a quem ler de imediato um poema acabado de escrever, lia-o ao cão. Ele gostava. Não sei se do poema. Mas de que lho lesse. Ou do ritmo, do som, fosse do que fosse. Não que uivasse como com a música de Albeniz. Mas creio que ele também gostava da música da poesia, da alquimia do verso, da litania e da celebração mágica que todo o poema é. Algo que os bichos talvez entendam melhor do que os especialistas de literatura.

Manuel Alegre, (2002), Cão como Nós, Lisboa, Caminho.

Composição
Cão como Nós de Manuel Alegre é uma novela sobre um cão, Kurika de seu nome, que fez parte integrante da família Alegre durante muito tempo e que, ao partir, deixou saudades profundas e este pequeno livro escrito pela mestria e sensibilidade do autor.

Indicações
Este livro está indicado para os devotos incondicionais de animais, especialmente de cães. Indivíduos com gosto por leituras breves mas carregadas de sensibilidade observaram significativas melhoras com a leitura deste livro. Está indicado para quem quiser conhecer uma outra faceta do autor, longe da poesia e do romance e quem tiver curiosidade sobre as vidas quotidianas do(s) escritor(es).

Precauções
Indivíduos obcecados por estereótipos em busca de um tratado sobre o comportamento canino devem ler este livro com muitas reservas, uma vez que no composto activo está presente um cão atípico, desobediente, e com manias de humano. Podem verificar-se pontualmente episódios de tristeza. Descontinue a leitura imediatamente, caso comece a chamar pelo Kurika, a esperá-lo pela calada da noite ou a deixar-lhe uma tigela com água. Podem ocorrer ocasionalmente ataques súbitos de carinho e ter vontade de se agarrarao pescoço dos caninos.

Posologia
Não foram reportados efeitos de sobredosagem. A leitura continuada potencia os efeitos positivos e uma segunda ou terceira leitura prolonga o bem-estar e estimula a imaginação.
Outras apresentações
Como complemento sugere-se a leitura de Amados Cães e de Amados Gatos de José Jorge Letria e Gatos e mais Gatos da mais recente laureada com o Prémio Nobel da Literatura, Doris Lessing.

Bom ano

Gosto muito de computadores. Facilitam-nos a vida de forma incomensurável, ligam-nos ao mundo fora e dentro de nós, mas, apesar disso, ou talvez por isso mesmo, quando nos faltam é um problema dos grandes. Foi isso que aconteceu ontem, quando regressei à Escola e à nossa Biblioteca/ Centro de Recursos. Queria postar os votos de um bom 2008, dar-vos as boas vindas ao ano e à escola e ao De Mês em quando. Contudo, devido a um problema na rede, não o consegui fazer. Aqui ficam, com atraso, mas sentidos, os votos de um belíssimo Ano Novo, cheio de leituras e experiências positivas e gratificantes na vida pessoal e profissional.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Uma Escola, muitas culturas

Longe vai o tempo em que a Escola se vestia apenas de uma cor, apenas de uma língua e apenas de uma forma de estar. Com o advento de novas realidades sociais, a escola tornou-se o cadinho de culturas onde a diferença convive saudavelmente e onde podemos aprender ainda mais sobre outros hábitos, culturas e países. A nossa Escola não é excepção, portanto, se querem saber mais, leiam os textos abaixo, recolhidos para o placard organizado pela patrona da nossa Biblioteca e que podem ler e contemplar à porta da Biblioteca/Centro de Recursos. Quem não pode cá vir ou já leu, tem agora a oportunidade de (re)ler os textos na íntegra aqui no nosso blogue.

Norwegian Christmas

You can say that the Christmas in Norway starts at the first of December. Because that’s when we start the “countdown” to the 24th of December, we start to decorate the streets with Christmas trees and Christmas decorations. We also start to bake Christmas cookies, hang up the Christmas calendar (a special calendar that starts at the 1st of December and counts down to the 24th of December, and every day you have to open the calendar and there you get a little gift, usually chocolate or candy). Also almost all of the TV canals start to send Christmas cartoons.
Then at the 23 of December the whole family is usually together, and we decorate the Christmas tree, and put all the presents under it.
Then on the 24th of December, we celebrate Christmas. We usually start the day by going to church (not everybody does that) and then go home and watch Christmas cartoons, and eat the candy from our Christmas stockings. At lunch it’s normal to eat a traditional Norwegian porridge. And we sometimes have a little game that is called “find the almond in the porridge”. We put only one almond in the porridge before serving the porridge, and then the person who get’s the almond in the porridge, wins a marzipan pig. It’s kind of an old tradition, so not many people really know why we do this.
Then at around 6 o’clock we have the traditional Christmas dinner, it usually consist of salted and dried rib of mutton, potatoes, sausages, mashed potatoes, and foxberry jam.
Then after the dinner we open all the presents, and then we have dessert. And the rest of the evening we have fun, enjoying the company of our family, and maybe watch a little bit TV. (it’s always a lot of Christmas cartoons and series on TV at Christmas, and a lot of them are series they send every Christmas, so it is kind of a tradition to watch some of them).


Ingvild Slevolden, 12º A, aluna do Programa Intercultura

O Natal do Brasil

O Natal do Brasil é diferente do de Portugal por razões variadas:
• no Brasil é verão;
• a noite toda é festa;
• a comida é variada com churrasco, maionese e arroz branco e com frutos secos que não podem faltar;
• há uma mesa com frutas variadas e decoradas: mamão, melancia, etc.;
O Natal no Brasil é uma época do ano que representa alegria e muita festa.
Na noite do dia 24 de Dezembro há muita alegria. O calor é motivo de grandes celebrações em todo o lado, em casa, na rua ou em casa dos amigos.
Os pratos principais são o churrasco e maionese (uma salada parecida com a salada russa). Come-se também pavê e panettone que é o bolo típico do Natal, muito parecido com o bolo-rei, e que não pode faltar na noite de Natal e na passagem de ano. À meia-noite há troca de prendas, como em Portugal, e depois continua-se com as danças. A festa continua até amanhecer.
Como se pode ver, o clima é o principal motivo de festa no Brasil, pois podemos escolher lugares ao ar livre, ao contrário de Portugal que, nesta época do ano, está muito frio e toda a gente está dentro de casa.
Mas, apesar de todas as diferenças, acreditamos nas mesmas coisas, o que torna o Natal parecido no sentido espiritual. É um período que tem como objectivo unir as famílias e os amigos.

Glicyan Lima, 12º G

Natal

Para confirmar o que é o Natal
Consultei há dias o dicionário
E lá estava… o que eu já sabia
É a festa do nascimento do filho de Maria
Que mais tarde… foi para o calvário.

Natal para mim… é família
É partilha… união… solidariedade
É olhar todas as crianças com Amor
É não ficar indiferente à dor
É dar as mãos aos de mais idade.

É não pensar só em si
É ter no outro… um irmão
É estar sempre inquieto
Enquanto houver alguém por perto
Que necessite de Pão.

E o Pão… não é só alimento
Não é só estômago aconchegado
É não estar só neste Mundo
É olhar p’ra dentro bem no fundo
É ser-se melhor … que no passado.

Mas Natal… também é esperança
É ternura… é sonho… é fé
Poderá ser ainda encanto e magia
Se acreditarmos no filho de Maria
E no Homem… que foi José…


Maria Lucinda F. Gomes Silva Santos, Auxiliar de Acção Educativa

Natal na Moldávia

A República da Moldávia tem as suas tradições muito variadas, ricas e originais, as mais interessantes são relativas aos feriados de Inverno.
Na Moldávia, os ortodoxos reúnem-se para celebrar o dia de Natal no dia 7 de Janeiro, enquanto os católicos celebram o Nascimento de Cristo nos dias 24-25 de Dezembro. No dia 7 de Janeiro fazemos um jantar diferente, trocando presentes entre as pessoas mais queridas e mais próximas da família. A árvore de Natal, que simboliza para nós a vida e saúde, também está presente nas casas. Normalmente é uma árvore natural.
Na noite do Fim do Ano, no dia 31 de Dezembro, reúne-se, por fim, toda a família e os amigos para comemorar a passagem do Ano. Nesta noite temos uma tradição especial onde as crianças andam nas casas das pessoas (vizinhos) a cantar "pluguşorul", o canto especial para Ano Novo a desejar às pessoas muita saúde e felicidades para o ano novo que está a chegar, às vezes usando a campainha e, em troca, recebendo doces e dinheiro.
Também temos o Avô Gelo (Moş Crăciun), que simboliza o Inverno e a velhice do ano que está a acabar. É ele que "deixa" os presentes para todos membros da família, com especial atenção as crianças. Há pessoas que se vestem de Avô Gelo. À meia-noite há fogo de artifício e as pessoas brindam ao Ano Novo.
O Ano Novo e o Natal são muito diferentes na Moldávia. Faz muito frio, chega aos 25-30° abaixo de zero, e fica tudo branquinho por causa da neve.
Como há muitos moldavos em Portugal e como estão a habituar-se a uma cultura diferente, passam cá dois Natais: um Natal português e outro moldavo.


Cristina Martnos
12º I

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Boas notícias

Hoje, depois de década e meia de contenda entre a autarquia e o patrono da nossa Escola, José Saramago, o executivo da Câmara aprovou, por unanimidade, a atribuição da Medalha de Mérito Municipal ao escritor. Aqui no De Mês em Quando comemora-se mais uma vez a literatura!

Livros, claro!

E agora que o Natal se aproxima vertiginosamente de nada adiantará dizer que, infelizmente, a festividade se veste com todas as cores do consumismo. É uma verdade, mas um lugar-comum também, tão comum que poucos pararão para pensar e continuarão a fazer compras desmesuradamente, comendo além do razoável e praticando alguns excessos que nada têm a ver com o espírito cristão da época mas que tudo têm a ver com a prática que se foi instituindo ao longo do tempo.
Cá no De Mês em Quando, o Natal é sóbrio, sem excessos, mas obviamente não ficamos de fora e, portanto, aqui vimos fazer sugestões de presentes. E qual será o melhor presente nesta época? Livros, claro. Os livros não se esgotam numa leitura, não passam de moda, são um belíssimo antídoto para a solidão, uma maneira óptima de crescermos, viajarmos, aprendermos e, claro, de nos divertirmos também. É certo que o preço dos livros é o seu único senão. Estão caros, não há qualquer dúvida, mas se pensarmos que o podemos ler uma vez, deixar o pai ou mãe, um irmão ou uma irmã, fazê-lo também, a seguir emprestá-lo a um amigo ou amiga ou colega de escola para depois, se assim o entendermos, a ele voltar, o investimento compensa. O prazer imenso que um livro nos dá compensa logo à partida, já se sabe. Pensem nisto. Um livro é para sempre.

Boca do Inferno, por exemplo

Na sequência do post anterior, aqui uma das minhas sugestões e que estou certa agradará a muitos. Sou fiel seguidora das crónicas do Ricardo Araújo Pereira, sobejamante conhecido como um dos integrantes dos Gato Fedorento, na revista "Visão". Todas as quintas-feiras procuro avidamente a última página da revista e deleito-me com o humor e sarcasmo das crónicas. Os temas variam. Ora sobre o quotidiano ora sobre assuntos políticos da actualidade nacional ou internacional ou sobre futebol, as crónicas provocam sempre umas gargalhadas sonoras, um ingrediente fundamental para um quotidiano mais saudável e risonho. Agora as crónicas passadas encontram-se compiladas num só volume. O livro tem o título da crónica semanal Boca do Inferno e a edição é da Tinta da China. Se quiserem ler um bocadinho antes de se decidirem pela compra do livro, podem espreitar aqui.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Nikolaustag

ou seja Dia de São Nicolau. Na Alemanha, Áustria, Suiça e na Holanda hoje é o dia dedicado a este santo. Da história sabe-se que São Nicolau viveu no século IV, em Myra, na Antália, uma cidade da Anatólia, território pertencente hoje à Turquia, provinha de famílias abastadas e que se dedicou a ajudar os pobres. A lenda vai mais longe e conta que São Nicolau terá salvo abnegadamente três jovens mulheres de uma vida de mágoa, sacrifício e sofrimento. Do mito e da realidade nasceu o costume e o hábito de dedicar este dia às crianças. Espera-se que São Nicolau faça uma visita às crianças na noite de 5 para 6 de Dezembro. Se se portaram bem durante o ano, São Nicolau encarregar-se-á de as compensar e deixa-lhes nas botas, que as crianças colocaram para o efeito à porta do quarto, guloseimas. Mas nem tudo são rosas e se se portaram mal, Ruprecht, o ajudante de São Nicolau trata de as castigar, deixando, às vezes, um pau no lugar das esperadas guloseimas.
As semelhanças entre o Pai Natal dos tempos modernos e o São Nicolau são algumas: ambos se vestem de vermelho, são amigos das crianças e correm de casa a casa distribuindo alegria e presentes. Não obstante, cada um tem o seu lugar nas festividades de Natal que se aproxima e, nos países mencionados, hoje é um dia de grande alegria.