domingo, outubro 26, 2008
sexta-feira, outubro 24, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
O Jogo do Anjo
Depois do êxito estrondoso de A Sombra do Vento temos finalmente disponível em versão portuguesa o mais recente romance de Carlos Ruiz Zafón, O Jogo do Anjo. Mais uma vez na cidade de Barcelona e retomando os livros e escritores, este livro promete ser mais um sucesso. Esperemos que seja tão envolvente e apaixonante como o anterior. O meu exemplar descansa tranquilamente em casa. Espero só terminar Uma Vida Nova de Orhan Pamuk, uma leitura alucinante plena de intriga, e uma nesga de tempo para começar mais esta aventura. Aguardam-me 576 páginas de deleite, assim o espero.segunda-feira, outubro 20, 2008
quarta-feira, outubro 08, 2008
Dez anos de Prémio Nobel da Literatura

E passaram dez anos sobre o dia em que José Saramago foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, motivo de grande orgulho para os amantes da Literatura e para quem se reconhece nesta forma sublime de arte. Parabéns, José Saramago!
foto minha tirada na Exposição "A Consistência dos Sonhos"
terça-feira, outubro 07, 2008
Dinis Machado

Dinis Machado, um dos mais emblemáticos escritores do século XX, deixou-nos no passado dia três. Leiamos a sua obra, a melhor maneira de homenagear um escritor.
Imagem © rabiscos vieira
Gostávamos todos do Dinis
Gostávamos todos do Dinis. Estabelecemos o pacto – pacto de grupo – em Tróia, no clássico festival de cinema, e depois andámos anos em jantares e aniversários. Bom sinal, tanto nos juntou a alegria de sucessos, como a tristeza dos fracassos. Gostávamos todos do Dinis.
A belíssima homenagem de Manuel S. Fonseca no PNEThomem.
A belíssima homenagem de Manuel S. Fonseca no PNEThomem.
quarta-feira, outubro 01, 2008
segunda-feira, setembro 29, 2008
Machado de Assis
Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.Machado de Assis
Um dos maiores escritores de língua portuguesa, com uma obra vasta, morria há cem anos. Os homens morrem mas a obra fica e, na obra, vivem também e sempre os homens, um passaporte de letras que granjeia a eternidade.
sábado, setembro 27, 2008
sexta-feira, setembro 26, 2008
quinta-feira, setembro 25, 2008
Ainda Saramago
A Viagem do Elefante de José Saramago já pode ser espreitada. Deixo-vos aqui o bocadinho possível:
| Add Fundacao Jose Saramago's channel to your page |
quarta-feira, setembro 24, 2008
O blogger
José Saramago entrou na blogosfera com este blogue e este excelente Caderno, que a partir de hoje constam na nossa barra lateral de links. A prova viva que a blogosfera não tem idade e que está aberta a todos. Bem-vindo, José Saramago.
E mais um ano lectivo...
Olhando para a última vez que postei aqui no blogue reparo que passaram dois meses mal medidos. Muito tempo. Férias, pouco sol e incursões por outras paragens. Entretanto, António Lobo Antunes recebeu o Prémio Camões 2007 numa cerimónia cheia de significado, foi galardoado com outro prémio, o seu mais recente romance não tardará a aparecer nas bancas, bem como o de José Saramago, A Viagem do Elefante, a Leya lançou a colecção Bis com livros a preços muito convidativos e, de mansinho, chegou mais um ano lectivo. Bom ano para todos, cheio de boas leituras e muitas experiências novas. O blogue já está de novo em forma, portanto, já sabem onde vir procurar textos, palavras soltas, citações ou imagens.
domingo, julho 27, 2008
Prémio Camões 2008
João Ubaldo Ribeiro, também já referido neste texto, é o vencedor do Prémio Camões 2008. Dono de uma obra vasta entre romances e crónicas, o escritor baiano confessa-se honrado com a atribuição do Prémio. Daqui enviamos-lhe os mais sentidos Parabéns!sexta-feira, julho 25, 2008
Ler barato (2)
O Diário de Notícias vai oferecer juntamente com o jornal uma colecção de clássicos. A iniciativa decorrerá de 26 de Julho a 5 de Setembro e proporcionará uma belíssima oportunidade para não descurarmos as nossas leituras neste período de Verão.
terça-feira, junho 17, 2008
Parabéns, Ondjaki!
Aqui no De Mês em Quando estamos razoavelmente informados, é certo, mas não se julgue que, como fizemos com Fernando Pessoa e Vieira da Silva, felicitamos Ondjaki pelo seu aniversário. Felicitamo-lo por ser o vencedor do Prémio Do Conto Camilo Castelo Branco 2007, com Os da minha rua. Sou uma leitora compulsiva de escritores estrangeiros de expressão portuguesa e, pela experiência que tive com o livro, só posso e devo recomendá-lo. Em Os da minha rua, Ondjaki recupera a infância e prende-a ao texto com uma linguagem simples e ingénua, tornando o livro duplamente interessante.
E agora que as férias estão aí, já sabem, aproveitem para ler Os da minha rua e, se gostarem, aventurem-se no seu mais recente romance acabado de publicar AvóDezanove e o Segredo Soviético. Como já li o primeiro, e tenho o segundo ali a piscar-me o olho, é mesmo o que vou fazer. Se ficaram curiosos leiam mais aqui. Parabéns ao Ondjaki, mais uma vez, e boas leituras a todos.
E agora que as férias estão aí, já sabem, aproveitem para ler Os da minha rua e, se gostarem, aventurem-se no seu mais recente romance acabado de publicar AvóDezanove e o Segredo Soviético. Como já li o primeiro, e tenho o segundo ali a piscar-me o olho, é mesmo o que vou fazer. Se ficaram curiosos leiam mais aqui. Parabéns ao Ondjaki, mais uma vez, e boas leituras a todos.
imagem daqui
sexta-feira, junho 13, 2008
13 de Junho
Este é um dia importante para as artes e letras portuguesas. Não só se comemora apenas o nascimento de Fernando Pessoa, este ano a completar 120 anos, como o de Vieira da Silva, uma das mais reconhecidas artistas plásticas, que teria 100 anos no dia de hoje. Um data tão importante não podia ser deixada em vão aqui no De Mês em Quando. Parabéns aos dois!
Vieira da SilvaImagem daqui
Santo António de Lisboa
sexta-feira, junho 06, 2008
78ª Feira do Livro de Lisboa
Os amantes de livros e da leitura esperam sempre por este evento. Alguns vêem nele a possiblidade de encontrar novos livros, caçar autógrafos e conhecer escritores, existe quase uma curiosidade miudinha relativamente ao rosto e às mãos por trás da escrita,ou apenas cumprir o ritual de décadas. Parque Eduardo VII acima, as barraquinhas vão-se plantando e, em dias de sol, raros este ano, a vista para o rio Tejo lá em baixo é a cereja no topo do bolo de uma cidade tão luminosa como Lisboa e um de périplo prazeiroso entre livros e escritores. Este ano a Feira do Livro de Lisboa esteve envolta em grande polémica, temeu-se mesmo o pior, a não realização da mesma, mas lá está no sítio de sempre. Até dia 15 de Junho ainda há tempo de dar uma espreitadela.
Para abrir o apetite leiam entretanto o belíssimo texto de António Lobo Antunes na Receita de Leitura do mês de Maio.
Para abrir o apetite leiam entretanto o belíssimo texto de António Lobo Antunes na Receita de Leitura do mês de Maio.
Imagem daqui
quinta-feira, junho 05, 2008
Receita de Leitura (8)
Dose de Amostra


A Feira do Livro é estar sentado debaixo de um guarda-sol às listras a dar autógrafos e a comer os gelados que a minha filha Isabel me vai trazendo de uma barraquinha três editoras adiante, preocupada com as atribulações de um pai suado, de repente da idade dela, a escrever dedicatórias, de língua de fora, numa aplicação escolar. Isto não é uma queixa: gosto das pessoas, gosto que me leiam, gosto sobretudo de conhecer as pessoas que me lêem e me ajudam a sentir que não lanço ao acaso do mar garrafas com mensagens corsárias que não se sabe onde vão ter, e gosto dos romances que escrevi. Tenho orgulho neles e tenho orgulho em mim por ter sido capaz de os fazer. De modo que ali estou, satisfeito e tímido, acompanhado pelo Nelson de Matos que me pastoreia com paciência, com uma placa com o meu nome e as capas em leque à minha frente, um pouco como a sensação de vender bijuterias marroquinas nos túneis do Metropolitano do Marquês ou fatos de treino fosforescentes na Feira do Relógio, que os leitores folheiam, compram, me estendem para o selo branco, e eu em lugar de lhes explicar obsequioso e seguro que os livros não debotam nem encolhem na máquina limito-me por falta de vocação cigana a pôr a etiqueta lá dentro
(Deus sabe o que me apetece às vezes assinar Hermes ou Valentino)
e a devolvê-los com o sorriso lojista de quem garante qualidade e boa malha.
António Lobo Antunes, (1998), Livro de Crónicas, Lisboa, Dom Quixote.
Composição
Livro de Crónicas de António Lobo Antunes é uma mescla de crónicas datada de 1998. Neste primeiro volume de crónicas as deambulações situam-se no quotidiano e nas existências de gente comum em que algumas facetas do escritor transparecem e ele próprio se nos revela.
Indicações
Recomenda-se a leitura a indivíduos com gosto pela leitura de estórias urbanas e apreço pelos pequenos enredos que tecem o dia-a-dia de que as vidas são feitas. Livro de Crónicas aconselha-se aos amantes de uma prosa bem escrita, carregada e emoções e simultaneamente salpicadas com o olhar bem-humorado e lúcido sobre a realidade. Os apreciadores de registos autobiográficos e estórias bem contadas observaram francas melhorias, bem como os curiosos pelo escritor e a pela sua vida. Está também aconselhado aos leitores que se sentem excluídos pela prosa de António Lobo Antunes e com fortes sentimentos de incapacidade perante a leitura do consagrado escritor.
Precauções
Livro de Crónicas está altamente desaconselhado aos puristas da língua portuguesa. Podem ocorrer ataques de fúria ao ler a prosa fragmentada e polifónica. Recomenda-se parcimónia na leitura aos fervorosos defensores das regras gramaticais e adeptos incondicionais de pontuações tradicionais. Caso se sinta ruborizar de raiva com as letras minúsculas frequentes no início das frases ou se encontre involuntariamente de lápis na mão a corrigir o livro, deve parar de imediato a leitura.
Posologia
Indivíduos que consideram António Lobo Antunes impenetrável e de leitura difícil devem iniciar a leitura com tranquilidade em dias de lazer e remanso. Todos os que procuram em vão penetrar na obra do consagrado escritor devem encetar a incursão pelo Livro de Crónicas quanto antes, sempre ao ritmo do prazer que só a leitura de grandes livros proporciona.
(Deus sabe o que me apetece às vezes assinar Hermes ou Valentino)
e a devolvê-los com o sorriso lojista de quem garante qualidade e boa malha.
António Lobo Antunes, (1998), Livro de Crónicas, Lisboa, Dom Quixote.
Composição
Livro de Crónicas de António Lobo Antunes é uma mescla de crónicas datada de 1998. Neste primeiro volume de crónicas as deambulações situam-se no quotidiano e nas existências de gente comum em que algumas facetas do escritor transparecem e ele próprio se nos revela.
Indicações
Recomenda-se a leitura a indivíduos com gosto pela leitura de estórias urbanas e apreço pelos pequenos enredos que tecem o dia-a-dia de que as vidas são feitas. Livro de Crónicas aconselha-se aos amantes de uma prosa bem escrita, carregada e emoções e simultaneamente salpicadas com o olhar bem-humorado e lúcido sobre a realidade. Os apreciadores de registos autobiográficos e estórias bem contadas observaram francas melhorias, bem como os curiosos pelo escritor e a pela sua vida. Está também aconselhado aos leitores que se sentem excluídos pela prosa de António Lobo Antunes e com fortes sentimentos de incapacidade perante a leitura do consagrado escritor.
Precauções
Livro de Crónicas está altamente desaconselhado aos puristas da língua portuguesa. Podem ocorrer ataques de fúria ao ler a prosa fragmentada e polifónica. Recomenda-se parcimónia na leitura aos fervorosos defensores das regras gramaticais e adeptos incondicionais de pontuações tradicionais. Caso se sinta ruborizar de raiva com as letras minúsculas frequentes no início das frases ou se encontre involuntariamente de lápis na mão a corrigir o livro, deve parar de imediato a leitura.
Posologia
Indivíduos que consideram António Lobo Antunes impenetrável e de leitura difícil devem iniciar a leitura com tranquilidade em dias de lazer e remanso. Todos os que procuram em vão penetrar na obra do consagrado escritor devem encetar a incursão pelo Livro de Crónicas quanto antes, sempre ao ritmo do prazer que só a leitura de grandes livros proporciona.
quarta-feira, junho 04, 2008
Paradeiro
Pode parecer que já fomos de férias ou que nos ausentámos, tal a falta de notícias, mas têm acontecido muitas actividades na escola e o blogue acabou por não ter a actualização devida. Aqui ficam as desculpas e o regresso. Voltámos!
sexta-feira, maio 23, 2008
Meu Portugal Brasileiro
Os duzentos anos da partida da corte de D. João VI para o Brasil tem sido comemorados de várias formas, tanto em Portugal como no Brasil A literatura, já se sabe, não é indiferente às efemérides. Servem também como inspiração para o nascimento de mais livros. Nós, os amantes da leitura e dos livros, agradecemos, já se sabe. Surgiram livros de história, naturalmente, mas a ficção foi também contemplada. Com publicação recente destaco Meu Portugal Brasileiro de José Jorge Letria. Confesso que ainda vou nas primeiras páginas, mas a prosa é escorreita e a história apaixonante. Deixo-vos com a sinopse do livro que consta na badana:A bordo de uma das naus da frota que leva a família real para o Brasil, em finais de 1807, vai um jovem oficial que tudo deixa em Lisboa - família, noiva e muitos sonhos - para cumprir o seu dever de militar. Os anos que se seguem vão ser de emoção, sofrimento e permanente descoberta. Estando perto da família real, conhece as suas grandezas e misérias, mas também observa de perto o drama da escravatura.
Dessa experiência nasce um livro de memórias ficcionadas que tem o tempero forte da aventura, da intriga de corte, das amizades que nascem para durar e das paixões que o tempo não deixa morrer.
Meu Portugal Brasileiro é um livro comovido e comovente, no qual realidade e ficção se misturam numa verdadeira celebração da História e da vida que liga dois povos: um filho que o pai já perdera a esperança de conhecer, os ideais que mudam vidas inteiras, os feitiços que os escravos de origem africana sabem fazer e desfazer, as perversidades de uma rainha que nunca gostou do Brasil, as conspirações e boatos sobre a sexualidade ambígua de um rei que gosta de música e de frango assado, a personalidade única de um príncipe que se torna imperador do Brasil.
Um livro que apetece ler e reler, em Portugal ou no Brasil, porque é uma longa viagem de ida e volta ao fundo da memória de um homem que nunca desiste de sonhar e de acreditar. Uma verdadeira celebração da História e da vida que une dois povos e duas culturas.
domingo, maio 18, 2008
Zélia Gattai

Mais conhecida como a mulher de Jorge Amado, Zélia Gattai publicou também livros e deixa saudade com a sua partida.
Morreu ontem aos 91 anos em Salvador.
Imagem daqui
quinta-feira, maio 15, 2008
Gaveta de papéis
José Luis Peixoto foi recentemente agraciado com o Prémio Daniel Faria 2008. Para os fans do leitor só a notícia de que o livro chegou agora às bancas será suficiente, para os outros recomendo mesmo a leitura. Gaveta de Papéis, assim se chama, tem uma estrutura curiosa, como se abríssemos uma gaveta onde se encontram bilhetes, fotografias e outros objectos pessoais. Muito bom. sexta-feira, maio 09, 2008
Ler barato (1)
E quem disse que ler sai caro? É verdade que os livros atingem preços proibitivos, mas sabemos que as Bibliotecas podem sempre ajudar e, a partir de ontem, a revista Sábado vai dar uma ajuda preciosa. Apenas pelo preço de um euro, vão sair todas as quintas-feiras, juntamente com a revista, livros de autores obrigatórios da literatura contemporânea. Ontem saiu um que recomendo vivamente, Como Água para Chocolate da Laura Esquivel, e como foi o lançamento da colecção, o livro foi grátis com a aquisição da revista. Seguem-se obras de Philip Roth, Gabriel Garcia Márquez, Nadine Gordimer, Paul Auster, John Coetzee e Mário Vargas Llosa. De 8 de Maio a 26 de Junho. A não perder.
quinta-feira, maio 08, 2008
Cinco livros e mais um
Por sugestão da professora Jacqueline Duarte, Coordenadora do Centro de Recursos Poeta José Fanha e também porque este meme foi aberto a quem quisesse participar, vou responder ao desafio. As regras ditam que se devam escolher cinco livros ou autores da nossa preferência e um que mereça apodrecer na estante, destino cruel para um livro.
Os meus cinco mais, por ordem aleatória:
1. Livro de Crónicas de António Lobo Antunes, um livro do qual não me posso separar e que me proporcionou e proporciona momentos de puro deleite.
2. Qualquer livro de ficção do Mia Couto. Não precisa de apresentações. Um dos mais criativos e intensos escribas da língua de Camões.
3. As Intermitências da Morte e o Memorial do Convento de José Saramago. São dois, eu sei, mas fiz uma pequena batota, optando aqui pelo autor.
4. A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa. Crónicas com sabor a trópicos.
5. Morreste-me de José Luís Peixoto, pelas palavras sentidas sem serem lamechas, pela homenagem ao pai e por razões de coração.
E agora a parte pior para quem gosta de livros e de leituras: deixar apodrecer um na estante... Só a imagem arrepia, mas vale naturalmente pela metáfora e, assim sendo, na minha estante apodreceriam todos do Paulo Coelho.
Os meus cinco mais, por ordem aleatória:
1. Livro de Crónicas de António Lobo Antunes, um livro do qual não me posso separar e que me proporcionou e proporciona momentos de puro deleite.
2. Qualquer livro de ficção do Mia Couto. Não precisa de apresentações. Um dos mais criativos e intensos escribas da língua de Camões.
3. As Intermitências da Morte e o Memorial do Convento de José Saramago. São dois, eu sei, mas fiz uma pequena batota, optando aqui pelo autor.
4. A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa. Crónicas com sabor a trópicos.
5. Morreste-me de José Luís Peixoto, pelas palavras sentidas sem serem lamechas, pela homenagem ao pai e por razões de coração.
E agora a parte pior para quem gosta de livros e de leituras: deixar apodrecer um na estante... Só a imagem arrepia, mas vale naturalmente pela metáfora e, assim sendo, na minha estante apodreceriam todos do Paulo Coelho.
Imagem daqui
Vontade própria
Há uma crónica de António Lobo Antunes que transcrevi parcialmente neste post e que me ocorre sempre que a informática me prega uma partida, como é o caso agora. Quando inciei este blogue, decidi não abrir a caixa de comentários. Volvido um ano e meio sensivelmente mudei de opinião e, como não gosto de falar sozinha, decidi abrir os comentários aos estimados visitantes e frequentadores deste blogue. E o que é que aconteceu? Nada. Nadinha. O Blogger e/ou o próprio De mês em quando, quem sabe ofendidos pela minha atitude incial, não deixam que a caixa de comentários fique visível. Se clicarem na hora do post, a caixa aparecerá, talvez seja por timidez que se mantém escondida, mas a verdade, verdadinha é que a queria à vista de todos para que pudessem deixar as vossas opiniões, comentários, sugestões. Quando o blogue tem vontade própria não há nada a fazer. Esperemos que lhe passe o amuo, entretanto.
sexta-feira, maio 02, 2008
El Juego del Ángel

Depois do êxito de A Sombra do Vento, um dos livros que recomendo vivamente e cuja receita podem ler aqui, Carlos Ruiz Zafón acaba de publicar El Juego del Ángel. Aguardo ansiosamente a versão portuguesa.
Homenagem
Ontem, dia um de Maio, a patrona do nosso Centro de Recursos/ Biblioteca, Professora Maria Luísa Barros, foi homenageada pela Câmara Municipal de Mafra, nas comemorações do Dia do Município. Foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito, grau ouro, entregue pelo Presidente da Câmara, Engenheiro Ministro dos Santos, numa cerimónia singela mas carregada de significado para quem dedicou toda a sua vida ao ensino e continua a dinamizar o placard à porta da nossa Biblioteca.
quarta-feira, abril 23, 2008
Um dia especial uma receita especial
Eu sei que já vos tinha apresentado A Sombra do Vento aqui, mas para um dia especial como o Dia Mundial do Livro, que curiosamente tem muitas ligações à cidade de Barcelona, porque hoje se celebra o Dia de San Jordi, só podia recomendar um livro igualmente especial. Fiquem então mais uma vez com um livro notável e deixem-se seduzir pelo mistério.
Receita de Leitura (7) - Especial Dia Mundial do Livro
Dose de Amostra
Salpicando os corredores e plataformas da biblioteca perfilava-se uma dúzia de figuras. Algumas delas voltavam-se para cumprimentar de longe, e reconheci os rostos de diversos colegas do meu pai do grémio de alfarrabistas. Aos meus olhos de dez anos, aqueles indivíduos afiguravam-se uma confraria secreta de alquimistas a conspirar nas costas do mundo. O meu pai ajoelhou-se ao pé de mim e, sustendo-me o olhar, falou-me com aquela voz leve das promessas e das confidências.
— Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito.
Carlos Ruiz Zafón, (2004), A Sombra do Vento, Lisboa, Dom Quixote
Composição
A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón conta a história de Daniel Sempere que, numa manhã misteriosa, é levado pela mão de seu pai a um local enigmático: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Daniel recolhe um livro que altera o rumo da sua vida e vai-nos guiando freneticamente pela Barcelona da primeira metade do século XX.
Indicações
A Sombra do Vento está indicado a indivíduos com grande imaginação, amantes de fantasia, mistério e de histórias de amor arrebatador. É muito bem tolerado pelos bibliófilos e apreciadores de romances longos com travos suaves de romance policial. Indivíduos interessados em História e na cidade de Barcelona observaram francas melhoras no seu estado geral. Ao contrário de outros livros, o prazer da leitura intensifica-se logo após a leitura das primeiras páginas.
Precauções
Indivíduos com preferência acentuada por narrativas breves e lineares não devem ler este livro. Podem verificar-se episódios pontuais de ansiedade, enquanto a trama se adensa e o ambiente gótico paira sobre o romance. Se sentir impulso de procurar o Cemitério dos Livros Esquecidos ou desejo de deambular por Barcelona na senda dos mistérios que envolvem a intriga deve descontinuar a leitura por breves momentos para regressar ao quotidiano.
Posologia
Estudos comprovam que a leitura diária aumenta o efeito de bem – estar generalizado e produz anticorpos contra a agrura do dia-a-dia.
Advertência
Os princípios activos contêm substâncias enigmáticas e apaixonantes que podem provocar dependência. Se der por si a contar os minutos para regressar ao livro ou a abdicar das horas diárias de sono para se embalar n´A Sombra do Vento, deve abrandar a leitura, sob pena de, tal com Daniel Sempere, ver a sua vida alterada por um livro.
Pare, sinta e leia
E que melhor maneira de comemorar o Dia Mundial do Livro, senão lendo? Foi isso que fizemos hoje na nossa Escola. Às dez e trinta houve um toque especial e até às onze horas, alunos e professores leram nas suas aulas e turmas. Escolhi um livro especial do Mário Prata, Schifaizfavoire, um Dicionário de Português. Depois de lidas algumas passagens, discutimos e debatemos as diferenças e semelhanças entre português de Portugal e português do Brasil, bem longe da polémica do novo acordo ortográfico, até porque a riqueza e humor da escrita de Mário Prata convidam a uma boa leitura e melhor fruição e conversa. terça-feira, abril 22, 2008
O mundo numa biblioteca
Ontem foi um dia diferente, pelo menos para mim. A convite da professora Jacqueline Duarte, Coordenadora do Centro de Recursos Poeta José Fanha, da Escola EB 2/3 da Venda do Pinheiro, no âmbito das Comemorações do Dia do Livro, fui partilhar uma das descobertas mais interessantes da minha vida: o Bookcrossing. Esperava-me um grupo de alunos, previamente inscritos para a actividade, que estiveram atentos e interessados. Assistiram ao vivo ao registo de um livro, manusearam um que já tinha viajado em bookring, trocámos opiniões e libertei um livro que espero lhes traga muito prazer e diversão. Claro que também lhes falei da nossa OCBZ, a primeira do concelho. Resta-me agradecer a todos os que me acolheram tão bem, com uma palavra muito especial à professora Jacqueline. E agora para terem uma ideia de como foi, espreitem a reportagem do acontecimento. Foi um prazer participar e estreitar relações entre as Escolas. Obrigada mais uma vez.
segunda-feira, abril 21, 2008
Da imprensa
Fala-nos da vida e da morte, da sua doença recente, da escrita, dos rituais que afirma não ter, e promete um novo romance no qual se encontra a trabalhar, A Viagem do Elefante, para o Outono próximo. A partir de 23 de Abril será também possível ver, no Palácio da Ajuda, a exposição sobre a vida e obra do único português laureado com o Prémio Nobel da Literatura, "A Consistência dos Sonhos", inaugurada primeiro em Lanzarote em Novembro passado. Dez anos depois do Nobel, José Saramago, mostra-se igual a ele mesmo nesta entrevista ao Semanário "Sol". Daqui desejamos as melhoras efectivas e aguardamos o novo romance ansiosamente.
imagem daqui
sexta-feira, abril 18, 2008
Receita de leitura (6)
Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro, e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa-dos-ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos.
José Cardoso Pires, (1997), Lisboa, Livro de Bordo, Lisboa, Dom Quixote.
Composição
Lisboa Livro de Bordo é um livro do escritor José Cardoso Pires sobre a cidade de Ulisses, onde o seu olhar sobre a cidade se desenha a cada página. O livro foi escrito para uma série sobre a cidade de Lisboa a pedido da edilidade, tendo sido o primeiro da série.
Indicações
Este livro está recomendado para os amantes da cidade de Lisboa, para os curiosos e para qualquer leitor em geral que aprecie um bom livro, sem pretensões a romance. É muito bem tolerado pelos interessados sobre a cidade que procuram o casamento perfeito entre alguns dados factuais e a vivência da própria cidade, povoada pelo seu encanto e diversidade, pelos seus poetas e escritores, por alfacinhas e forasteiros.
Precauções
Está desaconselhada a leitura aos amantes de romance e de prosas longas. Os amantes da cidade de Lisboa observaram melhoras evidentes, mediante a forma lisonjeira com que a cidade é sentida e descrita. Caso seja um ávido leitor de não ficção deve estar atento aos sinais, uma vez que o tom poético da escrita pode desviar, por instantes, o percurso factual e causar-lhe distúrbios. Deve descontinuar a leitura se ficar absorto e errante entre o miradouro da Graça e o Terreiro do Paço, a observar o rendilhado dos calceteiros ou a glorificar a luz de Lisboa em momentos de trabalho intenso.
Posologia
Deve ser lido de uma assentada, como um dia de passeio por Lisboa, e relido momentos mais tarde para melhor apreciar a intensidade das palavras e familiarizar-se com a vida da e na cidade de Ulisses. Desconhecem-se efeitos secundários. A leitura não tem efeitos nocivos.
José Cardoso Pires, (1997), Lisboa, Livro de Bordo, Lisboa, Dom Quixote.
Composição
Lisboa Livro de Bordo é um livro do escritor José Cardoso Pires sobre a cidade de Ulisses, onde o seu olhar sobre a cidade se desenha a cada página. O livro foi escrito para uma série sobre a cidade de Lisboa a pedido da edilidade, tendo sido o primeiro da série.
Indicações
Este livro está recomendado para os amantes da cidade de Lisboa, para os curiosos e para qualquer leitor em geral que aprecie um bom livro, sem pretensões a romance. É muito bem tolerado pelos interessados sobre a cidade que procuram o casamento perfeito entre alguns dados factuais e a vivência da própria cidade, povoada pelo seu encanto e diversidade, pelos seus poetas e escritores, por alfacinhas e forasteiros.
Precauções
Está desaconselhada a leitura aos amantes de romance e de prosas longas. Os amantes da cidade de Lisboa observaram melhoras evidentes, mediante a forma lisonjeira com que a cidade é sentida e descrita. Caso seja um ávido leitor de não ficção deve estar atento aos sinais, uma vez que o tom poético da escrita pode desviar, por instantes, o percurso factual e causar-lhe distúrbios. Deve descontinuar a leitura se ficar absorto e errante entre o miradouro da Graça e o Terreiro do Paço, a observar o rendilhado dos calceteiros ou a glorificar a luz de Lisboa em momentos de trabalho intenso.
Posologia
Deve ser lido de uma assentada, como um dia de passeio por Lisboa, e relido momentos mais tarde para melhor apreciar a intensidade das palavras e familiarizar-se com a vida da e na cidade de Ulisses. Desconhecem-se efeitos secundários. A leitura não tem efeitos nocivos.
quinta-feira, abril 17, 2008
A viagem nos livros
Estava um dia de chuva, diz-se logo no início da narrativa, não um dia de sol como o desfilava na imagem à minha frente das transmissões do Carnaval de Salvador, e, ao contrário de Ivete Sangalo, Sereia não vestia de branco nem tinha um imenso leque de plumas, armado como uma auréola ao nível dos quadris, o cruzamento feliz entre a exuberância do pavão e a elegância do cisne. Sereia envergava uma fantasia em malha metálica que descia até ao chão como uma cauda reminiscente do seu próprio nome, Sereia, os seios e a barriga cobertos de purpurina prateada iluminados pela chuva de Salvador. Sereia, ao contrário de Ivete, tinha cabelos de ouro e olhos cor de mel, era uma boa dezena de anos mais nova do que Ivete, contava apenas vinte e dois, e ao contrário de Ivete, felizmente para esta, Sereia viu chegar o seu fim naquela terça-feira de Carnaval, em pleno desfile, como havia desejado, do alto do trio eléctrico na Avenida Carlos Gomes. Uma bala com a inicial do seu nome pôs fim à carreira promissora e catapultou Sereia, senão aos céus ou às profundezas dos mares de Iemanjá, ao estatuto de mito a que todas as mortes trágicas e jovens obrigam. Salvador chora inconsolável a partida inesperada da promissora estrela, assistimos ao funeral ao som do Olodum no Bonfim e perseguimos Augustão, o detective encarregue de resolver a morte precoce e inexplicável de Sereia, pelas ladeiras e ruas íngremes de Salvador. Acompanhamo-lo inúmeras vezes ao terreiro de Mãe Marina de Ogum e é também pelos seus olhos que contemplamos a Baía de Todos os Santos. Sereia é apenas o pretexto para Salvador se revelar em O Canto da Sereia de Nelson Motta, impregnado de estereótipos -música, mestiçagem e candomblé- mas com um roteiro implícito, uma viagem única à baianidade contemporânea e à qual regressaremos sempre, assim abramos as páginas do livro e a alma à escrita. Talvez por isso, este seja dos livros que mais viaja da estante para a mesa-de-cabeceira, da mesa-de-cabeceira para o sofá ao meu lado. Com ele há sempre um périplo renovado pela cidade do Salvador e um crepúsculo tranquilo sobre a Baía de Todos os Santos.
Elevador Lacerda e Baía de Todos os SantosSalvador, Brasil
foto: minha
sábado, abril 12, 2008
Acção de sensibilização

Partindo mais uma vez da Área de Projecto, vai ter lugar no próximo dia 19 deste mês de Abril, uma Acção de Sensibilização para o Cancro da Mama. A iniciativa está a cargo do grupo 5, da turma A, do 12º ano, composto pelos alunos Alexandre Pinheiro, André Bastos, Filipe Antunes, Isabel Santos e Rute Gonçalves, que optaram por este assunto para a Área de Projecto para informar e alertar para a importância da prevenção do Cancro da Mama. O evento é realizado em parceria com a Câmara Municipal de Mafra, o Centro de Saúde de Mafra e a APAMCM - Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama e tem o apoio de várias entidades. Portanto, toca a apontar nas agendas ou a deixar lembretes no telemóvel, embora um evento destes não necessite de mais para o esquecermos. A saúde diz respeito a todos nós, homens e mulheres. Dia 19 de Abril, no Auditório Beatriz Costa em Mafra, pelas 9.30h. Aparece!
Imagem daqui
quinta-feira, abril 10, 2008
Sugestões blogosféricas
Para os amantes de livros exitem dois blogues obrigatórios: o Bibliotecário de Babel e o Lerblog, o blogue da revista Ler que vai regressar sob a direcção de Francisco José Viegas. Dois blogues a visitar diariamente e que recomendamos vivamente.
segunda-feira, abril 07, 2008
Cão como alguns de nós
Quem conhece a nossa Escola há uns anos ter-lhe-á notado uma particularidade que, parece-me e conheço algumas escolas, não é comum a muitas: a nossa Escola tinha um cão, uma mascote, por assim dizer. O cão terá aparecido por cá há uns anos largos, não há consenso quanto à data específica, e aqui ficou acarinhado por muitos, sem desprimor para ninguém, em particular pela Dona Tucha da Secretaria, pela patrona da nossa Biblioteca, a Professora Maria Luisa Barros e pela professora Alda Braga. Estas três dedicadas donas do cachorro tudo fizeram para que tivesse uma vida faustosa, mais faustosa do que outras vidas caninas: trataram dele quando esteve doente, bem como outras pessoas, e para mimá-lo ainda mais, além de lhe trazerem comida, que também eu trazia numa marmita depois do almoço, ofereciam-lhe, a espaços, um delicioso croquete. O Saramago adorava os croquetes e sabêmo-lo, porque os saltos e pulos evidenciavam tamanha alegria e gratidão. Infelizmente, o Saramago não era um cão jovem e, como tal, viu o seu fim chegar na passada sexta-feira, depois de ter sido muito acarinhado pelos seus guardiães. Que fique em paz, o nosso Saramago, cá para mim anda a moer o juízo aos outros cães da eternidade canina, que ele era um rapaz muito temperamental e, se na eternidade houver motas, tenho a certeza que a esta hora já lhes terá ladrado com afinco...
Ao Saramago
A professora Alda Braga, muito dotada no que respeita à escrita de quadras, era uma das fiéis amigas do nosso Saramago e, como não podia deixar de ser, assinalou a partida do nosso canito com todo o sentimento e dedicação. Ora leiam lá:
Nada é eterno… perene
A vida é mesmo assim…
Nada há que a condene
Quem tem começo… tem fim!
Lá se foi o Saramago
Da Escola o guardião…
Sedento do nosso afago
Do croquete … “comilão”…
Deixou seu lugar vazio
Já não refila ao portão
Já velhinho… lá partiu
O nosso saudoso cão!
Há mais silêncio à entrada
Não há desvios pró lado…
Casota desocupada …
Seu dono será lembrado!
5 de Abril, 2008
Prof. Alda Braga
A vida é mesmo assim…
Nada há que a condene
Quem tem começo… tem fim!
Lá se foi o Saramago
Da Escola o guardião…
Sedento do nosso afago
Do croquete … “comilão”…
Deixou seu lugar vazio
Já não refila ao portão
Já velhinho… lá partiu
O nosso saudoso cão!
Há mais silêncio à entrada
Não há desvios pró lado…
Casota desocupada …
Seu dono será lembrado!
5 de Abril, 2008
Prof. Alda Braga
sexta-feira, abril 04, 2008
quinta-feira, abril 03, 2008
sexta-feira, março 14, 2008
Official Crossing Zone
ou seja, zona oficial de Bookcrossing, que passou a ser uma realidade na nossa escola. A partir de agora se quiseres libertar livros ou ir à caça podes fazê-lo à entrada da nossa Biblioteca/Centro de Recursos. Mais informações na nossa estante virtual aqui. Podes ver os livros que há, os que viajaram e os que estão em bookring. Qualquer informação contacta-me.
quinta-feira, março 06, 2008
segunda-feira, março 03, 2008
Maria Gabriela Llansol
A literatura ficou mais pobre com a partida da escritora Maria Gabriela Llansol, hoje aos setenta e seta anos. Leiamos os seus livros em sua memória e na celebração da literatura.
Notícia aqui
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Na rota dos livros
Esta notícia, que percorreu a blogosfera e a que os bibliófilos não ficaram indiferentes, ofereceu-me um belíssimo roteiro apadrinhado pelo sonho e alimentado por duas das minhas preferências: viagens e livros.
Por exemplo, podia ir daqui ao Porto, para visitar a Lello, e com a quantidade de voos low cost a sair da Invicta não seria nada difícil partir para outro local da Europa. Talvez Glasgow, muito embora a livraria me deixe algumas dúvidas. Depois seguiria para Bruxelas, para espreitar a Posada, até porque não encontro uma imagem e sou um espírito curioso. A cidade seguinte seria Maastricht. A Boekhandel Selexyz Dominicanen é um deleite também pela simbologia da religiosidade e espiritualidade que os livros podem encerrar. Depois de me refazer de tanta beleza, rumaria decididamente a sul numa das minhas ansiadas viagens: Buenos Aires, que obviamente depois desta descrição, ficou decididamente inscrito no meu roteiro de viagens futuro, espero que não muito. De volta, e porque não estamos longe, daria uma saltadinha fugaz à mais bela cidade do mundo, o Rio de Janeiro e entre coisas várias e tão simples como uma água de coco no Calçadão de Ipanema com o Morro Dois Irmãos do meu lado direito se contemplasse o Atlântico ou o Cristo Redentor a erguer-se no morro se voltasse a costas ao mar, difícil é escolher a vista na Cidade Maravilhosa, iria direitinha à Livraria da Travessa na Visconde de Pirajá, para celebrar o meu primeiro livro comprado em terras de Vera Cruz. Voltaria depois a casa, a mala prenhe de livros e a alma a transbordar. Sentar-me-ia por aqui a empanturrar-me de livros e a digerir tanta beleza. Sonhar não custa.
Por exemplo, podia ir daqui ao Porto, para visitar a Lello, e com a quantidade de voos low cost a sair da Invicta não seria nada difícil partir para outro local da Europa. Talvez Glasgow, muito embora a livraria me deixe algumas dúvidas. Depois seguiria para Bruxelas, para espreitar a Posada, até porque não encontro uma imagem e sou um espírito curioso. A cidade seguinte seria Maastricht. A Boekhandel Selexyz Dominicanen é um deleite também pela simbologia da religiosidade e espiritualidade que os livros podem encerrar. Depois de me refazer de tanta beleza, rumaria decididamente a sul numa das minhas ansiadas viagens: Buenos Aires, que obviamente depois desta descrição, ficou decididamente inscrito no meu roteiro de viagens futuro, espero que não muito. De volta, e porque não estamos longe, daria uma saltadinha fugaz à mais bela cidade do mundo, o Rio de Janeiro e entre coisas várias e tão simples como uma água de coco no Calçadão de Ipanema com o Morro Dois Irmãos do meu lado direito se contemplasse o Atlântico ou o Cristo Redentor a erguer-se no morro se voltasse a costas ao mar, difícil é escolher a vista na Cidade Maravilhosa, iria direitinha à Livraria da Travessa na Visconde de Pirajá, para celebrar o meu primeiro livro comprado em terras de Vera Cruz. Voltaria depois a casa, a mala prenhe de livros e a alma a transbordar. Sentar-me-ia por aqui a empanturrar-me de livros e a digerir tanta beleza. Sonhar não custa.
Imagem daqui
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Receita de leitura (5)
Nefertiti: seu olhar de pedra parado há milénios, esfíngico. Uma mosca pousara no ombro de Nefertiti, porque no ângulo do seu ombro corria uma brisa soprada pela ventoinha suspensa do tecto, na sala 48 do Museu do Cairo. Seu olhar lazúli olhava-me, sereno, sem curiosidade nem medo - um olhar quieto e líquido. Duas da tarde, no Museu do Cairo. Pelas janelas de ripas de madeira chegava o rumor espesso da rua. Catorze milhões de egípcios dormiam nas sombras e nos passeios das ruas do Cairo, esperando a passagem sofrida das horas do calor e do Ramadão. Duas da tarde, catorze milhões, 36 graus à sombra.Uma gota de suor escorria agora da testa de Nefertiti. Lentamente tirei o lenço do bolso das calças e limpei-a. Não sabia que as estátuas transpiravam. Imaginava-as frias e suaves na sua placidez de pedra e ónix. Mas nunca vira o Cairo em Abril, quando o sufoco quieto do ar traz apenas uma leve, longínqua lembrança, do restolhar líquido do Nilo.
O Nilo – o rio mais longo e mais belo do mundo. Tudo começa e acaba neste nome de duas sílabas.
Miguel Sousa Tavares, (2004), Sul, Lisboa, Oficina do Livro.
Composição
Sul é uma compilação de crónicas de viagem de Miguel Sousa Tavares coligidas num só volume. Longe dos roteiros habituais e do estilo dos guias de viagem comuns, Sul leva-nos por paragens aquém e além fronteiras, sempre com a escrita escorreita do escritor e a sua forma única de ver o mundo.
Indicações
Sul está recomendado para os amantes de paragens longe da porta de sua casa, e para os apreciadores de uma boa prosa. É muito bem tolerado por todo o tipo de viajantes: os de mochila às costas, os sofisticados que não passam sem o hotel de cinco estrelas, os amantes de aventuras, os curiosos de culturas diferentes e os que sentados no sofá viajam através de imagens e leituras diversas sobre o mundo lá fora.
Precauções
Não se aconselha a leitura de Sul a indivíduos inquietos e com vontade acentuada de partir mundo afora. Caso tenha episódios recorrentes de tédio perante o quotidiano e seja acometido com frequência do ímpeto de galgar fronteiras e países, deve ler o livro com algumas reservas. Se der consigo à procura de folhetos de viagens e informações sobre os locais a visitar ou num estado absorto a banhar-se no Índico ou contemplando Nefertiti no Museu do Cairo deve abrandar a leitura para evitar danos maiores.
Posologia
Deve ser lido ao rimo de cada leitor, não obstante, recomenda-se uma leitura tranquila e pausada para melhor saborear cada viagem.
Outras apresentações
Se experimentou bons resultados com Sul, recomenda-se a leitura de outros relatos de viagens ou a continuação da escrita de Miguel Sousa Tavares com Equador.
domingo, fevereiro 24, 2008
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Who shot Shakespeare?
Hoje foi dia de Teatro na nossa Escola. A cargo do sexto Departamento, o Departamento de Inglês e Alemão, a iniciativa trouxe à nossa Escola o grupo de teatro Interacting, com a peça "Who shot Shakespeare?". A peça era um casamento perfeito entre o CSI com intriga e mistério e as peças do grande dramaturgo inglês, tudo envolto com muito humor e uma belíssima actuação a que os alunos não escaparam. Aqui ficam as imagens possíveis e a esperança de que para o ano haja mais.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Correntes d´Escritas
Está a decorrer na Póvoa do Varzim mais uma edição do Correntes d´Escritas. Logo no início, o escritor Ruy Duarte de Carvalho foi distinguido pela obra Desmedida com o Prémio Literário Casino da Póvoa. Conta com a presença de mais de sessenta escritores do mundo lusófono e ibero-americano e, à semelhança de edições anteriores, haverá debates, colóquios, conferências, encontros com os leitores e lançamento de livros. A não perder, portanto. E para mais saber sobre Correntes d´Escritas, sugere-se a visita ao Bibliotecário de Babel, um dos blogues obrigatórios para os amantes de livros.
Bob Marley
Menos vetusto do que Padre António Vieira estaria Bob Marley que, se não tivesse partido tão cedo, teria feito sessenta e três anos no mesmo dia, nem por sombras a bonita idade que o Padre António Vieira atingiu, embora ambos tivessem respirado o ar saudável dos trópicos. Tal como o Padre António Vieira também era um defensor dos direitos humanos e tinha jeito com as palavras, mais cantadas, é certo, mas algumas letras são hinos que ficam e ficaram ao longo das décadas. E como seria hoje Bob Marley aos sessenta e três anos? Seria uma espécie de Keith Richards com dreadlocks grisalhos? Ou mais como Mick Jagger? Continuo a imaginá-lo cheio de charme e magro, o sorriso de sempre –adoro sorrisos genuínos- como mais uma vintena de filhos pelo caminho e a brindar-nos com muito mais música, mais letras e mais hinos. Uma pena ter partido tão cedo. E porque acho que Bob Marley jamais gostaria de ser lembrado com pesar, comemoremos com música.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Festival de Cinema na Saramago
Depois da Bolomania, chegou a vez do Cinema à nossa Escola. Desta feita a iniciativa é da responsabilidade do grupo Clã, da Área de Projecto do 12º H, composto pela Irina Batalha, Inês Coelho, Fábio Branco e Rita Jorge. O Festival de Cinema irá decorrer de 18 a 21 do corrente mês de Fevereiro, já para a semana, portanto, no Auditório da nossa Escola, e cada dia vai ser dedicado a um género diferente. A segunda-feira, dia 18, está indicada para os amantes do musical, uma vez que vai ser exibido Moulin Rouge, já na terça-feira, podem vir os amantes da comédia e os apreciadores dos Monty Python e, na quarta, podemos ver ou rever um belíssimo filme com e de Roberto Benigni, A Vida é bela. Muita diversidade, como se vê, tal como eles idealizaram. Desta forma ninguém ficará de fora. Agora só falta aparecerem! Parafraseando e adaptando livremente uma das linhas que ficaram célebres de um dos mestres do cinema, Alfred Hitchcock, despeço-me Until then, good-bye! Já sabem, de 18 a 21 na nossa Escola.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Receita de leitura (4)
Dose de Amostra
Escrevo num computador instalado num móvel polido que tem uma prateleira que se puxa. Muito vulgarizados, tais móveis podem encontrar-se em qualquer loja informática das grandes. Menciono este dado pessoal porque ele estabelece o cenário de desconfortáveis ocorrências, há pouco mais duma hora, aqui no meu escritório. Possuir um móvel destes não é coisa de que alguém se gabe, e eu preferiria ocultar o facto, se não fosse necessário confessá-lo.
Estava a premir a tecla F 11, quando um homenzinho magro, de fato escuro completo e chapéu fora de moda emergiu atrás do teclado e começou a fazer esforços para se içar para o tampo superior, onde se agigantam monitor e impressora. Levantava os braços, numa gesticulação que me pareceu desesperada e dava grandes saltos, em cima da consola. Calçava sapatos ferrados que tiravam do plástico x sons fortes lembrando bicadas repetidas de catatua.
Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. Acontecia-me, não raro, quando ia passear para o Jardim Constantino, depois do jantar, em certos plenilúnios. Saíam-me ao caminho por detrás das árvores e quase sempre eram mais altas e encorpadas do que eu.
Mário de Carvalho, (2000), Contos Vagabundos, Lisboa, Caminho.
Composição
Contos Vagabundos é uma colectânea de contos de Mário de Carvalho, datada de 2000, que canta as desventuras e aventuras de gente comum, os heróis do quotidiano, sem feitos valorosos nem conquistas gloriosas.
Indicações
Contos Vagabundos está indicado para os apreciadores de existências simples mas carregadas de peripécias cómicas e bem-humoradas. Observaram-se significativas melhoras em indivíduos que associam a literatura e escritos soturnos, depressivos e longos e que eram acometidos de ataques de rejeição da leitura, não podendo usufruir dos benefícios e prazer encerrados nas páginas de um livro.
Precauções
Este livro está desaconselhado a indivíduos com fixação em escritas despojadas de vocabulário rico e órfãos de fantasia. Podem verificar-se pontualmente episódios de irritação e fúria em indivíduos sem sentido de humor e obcecados pela verosimilhança na literatura. A leitura deve ser imediatamente descontinuada, se começar a procurar as personagens atrás do computador.
Posologia
Desconhecem-se efeitos de sobredosagem. Para beneficiar das potencialidades da leitura não deve descontinuá-la nunca.
Outras apresentações
Se foram observados efeitos de bem-estar com Contos Vagabundos, sugere-se uma incursão mais profunda na obra de Mário de Carvalho. Aos amantes da cidade de Lisboa recomenda-se a leitura de Casos do Beco das Sardinheiras com a maior brevidade, de forma a prolongar o efeito de bem-estar já observado com Contos Vagabundos.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Imperador da língua portuguesa
Padre António Vieira
6 de Fevereiro de 1608 - 6 de Fevereiro de 2008
6 de Fevereiro de 1608 - 6 de Fevereiro de 2008

Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: Homines pravis, perversisque cupidítatibus facit sunt veluti pisces invicem se devorantes: Os homens com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros.
Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes, Lisboa, Editorial Nova Ática.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Quem dança seus males espanta
Hoje, pela manhã, fomos surpreendidos na Sala de Professores com mais uma actuação do Núcleo do Desporto Escolar - Danças de Salão. No Natal já havíamos sido presenteados com a actuação do grupo, orientado pelo Professor Luís Morgado, também ele um grande dançarino. Nessa altura não tive como registar o momento, mas hoje não podia deixar de assinalar o feito e aproveitei o telemóvel. A qualidade das imagens não é das melhores, mas vale acima de tudo pela alegria que transmitem. Parabéns! Continuem.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Mahatma Gandhi

An eye for an eye will make the whole world blind.
Mahatma Gandhi
60 anos do seu assassinato
Imagem daqui
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Bolomania
Longe vão os tempos em que a escola se dedicava apenas à transmissão de conhecimentos. Hoje em dia, as escolas são organismos dinâmicos, onde há muitas acitvidades envolvendo não só alunos e professores mas também toda a comunidade escolar e a comunidade envolvente. A área de projecto é um óptimo exemplo desta diversidade. As temáticas vão variando, mas o contributo é inegável. Desta vez, apresento-vos uma iniciativa louvável, não só louvável como deliciosa. A Aurora Domingues, a Guida Santos, a Ingvild Slevolden, o Luís Gomes e a Sofia Monteiro, do 12º A -não estão lindos na foto?- no âmbito do projecto que têm entre mãos, e que inclui uma parceria com a Santa casa da Misericórdia, vão levar a cabo na próxima segunda-feira, dia 28 de Janeiro, no átrio do pavilhão E, a Bolomania. Como a designação indica, trata-se de uma feira do bolo, a primeira adiantaram eles, prevendo que mais se realizarão. O objectivo é angariar fundos para a Santa Casa Misericórdia e ajudar quem precisa. Calculo que a esta hora, já estejam de água na boca, mas terão de esperar até segunda-feira e deixar-se surpreender com as iguarias que eles no reservam. Para isso, toca de aparecer!
foto: minha
O carteiro
Carteiros. Sempre vi algum encanto nos carteiros, uma espécie de Mercúrios contemporâneos trazendo novidades de casa a casa, e, mesmo que o correio electrónico tenha tomado conta de uma parte substancial das comunicações interpessoais escritas, continuo a admirar estes emissários que nos dias que correm abandonaram maioritariamente as caminhadas a pé e se deslocam em veículos motorizados. Duvido que este carteiro se deslocasse através de qualquer outro meio que não fossem os seus próprios pés, não sei se por fazer jeito à ideia romanceada de carteiro que me ocupa o imaginário, se por assim ser quando se lê um texto alheio e se lhe vão juntando peças e preenchendo os espaços naturalmente deixados em branco por quem escreve para quem lê.
A pé ou de motociclo, a verdade é que este era um carteiro especial. Maldizia o peso dos livros e, certo dia, encetando conversa com o narrador em virtude da quantidade de livros que lhe deixava, descobriu para seu desencanto que não, o destinatário de todas as cartas e livros não os lia sempre e nem os lia completamente e que, além da falta pela ausência de leitura, redistribuía as encomendas por amigos, assim mesmo, se lhes ler o miolo, vocábulo usado para o conteúdo dos livros. Delicioso. O carteiro não se conformava. Como não ler? Se entrega, tem de ler. A não leitura constituía um pecadilho imperdoável, um desrespeito para com o remetente. O narrador não cede e argumenta que para o escritor é igual a leitura ou não das obras colocando um ponto final na contenda e postulando lacónico que o esvaziamento de alma a que a escrita obriga será por si só suficiente. O carteiro riposta, o narrador riposta, o carteiro surpreende o narrador com uma revelação velada acerca do ofício que lhe preenchia a vida além dos afãs de carteiro, apontando na direcção de outro carteiro também a braços com um escritor de renome, Pablo Neruda. Se Carlos Drummond de Andrade esvaziou a alma não se deixa adivinhar, espero, não obstante, que sim, a contrapartida mais do que merecida para a crónica brilhante com que nos brinda, uma das muitas que habitam nas páginas de Boa Companhia.
A pé ou de motociclo, a verdade é que este era um carteiro especial. Maldizia o peso dos livros e, certo dia, encetando conversa com o narrador em virtude da quantidade de livros que lhe deixava, descobriu para seu desencanto que não, o destinatário de todas as cartas e livros não os lia sempre e nem os lia completamente e que, além da falta pela ausência de leitura, redistribuía as encomendas por amigos, assim mesmo, se lhes ler o miolo, vocábulo usado para o conteúdo dos livros. Delicioso. O carteiro não se conformava. Como não ler? Se entrega, tem de ler. A não leitura constituía um pecadilho imperdoável, um desrespeito para com o remetente. O narrador não cede e argumenta que para o escritor é igual a leitura ou não das obras colocando um ponto final na contenda e postulando lacónico que o esvaziamento de alma a que a escrita obriga será por si só suficiente. O carteiro riposta, o narrador riposta, o carteiro surpreende o narrador com uma revelação velada acerca do ofício que lhe preenchia a vida além dos afãs de carteiro, apontando na direcção de outro carteiro também a braços com um escritor de renome, Pablo Neruda. Se Carlos Drummond de Andrade esvaziou a alma não se deixa adivinhar, espero, não obstante, que sim, a contrapartida mais do que merecida para a crónica brilhante com que nos brinda, uma das muitas que habitam nas páginas de Boa Companhia.
Imagem: Van Gogh
quinta-feira, janeiro 24, 2008
O libertino
Em destaque, no placard à porta da nossa Biblioteca/Centro de Recursos, temos Luiz Pacheco. Podem ler-se textos e entrevistas do recentemente falecido escritor e editor, tudo com a gentileza da nossa patrona que tem a paciência de nos seleccionar os textos e tornar o placard não só um deleite para os olhos, como também mais uma maneira de nos mantermos actualizados no que respeita à literatura. Apareçam!
sexta-feira, janeiro 18, 2008
A trabalheira de se ser infeliz
E porque hoje é sexta-feira deixo-vos com uma citação de um dos meus autores preferidos de sempre e um autor obrigatório de expressão portuguesa. Se nunca leste nenhum livro de Mia Couto, não percas tempo, dirige-te ao nosso Centro de Recursos e procura um livro deste autor moçambicano e, como é multifacetado, podes ler contos, romance, poesia ou ensaio/não-ficção. Tudo vale menos ficar na ignorância e desconhecimento. Agora a prometida citação:
Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que a doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.
Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que a doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.
Mia Couto, (2002), Mar me quer, Lisboa, Caminho.
Portanto, já sabem, ser infeliz dá uma grande trabalheira, logo, toca a enxotar os pensamentos mais sombrios e sorrir para a vida. Bom fim-de-semana!
quinta-feira, janeiro 17, 2008
As mais belas livrarias do Mundo
Para os amantes de livros, os livros e as livrarias andam de mãos dadas. Numa livraria, o tempo é de recolhimento e de comunhão plena entre o leitor e o seu objecto amado, estimado, cuidado - os livros. Quem nunca sentiu a calma na alma, a tranquilidade de um tempo de silêncio entrecortado aqui e ali apenas com o folhear das páginas ou uma troca de opiniões em surdina? O jornal britânico Guardian elegeu as dez mais belas livrarias do mundo. Nesta eleição Portugal não foi esquecido e a Livraria Lello no Porto ficou num honroso terceiro lugar. Deixo-vos agora com as imagens destes veradeiros templos de leitura. Não são uma maravilha?
Subscrever:
Mensagens (Atom)













.jpg)
.jpg)

